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Consumo crescente de azeite favorece qualidade

Para atender a demanda, cada vez maior no Brasil, empresas produtoras do tradicional óleo cor de ouro investem em novas embalagens e em produtos cada vez mais selecionados

Simone Dutra - Redação Publicação:21/11/2012 16:45Atualização:21/11/2012 16:54
 (Reprodução)

Mais acessível a todas as classes sociais por conta do menor preço nas gôndolas de supermercados, o azeite torna-se cada vez mais presente na mesa dos brasileiros, mercado impulsionado pela estabilização econômica e queda do dólar. Com o aumento da demanda, vem também a exigência por um produto de melhor qualidade. A indústria mundial investe em produtos cada vez mais apurados e as importadoras e supermercados nacionais apostam em marcas exclusivas.

Nos últimos 15 anos houve crescimento de 3,2% da produção mundial, sendo que a Espanha é a maior produtora, com mais de 1 milhão de toneladas/ano, e restante dividido entre Tunísia, Turquia, Síria, Marrocos e Argélia, de acordo com o dados divulgados no site da Casa do Azeite – Associação do Azeite de Portugal.

Segundo o chef e consultor gastronômico Eduardo Maya com tanta variedade no mercado, fica difícil escolher o melhor azeite na hora de se preparar carnes, massas e saladas. “Tudo vai depender dos ingredientes e do tipo de receita que será feita”, diz.

Um exemplo: numa salada simples de alface e tomate recomenda-se um azeite mais suave, com azeitonas tipo arbequina. Mas se a salada for mais incrementada com alcaparras, usa-se um azeite mais forte, estruturado com azeitona tipo picual, ensina Eduardo Maya: “Com as carnes acontece a mesma coisa, para um peito de frango grelhado, usa-se azeite mais suave, mas se ela for mais condimentada, um mais forte”.


O chef executivo do Senac-MG, Adriano Santos, também é adepto dos azeites sofisticados e afirma que prefere os espanhóis: “Para temperar saladas ou pratos frios, gosto de usar também os gregos”, ressalta. Questionado sobre levar o líquido ao fogo, o chef responde: “Uso algumas vezes”. Apesar de toda a procura e maior uso do produto, a nutricionista Fernanda Seixas adverte: “Qualquer tipo de azeite tem saturação muito mais rápida do que outros óleos vegetais. Então é importante evitá-los na utilização de frituras. O ideal é apenas finalizar o preparo, dando o toque especial”. Segundo a especialista, o azeite é considerado um alimento que previne doenças, rico em gorduras saudáveis, pois aumenta o chamado colesterol bom (HDL) e reduz o mau colesterol (LDL). Quanto ao armazenamento, a nutricionista informa que devem ser guardados em recipiente escuro para não oxidar e sempre fora da geladeira. “Além disso, na hora de comprar, deve-se optar pelos vidros opacos e não pelas latas”, ressalta.

Além de saborosos, os azeites são saudáveis, ajudando a prevenir doenças. O extravirgem, por exemplo, é rico em vitamina E e outros antioxidantes naturais que ajudam a prevenir o envelhecimento celular. Tantos atrativos fazem do azeite produto cada vez mais indispensável nas mesas brasileiras.

Recém chegada ao mercado brasileiro, a empresa espanhola Hojiblanca já é bem conhecida no exterior. “Os azeites extravirgem da variedade hojiblanca oriunda de Antequera, em Málaga (região da Espanha), se caracterizam pela cor amarelo dourado e odor frutado fresco. Apresenta um ligeiro ponto amargo e picante e o gosto no final é de amêndoa”, afirma Eduardo Maya. Hoje, o azeite não é mais um tempero para saladas ou bacalhau, mas começa a servir, cada vez mais, como um ingrediente imprescindível na culinária.

Tipos de azeites
Eles variam de acordo com o processo de prensagem e produção

Extravirgem
Após uma única prensagem a frio da azeitona, obtém-se este azeite. Por esse motivo, ele é o mais puro e sua acidez é de no máximo 0,8% (os melhores estão entre 0,4 e 0,5%). Após a prensagem, ele é apenas filtrado, conservando um sabor acentuado

Virgem
Extraído na segunda ou terceira prensagem da azeitona. Sua acidez pode ser de até 1,5% e seu sabor é um pouco mais adocicado que o do extravirgem

Refinado
Passa por processos de descoloração, desodorização e neutralização. E recebe um pouco de extravirgem para dar sabor

Puro
É uma mistura entre os azeites refinado e virgem. Como é menos concentrado, o sabor é suave e o preço menor

Fonte: Associação do Azeite de Portugal
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EDIÇÃO 58 | outubro de 2017