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Memória »

Adeus a Niemeyer

O arquiteto de 104 anos deixa seu legado arquitetônico do uso de curvas e do concreto, em obras de grande impacto artístico espalhadas pelo mundo

João Paulo Martins com Assessorias - Redação Publicação:06/12/2012 12:47Atualização:06/12/2012 13:08
Nascido no Rio de Janeiro em 1907 e formado pela Escola Nacional de Belas Artes em 1934, Oscar Ribeiro de Almeida Niemeyer trabalhava no escritório de Lúcio Costa e Carlos Leão quando realizou seus primeiros projetos. No início dos anos 1940, foi convidado pelo então prefeito de Belo Horizonte, Juscelino Kubitschek, para projetar cinco edificações no entorno da lagoa da Pampulha: um cassino, uma casa de baile, uma igreja, um iate clube e uma residência. Este conjunto arquitetônico foi o grande precursor da caminhada que levaria à construção de Brasília.

As curvas e o uso inusitado do concreto marcaram as obras modernistas de Niemeyer, que chegou a realizar trabalhos no exterior: prédio sede da ONU em Nova Iorque; Universidade de Constantine, na Argélia; sede do Partido Comunista Francês; Pestana Casino Park, em Funchal, Portugal; entre outros. Mas foi a construção de Brasília, junto com Juscelino Kubitschek e Lúcio Costa, que ficou marcada para sempre em sua carreira.

A nova capital federal ficou pronta em 21 de abril de 1960 – a obra demorou apenas quatro anos – e o modernismo de seus prédios públicos maravilha visitantes de todo o mundo. Quando o astronauta russo Yuri gagarin, primeiro homem a sair da órbita terrestre, visitou a cidade em 1961, disse estupefato: "Tenho a impressão de que estou desembarcando num planeta diferente, não na Terra". As colunas do Palácio do Planalto, o Congresso Nacional com a cúpula invertida, a Catedral em formato hiperboloide, são exemplos da criatividade do grande mestre da arquitetura, que nos deixou na noite de 5 de dezembro de 2012.

Clique aqui para ver obras de Niemeyer

O governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, decretou luto oficial de sete dias e lamentou a morte do arquiteto: "Brasília chora por Niemeyer o mesmo choro sentido e saudoso dos órfãos. Pois é assim, filha, que a cidade sempre se sentiu em relação a Oscar. Nosso espírito urbano é tão forte e peculiar quanto as curvas que domam o concreto e se vestem do céu azul do cerrado, moldando a nossa paragem à imagem e semelhança do nosso grande e maior gênio arquitetônico".

A Torre de TV Digital de Brasília é o último trabalho de Niemeyer na cidade (Reprodução)
A Torre de TV Digital de Brasília é o último
trabalho de Niemeyer na cidade

A obra mais recente do arquiteto em Brasília é a Torre de TV Digital, que fica em Sobradinho, e foi entregue em 21 de abril deste ano. Ela possui duas cúpulas de vidro, uma em cada lateral – a mais alta fica a 80m do chão –, e que terão um bar-café com vista panorâmica e uma galeria de arte. Em Belo Horizonte, a nova sede do governo estadual é o último grande conjunto arquitetônico de Niemeyer. O governador de Minas, Antonio Anastasia, também lamentou a perda: "Por oito décadas o gênio de Oscar Niemeyer se pôs a trabalho da arquitetura mundial. De sua pena e seu traço surgiram maravilhas que encantam o mundo. Minas Gerais teve a felicidade de abrigar importante acervo arquitetônico assinado pelo espírito inovador desse grande arquiteto, cuja obra, como ultrapassou fronteiras, certamente, transporá o tempo".
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EDIÇÃO 55 | Julho de 2017