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Brasileiros temem piora na economia e planejam reduzir gastos, aponta pesquisa

Pesquisa da CNI e do Ibope revela que 41% da população têm dívidas e que 60% planejam reduzir consumo por temer piora na economia

Da redação - Redação Publicação:12/12/2012 16:32Atualização:12/12/2012 16:38

Com assessorias

 (Júlio Lapagesse/CB/D.A Press)
A renda familiar de 87% da população brasileira permaneceu estável ou teve aumento nos últimos 12 meses. Mesmo assim, 60% pretendem reduzir o consumo porque temem uma retração da economia. Outro fator que desestimula as compras é o elevado nível de endividamento dos brasileiros. Um total de 41% das pessoas possui dívidas, sendo que 42% dessas pessoas já chegaram ao limite de comprometimento do orçamento. Os dados são da pesquisa Retratos da Sociedade Brasileira: Hábitos de Consumo e Endividamento, feita pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) em parceria com o Ibope.

A pesquisa CNI-Ibope foi feita com 2.002 eleitores em 141 municípios brasileiros. As entrevistas s foram feitas entre 16 e 19 de junho deste ano e os resultados foram divulgados nesta quarta-feira.

Dos devedores, 38% estão com prestações em atraso, sendo que mais da metade deles (55%) estão mais endividados do que um ano antes. Os bancos são os principais credores. Entre as pessoas que estão pagando algum tipo de parcelamento de compras, empréstimo ou financiamento, 41% devem para um banco. Outros 31% devem para as lojas que venderam os produtos, 29% devem às administradoras de cartão de crédito, 15% a financeiras e 8% a amigos e parentes – era possível apresentar mais de uma opção.

Com o orçamento comprometido, muitos pretendem reduzir os gastos. Nas despesas com serviços, os primeiros a serem eliminados são os gastos com lazer, viagens e hobbies, como as academias para as práticas esportivas. Mais de 18% da população reduziram as despesas com esses serviços nos últimos três anos. No caso de saúde e cuidados pessoais o corte foi de 10%. No entanto, 78% dos brasileiros que não têm um plano de saúde não pretendem contratar um nos próximos meses.

Apesar de a maior parte das pessoas alegarem que pretendem reduzir gastos (60%), 63% disseram que vão comprar pelo menos um bem durável ou um imóvel, ou vão fazer uma viagem até o fim de 2012. Materiais de construção, automóveis e computadores são os itens que devem ter a maior demanda. Mas os gastos poderiam ser maiores se os trabalhadores tivessem ganhos salariais. Mais da metade dos entrevistados (55%) disseram que consumiriam mais se o salário aumentasse.

JUROS E RENDA


A redução dos juros não foi suficiente para estimular o aumento dos gastos. Entre os entrevistados, 58% disseram que não vão consumir mais porque os juros caíram. Continua tendo força entre a população o pensamento de que mais importante do que ter juros baixos é a prestação caber no bolso.

Entre os entrevistados, 69% disseram concordar com essa afirmação. Mas, para 64%, as compras a prazo devem ser reservadas para bens de alto valor, como imóveis e móveis. Para os gastos em geral, 55% dos brasileiros dizem que a melhor opção é comprar quando tiver o dinheiro para pagar à vista e, assim, evitar o pagamento de juros.

A pesquisa aponta que 28% dos brasileiros tiveram aumento da renda familiar nos últimos 12 meses. As pessoas com rendimento superior a dez salários mínimos foram as que mais tiveram ganhos (47%), contra 17% no caso dos que recebem até um salário mínimo. Para a maioria dos trabalhadores (59%), a renda do domicílio permaneceu inalterada nos últimos 12 meses. Apenas 12% das pessoas estão vivendo com menos e 1% dos entrevistados não quis responder. O levantamento mostra ainda que 86% das pessoas acreditam que a situação financeira deve encerrar 2012 igual ou melhor que no ano passado.

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EDIÇÃO 58 | outubro de 2017