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Perfume é sinônimo de época

O bom cheiro é estado de espírito, intenção, estilo e tradução de um tempo. Certos perfumes se tornam ícones, mas como escolher os seus hoje?

Carolina Godoi - Redação Publicação:24/01/2013 13:45Atualização:24/01/2013 12:53
 (Cláudio Cunha)
O ato de se perfumar é tão antigo, que as lendas sobre a criação do perfume vão longe, mais de três mil anos atrás. Sabe-se, porém, que os primeiros mestres da perfumaria surgiram na Índia e na Arábia, ao criarem água de colônia com maceração de pétalas de rosas. O mundo rendeu-se ao poder dos perfumes quando a casa Guerlain resolveu presentear a imperatriz da França com um frasco chamado Eau Impériale, em 1853. Com a queda da monarquia, a marca de cosméticos foi a primeira a comercializar para o grande público ao abrir uma loja na Champs-Eliseés em Paris.

A partir daí o perfume se tornou uma importante forma de expressão da sociedade, refletindo o tempo e a cultura de cada época. “As grandes criações que se perpetuam trazem algum tipo de inovação, e depois a comunicação com o consumidor reflete de alguma forma influências diversas, sejam elas de estilo, moda ou cultura”, afirma Renata Ashcar, especialista em perfumes e autora do livro Guia de Perfumes. Por ser feita de combinação de notas, a perfumaria constantemente se reinventa. Segundo Fernanda Reis Marques, gerente de desenvolvimento de produto da Água de Cheiro, as marcas lançam novidades com novas roupagens o tempo todo. “Se isso vai ditar moda ou não por muito tempo, vai depender dos movimentos socioculturais”, diz.

Cássio Ramos, consultor de fragrâncias: 'A mulher não é fiel a um único perfume, prefere variar de acordo com a ocasião' (Cláudio Cunha)
Cássio Ramos, consultor de fragrâncias: "A mulher
não é fiel a um único perfume, prefere
variar de acordo com a ocasião"
E nesse movimento está o estado de espírito, a intenção, o humor e o estilo de cada um: isso tudo define a escolha de um perfume. As opções hoje são inúmeras e o consumidor (principalmente a mulher) adora variar. “Ela não é fiel a uma só fragrância, gosta de ter opções para momentos diferentes”, explica Cássio Ramos, consultor de fragrâncias da Christian Dior e da Importadora Chen. “Só as mais tradicionais, que fizeram uma marca pessoal com certa fragrância, não mudam, mas isso é cada vez mais raro”. O movimento desta primeira década do novo milênio aponta para dois caminhos: maior individualidade dos perfumes, numa reação ao mundo globalizado (quanto mais exclusivos, melhor), e o culto às celebridades. “Escolher uma fragrância assinada não deixa de ser uma identificação e uma aspiração da mulher de se sentir próxima ao ícone”, explica Renata Ashcar.

A consultora de estilo Daniela Amado pontua que o senso olfativo do ser humano é tão importante, que uma pessoa pode ser identificada e lembrada pelo cheiro que exala. “Não há problema em alternar sempre fragrâncias diferentes, mas é preciso escolhê-las bem, pois elas formam sua identidade pessoal”. É necessário dosar a quantidade, não usar perfumes fortes durante o dia e no verão, e jamais comprar um perfume baseado no cheiro que ele tem em outra pessoa.

Fernanda Reis, gerente de desenvolvimento de produtos: novidades têm que acompanhar as tendências socioculturais (Cláudio Cunha)
Fernanda Reis, gerente de desenvolvimento de produtos: novidades têm que acompanhar as tendências socioculturais


Deve-se testar na própria pele e aguardar pelo menos uma hora após a aplicação para o desenvolvimento das três fases da difusão da fragrância. As notas de fundo, as mais tardias, são mais persistentes e finalizam a fixação do perfume na pele. “Para não errar, na hora de aplicar o perfume vale colocar um pouco na palma das mãos e espalhar fugazmente pelo corpo”, explica Renata Ashcar. Também vale perfumar o rosto: a fragrância ficará em contato direto com o olfato do parceiro na hora do romance, e em matéria de sedução o perfume já provou ser um poderoso aliado, como bem sabia Cleópatra, que seduziu Marco Antônio e Júlio César usando um perfume à base de óleos extraído de flores. É ou não é poderoso?



 (Editoria de Arte)
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EDIÇÃO 57 | Setembro de 2017