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Prevenção »

Calor e umidade: prato cheio para as pragas

Na estação mais quente e chuvosa do ano, as temidas baratas, pernilongos, formigas e ratos são comuns por todo lado. O que fazer para combatê-los?

Marcelo Fiuza - Redação Publicação:14/02/2013 15:17Atualização:14/02/2013 15:26
 (SXC)
Verão, época muito calor e de casa cheia com as crianças em férias. Infelizmente, é também a época em que surgem com maior intensidade alguns visitantes indesejados, como pernilongos, aleluias, formigas e baratas, além de outros mais perigosos, como ratos e escorpiões. Todos esses bichos são pragas urbanas que trazem consigo doenças, como o atual surto de dengue, transmitida pelo mosquito Aedes aegypti.

Por isso, quando a infestação aparece, deve ser logo controlada, sempre por um profissional especializado e com produtos químicos concentrados. Mas o que pouca gente sabe é que a maioria dessas pragas deve ser combatida também quando não é vista, ao longo de todo o ano, com uma série de medidas preventivas que qualquer um pode adotar em casa e que reduzem significativamente o problema no verão. Nesse caso, literalmente, prevenir é muito melhor do que remediar.

Quem melhor explica a lógica da prevenção no controle de pragas é a bióloga especializada em saúde pública Lucy Ramos Figueiredo, diretora técnica da Associação Brasileira de Controle de Vetores e Pragas (ABCVP).  “A gente tem a impressão de as pragas aparecerem só no verão, mas elas ocorrem o ano inteiro. No verão tem mais porque se reproduzem mais, os ciclos evolutivos dos insetos principalmente são mais curtos no calor. Um mosquito, por exemplo, que no inverno leva 12 dias para completar o ciclo de ovo a indivíduo adulto, no verão faz isso em até seis dias e aí se temos mais gerações, densidade e abundância do inseto".

O melhor, então, é prevenir. "Quando há menos pragas o combate é mais fácil e o custo é menor”, diz Lucy, que sugere a adoção coordenada de medidas higienizadoras, de manejo ambiental e preventivas, como vedar frestas, manter o ambiente limpo, não acumular objetos em desuso, não deixar água parada ou acumular lixo. “Nem aquele restinho no fundo da lata, porque atrai também formigas, baratas e ratos. Isso é prevenção”, completa.

Segundo a bióloga, quando se percebe a presença de pragas urbanas em fase inicial, indivíduos isolados e pequenos focos, pode-se, sim, lançar mão de “medidas paliativas”, como os inseticidas e os repelentes. “O inseticida de supermercado adianta se houver um rato ou dois. Temos também os repelentes tópicos, de passar na pele, e os ambientais, como aqueles de tomada elétrica recarregáveis ou mesmo a vela de citronela, natural, que são eficientes apenas em uma área de proteção limitada. São produtos inseticidas de baixa concentração, que não chegam a matar a praga, só repelem. Mas quando a situação é crítica, a infestação causa desconforto, não é uma barata que se consegue matar com chinelo, tem de chamar uma empresa especializada”, explica Lucy.

Entretanto, ela faz um alerta: é preciso ter muito cuidado na hora de contratar uma empresa de combate a pragas e evitar o que ela chama de “Zé Bombinha”. “A empresa tem de ser regularizada pelo órgão de saúde ambiental, a vigilância sanitária, porque lida com produtos químicos concentrados e tóxicos. Há muitos profissionais autônomos que não estão estruturados ou treinados devidamente para aplicar corretamente e com segurança esses produtos, usam pesticidas agrícolas e não orientam sobre medidas preventivas”.

 (Reprodução)

Calendário das Pragas

Verão (dezembro, janeiro e fevereiro)

Época de altas infestações de insetos (baratas, mosquitos e moscas), que transmitem doenças como dengue, causada pelo Aedes aegypti. Baratas podem causar alergias e contaminar o ambiente e os alimentos, causando infecções alimentares. Há também nesta época aumento da população de ratos, que saem do esgoto e migram para edificações fugindo de enchentes e alagamentos das chuvas. A urina do rato transmite a leptospira, bactéria causadora da leptospirose.
 
Prevenção e medidas de controle:

- Estocar e descartar lixo adequadamente
- Manter regras de higiene e limpeza
- Vedar vãos, frestas e quaisquer locais de passagem e abrigo
- Desobstruir galerias de esgoto e demais tubos de serviço
- Remover recipientes cumulativos de água, evitando água parada.  
- Desinsetizar as residências, áreas de alimentação e demais locais críticos para infestação de baratas e moscas.
- Desratizar áreas de ocorrência de enchentes, com presença de roedores.
      
Outono (março, abril e maio)

Momento pós-chuvas, em que a densidade populacional do mosquito Aedes aegypti  é elevada. Clímax do período epidêmico da dengue.
 
Prevenção e medidas de controle:

- Furar vasilhames cumulativos de águas de chuvas
- Manejar o lixo adequadamente
- Não deixar pneus a céu aberto
- Não cultivar plantas aquáticas
- Não deixar os pratinhos suportes de plantas com água
- Vedar bem os recipientes de água potável, como cisternas e caixas d’água
- Evitar quaisquer possibilidades de acúmulo de água parada
 
 
Inverno (junho, julho e agosto)

Época mais fria e, portanto, de menor densidade populacional de pragas. É o momento mais indicado para adoção de medidas preventivas. É também o período de reprodução dos cupins que, após o acasalamento, perdem suas asas e buscam um local na madeira para formar seu ninho e uma nova colônia, destruindo móveis e construções.
 
Prevenção e medidas de controle:

- Verificar a presença de pó granulado nas bases de móveis, pois este é um vestígio importante de cupins de madeira seca
- Verificar a presença de túneis ou galerias, que são sinais de cupins subterrâneos
- Arejar bem os ambientes, reparar infiltrações e inspecionar móveis
- A qualquer sinal de cupins, providenciar o controle profissional imediato.
 
Primavera (setembro, outubro e novembro)

Época que precede o verão, em que devemos estar atentos a ocorrências iniciais e mais aparentes de pragas urbanas, como os cupins, que continuam seu ciclo reprodutivo até outubro. Embora não sejam pragas urbanas, abelhas e vespas causam sustos e a primavera também é a época de reprodução desses insetos.

Prevenção e medidas de controle:

Inspecionar armários, vãos de escadas, sótãos, áreas de manipulação de alimentos e outros locais passíveis à infestação.

Dica para o ano todo

Pragas urbanas são “doenças do ambiente” e ocorrem ao longo de todo o ano em um país tropical onde as estações climáticas não são bem definidas. Daí a necessidade de prevenção permanente. O controle integrado de pragas conjuga o uso de produtos químicos com medidas de higienização, manejo ambiental, bloqueio físico de entradas e vãos e fechamento de frestas e fendas, bem como monitoramento contínuo.
 
Algumas orientações antes de contratar empresa de desinsetização

- Solicite o alvará da Vigilância Sanitária e confira o histórico da empresa no mercado
- Pergunte o nome e a formação do responsável técnico e exija o uso de equipamento de proteção individual
- Procure conhecer o produto a ser utilizado, sua toxidade e contra-indicações
- Faça mais de um orçamento e desconfie de ofertas de vantagens excepcionais  
- Não aceite orçamentos por telefone e não contrate serviço com preço relacionado à quantidade de produto aplicado.
- Exija nota fiscal de serviço






Fontes: Minas Prag e Associação Brasileira de Controle de Vetores e Pragas
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EDIÇÃO 55 | Julho de 2017