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Saúde »

O perigo que vem do céu

Aprenda a se proteger dos raios ultravioletas

Rafael Campos - Redação Publicação:26/02/2013 17:54Atualização:26/02/2013 18:22

Após experiência de insolação na praia, a jornalista Maíra Santos usa todos os dias protetor solar FPS 100 no rosto e FPS 50 no corpo (Cláudio Cunha/ Encontro)
Após experiência de insolação na praia, a jornalista Maíra Santos usa todos os dias protetor solar FPS 100 no rosto e FPS 50 no corpo

Óculos escuros, chapéu, sombrinha e filtro solar. Estes produtos, úteis durante qualquer passeio pelo belo litoral brasileiro, também se tornaram nos últimos anos indispensáveis no dia a dia.

 

E para quem ainda não está convencido da afirmação, buracos na camada de ozônio estão provocando o aumento da incidência destes raios na superfície terrestre. Consequência? A exposição excessiva à onda pode provocar doenças na pele e nos olhos, portanto, se proteja!


O assunto é preocupante, mas não há motivos para pânico. Conforme meteorologistas, o aumento da incidência de raios UV é normal nesta época do ano, porém, nos últimos três meses, a situação se agravou devido ao fenômeno El Niño. Aldemo Correia, do Centro PUC Minas Tempo/Clima explica que o El Niño provocou irregularidade no período chuvoso, ou seja, menos chuva, mais sol. “Quando o céu está nublado, a incidência de raios UV é bem menor do que um dia ensolarado”.


Existe uma escala que indica o grau de incidência dos raios UV. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), de 11 a 14 na escala que indica, por exemplo, é considerado extremo, com potencial para desenvolver doenças na pele ou nos olhos, isso se a pessoa permanecer muito tempo sob o sol.

 

A jornalista Maíra Santos, de 26 anos, sabe muito bem do que o UV é capaz, por isso, não dá trégua para o filtro solar. “Quando tinha 14 anos, fui à praia e não tinha a preocupação de me proteger. No final do dia, percebi que minha pele havia queimado bastante, tive insolação e começaram a aparecer pintas nos meus ombros”.


João Carlos já ensina o filho de 8 anos a se proteger com bloqueador solar (Cláudio Cunha)
João Carlos já ensina o filho de 8 anos
a se proteger com bloqueador solar
A partir da triste experiência, a jovem passou a usar protetor solar todos os dias. “Aplico o de fator de 100 para o rosto e 50 para o corpo. E ainda na hora do almoço, reforço a proteção no meu rosto”, revela. A jornalista mostra que está bem informada, pois o recomendável é aplicar mais de uma vez durante o dia, já que a transpiração pode diminuir a eficiência do produto. E quem diz isso é a dermatologista Maria de Fátima Melo, presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia de Minas Gerais. “É importante que as pessoas saibam que os raios UV estão presentes todos os dias do ano. Aquela orientação de que as pessoas devem tomar cuidado apenas entre as 10h e 16h não existe mais.”


Ela ressalta ainda que antes de adquirir o filtro solar é importante ler a embalagem do produto, onde consta o fator, com o espectro de proteção, que deve ser contra raios ultravioletas A e B. “Existem produtos com menos riscos de desenvolver alergias e outros que não provocam cravos, para quem tem tendência a espinhas. Essa informação pode ser encontrada no rótulo”.


O encarregado de controle de qualidade João Carlos de Aguiar, de 47 anos, também não dispensa o uso do creme protetor. Ele usa três vezes ao dia o filtro solar de fator 30. E este costume de se proteger está sendo passado para o filho, João Pedro Bastos de Aguiar, de 8 anos. “Antes de ir à aula, aplico o filtro nele e também quando vai jogar futebol com os amigos”. Sobre os benefícios do hábito, João tem apenas elogios, que o motivam a continuar. “Minha pele mudou. Antes ela era áspera, hoje está lisa, isso é visível”. Mas a proteção contra os raios UV não deve restringir-se apenas aos filtros. Óculos, bonés ou chapéus, além de roupas leves que cubram a maior parte do corpo são bloqueios eficientes.


Adepto de esportes a céu aberto, Leonardo Gontijo procura se proteger usando roupas compridas e óculos escuros. (Eugênio Gurgel)
Adepto de esportes a céu aberto, Leonardo
Gontijo procura se proteger usando roupas
compridas e óculos escuros.
“Temos de criar o hábito de não sair na rua sem óculos com bloqueio de raios ultravioletas”, enfatiza o oftalmologista Lucas Marques Rodrigues. Conforme o médico, ao comprar o produto, as pessoas devem ter garantia de que eles realmente protegem contra a radiação A e B, ou seja, que filtram até 400 nanômetros (medida do comprimento de onda). Poucas pessoas sabem, mas os óculos de grau, com lentes transparentes também podem proteger contra a radiação. A lente de policarbonato, por exemplo, bloqueia 99% dos raios que chegam aos olhos. “O excesso destes raios pode causar a evolução de cataratas, e agravar doenças de origem genéticas”. Existem lentes de contato que podem proteger contra a radiação, porém as pálpebras ficam desguarnecidas, por isso, os óculos ainda são os principais acessórios de proteção.


Para os adeptos de esportes radicais ou ao ar livre, a proteção deve ser redobrada. Leonardo Gontijo sabe disso, tanto que ao praticar trekking se preocupa em se proteger, sem é claro, os inseparáveis óculos escuros. “Uso blusas com manga e calça comprida, não faço esporte sem óculos”. Leonardo é oftalmologista e esportista nas horas vagas. “Gosto de praticar em meio à natureza, além do trekking, faço ciclismo, voo livre, remo e agora o kitesurf, que ainda estou aprendendo, por isso esses cuidados são essenciais para a minha saúde”.

Proteja-se

Não saia de casa sem óculos escuros ou de grau com proteção UVA e UVB;


Opte por tecidos leves e que cubram a maior parte do corpo;


Use chapéu com aba larga, pois protege além da cabeça, o pescoço e as orelhas;


Durante passeios ao ar livre use sombrinhas;

 

Não use protetor solar em crianças menores de seis meses de idade, sem antes consultar um médico;


Todas as recomendações acima valem para quem está na sombra, pois os raios UV podem refletir em qualquer superfície como concreto, areia e água.


Fonte: Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)

Classificação do Índice UV

1 a 2 – baixo
3 a 5 – moderado
6 a 7 – alto
8 a 10 – muito alto
11 a 14 – extremo

Fonte: Organização Mundial de Saúde (OMS)

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EDIÇÃO 57 | Setembro de 2017