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Empresários do DF apontam carga tributária como entrave econômico

Pesquisa também mostra que empreendedores estão otimistas para fechar 2013 com lucro superior em comparação ao ano passado

Da redação com Assessorias - Redação Publicação:24/05/2013 15:04Atualização:24/05/2013 15:34

 ( Daniel Búrigo/CB/D.A Press)
 

O mercado do DF foi analisado na recente sondagem “A Força do Distrito Federal”, realizada pela PwC por meio de entrevistas com o empresariado local. O estudo traz os resultados sobre as expectativas dos líderes empresariais em relação à economia da região para este ano.


Com a economia movimentada pela administração pública e pelos setores de comércio e serviços, responsável por 94% do PIB de Brasília e das cidades do Entorno, o DF é um território aquecido, principalmente pelo forte mercado consumidor. Isso ocorre graças à alta remuneração dos servidores públicos e também à demanda de produtos e serviços dos Três Poderes e de todas as suas ramificações.


“O primeiro olhar das empresas do Distrito Federal sempre é, naturalmente, para o ente público. A administração pública é o grande cliente que, além da demanda direta, movimenta indiretamente os demais segmentos, incluindo a mão de obra”, afirma Geovani Fagunde, sócio da PwC Brasil que liderou as operações para a elaboração da sondagem.


Quando questionados sobre a conjuntura nacional, os líderes entrevistados acreditam que o desempenho dos negócios será melhor ainda no cenário político-econômico de 2013. Para 92% dos entrevistados, será igual ou superior ao do ano passado, sendo que os mais otimistas somam 69%. As projeções para o PIB corroboram a expectativa, com a maioria apostando em um avanço de 3% em 2013. Da mesma forma, os executivos acreditam que o dólar terá uma trajetória estável e a inflação ficará dentro das expectativas do governo federal.


Desafio dos negócios

 

O levantamento da PwC aponta que os empresários do Distrito Federal percebem a carga tributária como o maior entrave à economia. Este item é citado por 65% dos entrevistados, ao serem questionados sobre os fatores que têm mais impacto em seus negócios.


“Um dos motivos que convertem a carga tributária em vilã é o fato de o Distrito Federal oferecer menos incentivos fiscais para a instalação de empresas do que os Estados próximos – ainda que a indústria não seja uma vocação local, as empresas já instaladas se ressentem da falta de vantagens tributárias”, explica Geovani Fagunde.
O segundo problema mais citado – “contratação e retenção de capital humano”, com 44% das respostas – revela uma peculiaridade regional: a concorrência com os cobiçados cargos do serviço público. “Os profissionais bem preparados que as empresas querem reter tendem a ter condições também de passar pelo funil dos concursos públicos e conseguir um emprego bem remunerado com direito a estabilidade, além de outras vantagens que a iniciativa privada não consegue proporcionar”, analisa Fagunde.


Segundo a sondagem, a maioria das empresas do Distrito Federal deve enfrentar os desafios, ampliando a sua atuação em novos mercados e com novos produtos, segundo 52% dos entrevistados, o que significa atravessar os limites da Unidade da Federação e levar a outros Estados a expertise de atender plenamente às demandas da administração pública. Uma expansão que pode envolver alianças estratégicas, segundo ponto mais mencionado, com 33%. As respostas a essa questão demonstram a necessidade de reduzir o impacto da carga tributária e de aprimorar produtos e serviços, avançando tecnologicamente e adotando conceitos modernos de gestão.


Os executivos consultados na sondagem consideram plenamente factível que suas empresas obtenham neste ano um desempenho superior ao de 2012, ampliando a participação no mercado e em melhores condições de competitividade em relação aos concorrentes.


Gestão empresarial 

 

O aumento e o direcionamento previstos para os investimentos das empresas revelam confiança no poder de expansão do Distrito Federal e uma firme aposta no desempenho futuro. A maioria dos entrevistados afirma que fará investimentos no DF, e a grande parte dos investimentos será destinada à instalação de equipamentos (73%), o que demonstra um planejamento de longo prazo.

Contratação de pessoal é o segundo item mencionado, com 60%.


Na maioria dos casos, as empresas pretendem manter ou aumentar o número de funcionários – e em todos os níveis – ainda este ano. Para reter talentos, o principal recurso será a oferta de um pacote de benefícios indiretos (58%). A estratégia envolve ainda vantagens como plano salarial atrativo (46%), treinamentos (38%) e plano de carreira estruturado (37%).


O que preocupa os executivos - As preocupações foram distribuídas em cinco áreas: economia, mercado, gestão, concorrência e sustentabilidade. Quanto à economia, os focos de maior preocupação dos executivos do Distrito Federal atualmente são a reforma tributária (62%) e a estabilidade (54%). Sondados em relação ao mercado, 52% dos entrevistados apontam que a principal preocupação está em ganhar competitividade.


“Os executivos sabem que, para obter um resultado significativo, não podem se basear apenas em crescimento orgânico. É necessário que sejam mais competitivos em tudo, desde a qualidade dos produtos e serviços até seus preços”, explica Fagunde.

Quanto à gestão, o item mais mencionado entre as preocupações foi o “melhor gerenciamento de controle e custos”, com 54% das respostas, seguido por “treinamento e desenvolvimento de pessoal, com 46%.


Concorrência

 

Diante dos concorrentes, as empresas consideram ter mais vantagens em aspectos como o sistema de logística de produção, inovação e qualidade dos profissionais. Os concorrentes, por sua vez, possuem, em sua percepção, maior capacidade de investimento (18%) e custos inferiores (17%).


Visão Regional – Para os líderes empresariais, o alto poder aquisitivo da população, a qualidade de vida e a localização são as principais vantagens do Distrito Federal em relação aos Estados brasileiros (77%, 67% e 60% respectivamente). Entre as desvantagens são apontadas a baixa qualidade de mão de obra, custos maiores (ambas com 60%) e carga tributária elevada (40%).


A maior parte dos executivos acredita que a economia do Distrito Federal tende a ter crescimento maior do que a de outros Estados brasileiros – essa foi a resposta de 58% dos entrevistados. Os setores que prometem liderar o crescimento, segundo eles, são o de construção civil, o de governo (tudo que estiver diretamente ligado às demandas do governo) e o de serviços.


Economia Mundial 

 

No Distrito Federal, é pequeno o número de empresas que operam no mercado externo. Na amostra desta sondagem, apenas 17% informaram que atuam de alguma maneira no mercado internacional. No entanto, a crise econômica mundial afeta 40% das empresas, direta ou indiretamente.


Do total de empresas que atuam com mercados de outros países, 67% consideram que as flutuações das taxas de câmbio têm influenciado seus negócios com intensidade “moderada”. Na maior parte, essas companhias têm mais oportunidades de negócios com parceiros do Nafta.


“A visão, a ousadia e coragem que os líderes empresariais demonstram diante dos desafios que têm pela frente mostra que o Distrito Federal é uma Unidade da Federação continua sendo desenvolvida com o mesmo espírito empreendedor de seus fundadores”, destaca o sócio Geovani Fagunde.


Entrevistados
- A sondagem empresarial ouviu executivos de organizações de diversos setores de atividade. A maior parte dos entrevistados possui mais de 100 funcionários e, enquanto um terço delas projeta faturamento de até R$ 20 milhões para este ano, outro terço possui grande porte, com expectativa de faturar acima de R$ 300 milhões em 2013.

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EDIÇÃO 55 | Julho de 2017