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Novo vilão?

A dieta da vez corta do cardápio todos os alimentos que possuem glúten, substância encontrada no trigo, centeio, aveia e cevada. Encontro ouviu especialistas que esclarecem para quem é indicada e como aderir a esta restritiva tendência alimentar

Carolina Godoi - Redação Publicação:04/06/2013 18:02Atualização:04/06/2013 18:41
'Tinha problemas de retenção de líquido e a dieta foi perfeita para mim', afirma a maquiadora Cida Nogueira (Eugênio Gurgel/ Encontro/ DA Press)
"Tinha problemas de retenção de líquido e a dieta foi perfeita para mim", afirma
a maquiadora Cida Nogueira

Muitos produtos industrializados possuem, em letras maiúsculas e em negrito, certos dizeres que atualmente estão interessando a muito mais gente que se imagina: “NÃO CONTÉM GLÚTEN”. A mensagem inicialmente direcionada para os pacientes proibidos de consumir esta proteína, os celíacos, tem ajudado a um grupo crescente de pessoas que estão aderindo à dieta para emagrecer ou para se ver livre de sintomas desagradáveis que o consumo exagerado de glúten pode causar em algumas pessoas consideradas sensíveis a ele.

O glúten é uma substância elástica e pegajosa formada quando a farinha (principalmente a de trigo) é misturada em água. Por causa do glúten, os gases da fermentação são retidos, o que deixa o pão macio e saboroso. Ele está em bolos, biscoitos e uma infinidade de itens apreciados pelo brasileiro, como a cerveja e o uísque. De acordo com o médico e nutrólogo Marcos Mundim, a substância se torna inimiga da vida saudável quando chega ao intestino, transforma-se em uma espécie de cola, que gruda nas paredes intestinais. “O acúmulo exagerado, com passar do tempo, pode provocar saturação do aparelho digestivo, aumento da gordura na região do abdome, dores articulares, alergias cutâneas e depressão”, alerta.

Dores, distensão abdominal e acúmulo de gases era o que a educadora física Glayce de Paula sentia sem motivo aparente. Com ajuda de nutricionista, descobriu que não tinha a doença celíaca, mas sim, era sensível ao glúten. “Em um mês e meio emagreci quase três quilos e me livrei de todos os sintomas”, conta. Ela não esconde que o fato de que querer “secar” a barriguinha foi um excelente estimulante para se livrar de massas e salgadinhos, mas em alguns momentos ela abre exceções na dieta.

A busca por uma alimentação mais saudável e emagrecimento levaram a  empresária Luciana Campos a abandonar as dietas tradicionais há quatro anos (Eugênio Gurgel/ Encontro/ DA Press)
A busca por uma alimentação mais
saudável e emagrecimento levaram a
empresária Luciana Campos a abandonar
as dietas tradicionais há quatro anos
A especialista em nutrição funcional, Caroline Matos, não concorda com modismos nem com o uso desta dieta para emagrecimento simplesmente. Mas, caso seja identificada uma sensibilidade, como aconteceu com Glayce, ela aconselha um período de restrição de consumo, que pode ser interrompida de acordo com avaliação do nutricionista. “O atual cuidado é saber identificar o paciente intolerante e aquele que precisa reduzir o consumo para não desenvolver a intolerância”, diz. Nesse último caso, o ideal é reduzir para uma porção ao dia, geralmente no café da manhã. Nos outros horários é só inserir no cardápio frutas, oleaginosas, sementes, arroz, leguminosas, hortaliças, sucos, água de coco, biscoito de polvilho, pão de queijo e carnes.

A busca por uma alimentação mais saudável e emagrecimento levaram a empresária Luciana Campos a abandonar as dietas tradicionais há quatro anos. Hoje, livre da incômoda gordura abdominal, ela só faz a dieta integralmente restritiva ao glúten dois meses antes do verão. “Não é simplesmente cortar o glúten, é preciso orientação para escolher o que comer e malhar todos os dias”, conta.

O médico endocrinologista Geraldo Santana, diretor do Instituto Mineiro de Endocrinologia ressalta que a perda de peso só ocorrerá se houver uma redução de calorias. “Se o paciente compensar a restrição do glúten aumentando a ingestão de outros alimentos permitidos, pode até ocorrer aumento de peso”, esclarece. É que para que alguns alimentos fiquem parecidos com os produtos com glúten a indústria usa mais gordura e açúcar e menos fibras, por isso é preciso acompanhamento para escolher aqueles que estão sendo lançados no mercado com melhor adequação do valor nutricional.

De qualquer maneira, cortar o glúten é tirar da mesa carboidratos de absorção rápida, e segundo Geraldo Santana, a perda de peso se relaciona mais com este fato do que propriamente com a substância. No caso de Cida Nogueira, maquiadora, foi o começo de uma longa caminhada que resultou na eliminação de 15 quilos. “Tinha problemas de retenção de líquido e a dieta foi perfeita para mim, já que sou muito disciplinada”. É ela quem prepara a própria comida e não se importa de pedir peixe com salada quando os amigos a convidam para ir a uma pizzaria. “Estou mais bonita, com muito mais energia”, comemora.

Antes de correr para a dispensa para jogar fora todos os cereais, as massas e pães integrais estocados e aconselhar todos seus amigos a aderirem à dieta da moda, a nutricionista Caroline Matos informa que não justifica a retirada do glúten, a não ser que esteja comprovada a doença celíaca ou a sensibilidade a ele. “É só evitar o consumo exagerado e dar preferência ao consumo de vitaminas, minerais, antioxidantes e alimentos destoxificantes para que o organismo não se sobrecarregue dessa proteína”. Mais uma vez, o segredo está no equilíbrio.

PROBLEMAS RELACIONADOS AO CONSUMO EXAGERADO DE ALIMENTOS QUE POSSUEM GLÚTEN

• Intolerância alimentar: Os primeiros sintomas são desconforto abdominal, gases e retenção de líquidos.

• Obesidade: ao não se processar devidamente os alimentos, uma das conseqüências é o acúmulo de gordura abdominal.

• Baixa imunidade: afeta o sistema imunológico favorecendo doenças auto-imunes.

• Intoxicação e enxaqueca: a dificuldade de eliminação das toxinas eleva o risco de dores de cabeça e enxaquecas.

• Açúcar: Como o glúten é aliado do açúcar (seqüestrador do cálcio) aumentam os riscos de osteoporose, cáries, ranger de dentes, insônia, hipertensão e colesterol alto.

Fonte: Marcos Mundin, médico ortomolecular e nutrólogo

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EDIÇÃO 55 | Julho de 2017