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Borbulhas de puro glamour

Tem muita gente que pensa que o rosé é obtido a partir da simples mistura de vinho tinto e branco. Na prática, contudo, o processo não é bem assim

Bárbara Fonseca - Redação Publicação:05/06/2013 15:06Atualização:05/06/2013 15:28

 (SXC )
Não há como negar: espumante é sinônimo de charme e sofisticação. E o tema fica ainda mais glamouroso quando se fala em espumantes ou champagnes da qualidade rosé. Por muito tempo alvo de preconceitos entre o público brasileiro, nos últimos cinco anos a bebida rosada caiu no gosto dos admiradores de espumantes e hoje coleciona uma legião de fãs que não para de crescer.

Nelton Fagundes, sommelier da Enoteca Decanter, explica que a aversão dos brasileiros aos rosés está relacionada à baixa qualidade de alguns produtos que entraram no país nas décadas de 1970 e 1980. “Até a década de 1990 perpetuou-se a ideia de que era uma ofensa oferecer um rosé aos convidados. Se falava que era bebida para mulher ou para leigo.”

Do Velho Mundo eclodiram os ventos da mudança. A região da Provença, no Sul da França, passou a desenvolver um grande marketing para seus tradicionais rosés – os mais famosos do mundo - , o que acabou ecoando no Brasil. “As pessoas passaram a viajar mais e, com isso, conhecer as bebidas de boa qualidade.” Para se ter uma ideia, em 2004 a Enoteca Decanter contava com apenas duas marcas de vinhos e espumantes rosés em seu portfólio. Hoje, são 60.

Tem muita gente que pensa que o rosé é obtido a partir da simples mistura de vinho tinto e branco. Na prática, contudo, o processo não é bem assim. A produção pode ser feita a partir de dois procedimentos. No mais comum, adiciona-se um pequeno porcentual (10-15%) de vinho tinto ao vinho branco base, antes da segunda fermentação. O outro método é a "sangria", que consiste em deixar as cascas de uvas tintas fermentando junto com o mosto até o ponto em que seja obtida a cor desejada. Depois dessa etapa, as cascas são separadas e o processo segue. A cor, contudo, não pode ser o principal critério da escolha. “O consumidor não deve julgar um rosé por sua cor. Nem sempre o de cor mais fraca é menos intenso”, explica o sommelier da Decanter.

Entre as particularidades da bebida, Nelton começa pela cor, que por si só já remete a pura elegância. “Sempre indico o rosé para festas de casamento. Se a pessoa souber combinar a cor da bebida com decoração e iluminação, ela vai obter um efeito belíssimo.” A versatilidade também é ponto alto. “Os rosés tem o frescor dos espumantes brancos, porém com mais corpo e aroma. Combinam com vários tipos de entrada, pratos principais e sobremesas. Sempre vão bem com peixes e frutos do mar”.

Os rosés também são ótimas pedidas para dias de calor, o que é quase uma regra no Brasil. Por isso, no lugar da tradicional cerveja gelada, que tal abrir um espumante e brindar com muito mais requinte? Confira algumas boas sugestões que estão no mercado.


 (SXC)
Dicionário


Perlage: Conjunto de bolhas do espumante ou champagne

Método champenoise ou tradicional: As bolhas do champagne são obtidas na segunda fermentação da bebida, que pode ser feita de duas formas. A mais tradicional, desenvolvida na França no século 17 pelo monge beneditino d. Pierre Pérignon (1638-1715), e aplicada em todos os champagnes, consiste na fermentação na própria garrafa.

Método charmat: A segunda fermentação é feita em grandes recipientes, geralmente em tanques de aço inox.

Champagne: Só recebem esse nome os vinhos produzidos na região de Champagne, na França. São usadas apenas três variedades de uvas em sua produção: pinot noir, pinot meunier e chardonnay.

Espumante: É o nome “genérico” da bebida produzida fora dos limites da região de Champagne e pode ser feita a partir do método tradicional ou charmat.

Brut: Espumante seco


Nature: com pouco ou zero açúcar


Demi-sec: é o mais adocicado

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EDIÇÃO 55 | Julho de 2017