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Comportamento »

Hora do chá

Novas atrações incrementam o tradicional chá de panela que deixou de ser só uma reunião de amigas e presentes, para se transformar em uma festa cheia de surpresas

Ana Cláudia Esteves - Publicação:07/06/2013 18:00Atualização:07/06/2013 18:12

Casada há dois, Samira não se esquece de nenhum detalhe do momento, considerado por ela, muito mais que especial (Arquivo Pessoal)
Casada há dois, Samira não se
esquece de nenhum detalhe do
momento, considerado por ela, muito
mais que especial
Madrinhas de casamento se reúnem em prol de um evento pensado minuciosamente. Com decoração temática, bolo, surpresinhas, vídeo com votos de felicidades, muita brincadeira e diversão, a noiva comemora entre garotas - amigas mais íntimas e mulheres da família - os poucos dias faltantes para o seu casamento. É hora de ganhar presentes que parecem pouco importantes, mas que são indispensáveis para o dia a dia de uma dona de casa.


Em meio de vassouras, colheres, escorredores, bandejas e abridores de garrafas, a noiva passa por várias fases de uma festa cheia de surpresas. Até aí nenhuma novidade: além de ter que acertar todas as respostas de acordo com as perguntas feitas para o noivo, ela paga prendas, tem que fazer adivinhações, liga para o amado e faz declarações de amor ao telefone de acordo com o objeto mostrado na brincadeira.
O tradicional chá de panela, também conhecido como chá de cozinha, foi criado nos Estados Unidos, mas muito bem acolhido pela cultura brasileira. É uma reunião informal e divertida e tem como objetivo uma espécie de despedida de solteira. É realizado em média um mês antes do grande dia.


Novas modas vêm surgindo neste mercado: as mais diferentes atrações incrementam o encontro superfeminino e o tornam uma verdadeira festa, cheia de entretenimento.
A professora de Pole dance Rinara França é um exemplo disso. Ela vem sendo uma convidada ilustre em muitos eventos desse tipo na capital. A noiva, as madrinhas e as convidadas assistem a uma aula de muita sensualidade. “Durante uma hora, elaboro uma coreografia simples na qual a noiva deve me acompanhar, e a cada momento, uma convidada é escolhida para participar. Quanto mais elas se soltam, melhor é a brincadeira.”


 A drag queen Dolly Piercing aderiu aos Chás de Panela na sua agenda de shows (Arquivo Pessoal)
A drag queen Dolly Piercing aderiu
aos Chás de Panela na sua
agenda de shows
Ela também dá dicas sobre como driblar a rotina ao longo do relacionamento. “Buscar encantar a cada dia de diferentes formas, por exemplo, com lingeries, não necessariamente sensuais, ou jantares e outros agrados para ele podem esquentar a relação”, explica.


É essencial que a noiva se abra a participar de tudo sem constrangimento. Tem que achar bombons no meio da farinha, pegar uma maça em uma bacia de água, dançar “na boquinha da garrafa” e até protagozinar um estripitize, claro que de mentirinha.
A drag queen Dolly Piercing é parte essencial nisso. Com um humor incontestável ela faz as participantes morrerem de rir durante todo seu “espetáculo”. Com dezessete anos de carreira, a atriz profissional faz um trabalho diferenciado, levando a sedução para um lado cômico. “Minha forma de trabalhar foi evoluindo com o tempo. Atualmente, sou contratada para muitos eventos, inclusive culturais. Meu intuito é sempre a diversão: no caso do chá faço a noiva, as garotas e até o noivo passarem situações que nem imaginavam. Os convites vêm crescendo”.


Até o que a prometida vai vestir é estipulado pelas organizadoras. Uma roupa de preferência branca e um véu especial são os clássicos para esse dia. Lembrando que os espumantes não podem faltar: a bebida tem tudo a ver com a comemoração.
Depois de tanta folia, a festa não para. Um trenzinho como aqueles infantis - mais conhecido como “Barcão da alegria”, com música alta e personagens animados, pega a mulherada e cursa por alguns lugares estipulados pelas contratantes. A duração é uma média de três horas, tempo mais que necessário para muita curtição. Pedro Paulo Pereira, um dos donos da frota, conta que o trenzinho tem sido muito procurado para esse tipo de acontecimento. “Toda semana praticamente fazemos parte de um chá de panela. Todas as solteiras que já andaram no trenzinho, pedem para que tenha o passeio no seu chá de panela também”. Pedro Paulo ainda ressalta: “Elas gostam tanto, que o boca a boca tem feito o sucesso do meu negócio”, diz.


Outra opção nova e requisitada é uma carona diferenciada para destino final da comemoração. Um ônibus que nada mais é que uma boate itinerante com bar, luzes de discoteca, globo de espelhos, dj, muita música boa e animação faz o trajeto de no mínimo uma hora até alguma casa noturna onde acontecerá a badalação da despedida de solteiro. Rodrigo Ayres, proprietário, conta que a satisfação tem sido é garantida. “Minutos depois do fim da corrida, de dentro da boate, a noiva me liga querendo voltar para o ônibus”. Segundo Rodrigo, os interessados devem fazer contato pelo menos com um mês e meio de antecedência: “Assim fica mais fácil de achar data disponível”, diz.


A empresária, recém casada, Bárbara Santos Aguiar de 27 anos entrou no clima da folia (Arquivo Pessoal)
A empresária, recém casada,
Bárbara Santos Aguiar de 27 anos
entrou no clima da folia
A empresária, recém casada, Bárbara Santos Aguiar de 27 anos entrou no clima da folia. Durante uma média de 8 horas, no seu chá de panela, a diversão foi garantida. “As brincadeiras de perguntas respostas, ministrada pela drag queen, com prendas e adivinhações foram superengraçadas, me diverti muito”. Para Bárbara, o ônibus com boate itinerante fez a festa ficar inesquecível. “Demos uma volta nos principais bares da cidade, até chegar ao lugar específico onde o noivo estava com seus amigos. O caminho todo dançando e cantando com minhas amigas, foi indescritível”, lembra.
Para a administradora Samira Bacha, o chá de panela foi uma festa inesquecível. Com 27 anos e casada há dois, Samira não se esquece de nenhum detalhe do momento, considerado por ela, muito mais que especial. “Foi um dos melhores dias da minha vida, estavam reunidas quase todas as minhas amigas que são extremamente importantes para mim”. Organizado pelas madrinhas, o evento foi quase uma festa exclusiva. “Tinha abadá personalizado para todas as convidadas, banda de axé, aula de dança sensual, vídeo foto do casal, entrevista e declaração do noivo, cada minuto, uma surpresa nova”


Com 25 anos, a advogada Lara Barreiro aproveitou durante quase 12 horas seu chá de panela. A festa, praticamente surpresa, teve várias etapas diferentes. “Meu chá foi divido em três partes”, explica Lara. “O começo foi “clube da Luluzinha”, só mulheres fazendo brincadeiras, depois veio o ônibus com boate, que foi a novidade do momento já que muitas de nós não conhecíamos, e por fim, a chegada dos garotos: o noivo e amigos apareceram para uma festa com show sertanejo na minha casa, foi uma verdadeira folia”.


As opções não param por aqui. O número de alternativas para o divertimento na hora do chá vem crescendo e ganhando novas possibilidades. Busque o que melhor vai preencher seu dia de alegria e emoção e boa festa.

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EDIÇÃO 55 | Julho de 2017