..
  • (0) Comentários
  • Votação:
  • Compartilhe:

CULTURA »

Fãs patrocinam espetáculos culturais

Financiamento coletivo tem sido uma saída para realização de projetos

Romário Costa - Redação Publicação:29/05/2014 15:06Atualização:29/05/2014 16:16

Viver do dinheiro vindo do reconhecimento do próprio ofício é o sonho de qualquer artista, mas as dificuldades são muitas. Chamar a atenção do público com produções mais simples em tempos de musicais teatrais milionários e de shows super tecnológicos, ainda é o desafio de muitos talentos. Sobretudo os que não contam com apoio do governo ou de grandes empresas patrocinadoras.

 

A banda Velhas Virgens gravou o DVD de 25 anos  com pratocínio do fãs (Reprodução/Internet)
A banda Velhas Virgens gravou o DVD de 25 anos
com pratocínio do fãs
Para esses, um movimento criativo tem sido a saída para a realização de peças de teatro, shows musicais e outros movimentos culturais. Os chamados financiamentos coletivos, ou crowdfunding, têm acendido uma chama de esperança para artistas independentes. Funciona assim, os idealizadores do projeto traçam uma meta de arrecadação, caso não seja atingida, os que contribuíram recebem a quantia de volta. O recolhimento dos fundos geralmente é feito a partir de sites especializados nesse tipo de arrecadação. Existem alguns bem populares, como o Comecak e o Benfeitoria, que aceitam vários cartões e boleto bancário.

 

O fato é que a estratégia tem dado certo para muita gente. A banda de rock Velhas Virgens é um exemplo bem sucedido deste tipo de financiamento. Em 2011, os roqueiros conseguiram gravar o DVD comemorativo de 25 anos de carreira com recursos vindos do público. Para estimular a vaquinha, foram oferecidas recompensas. Os presentes iam de autógrafos da banda à participação do colaborador na gravação de uma música do álbum.

 

Em Brasília, a companhia ViÇeras também está apostando no patrocínio vindo dos seus admiradores. O grupo já é conhecido na capital e, embora tenha raízes nos teatro, passeia por várias vertentes da arte, como fotografia, dança e visuais. Mas o movimento agora é pelo teatro mesmo. Desde o final de 2013, eles estão trabalhando no projeto Em Trânsito, uma peça teatral que tem como temática principal a identidade de gênero. O dinheiro será gasto com produção, material gráfico, cenário, figurino e maquiagem.


Segundo Tatiana Bevilacqua, atriz integrante da equipe, até a concepção da peça, o projeto passa por 3 etapas montagem: investigação (laboratórios, pequisa, leituras), ensaios e apresentação. “Em todas elas, nós precisamos de investimento. É a primeira vez que buscamos esse tipo de financiamento. Acreditamos que é mais uma forma de nos aproximarmos do nosso público”. Segundo a Tatiana, a iniciativa dá mais liberdade artística para os envolvidos. “Não precisamos enquadrar nosso espetáculo a nenhum edital imposto. Temos tal liberdade para criar”, afirma.


Companhia ViÇeras em experiência cênica para montagem do espetáculo Em Trânsito (Diego Rodrigues/Divulgação)
Companhia ViÇeras em experiência cênica para montagem do espetáculo Em Trânsito
Sobre o espetáculo Em Trânsito


O objetivo é levar ao público um olhar reflexivo sobre a identidade de gênero. Para isso, a equipe tem feito pesquisas e experiências cênicas a respeito do tema, para trazer uma abordagem diferente sobre homossexualidade e transgeneridade (condição em que a pessoa não se enquadra ao seu gênero biológico, a exemplo dos transexuais). As vivências vão desde a leituras e debates sobre o temática a encontros com pessoas desse universo, como drag queens e transexuais.


A arrecadação para a peça Em Trânsito, da companhia ViÇeras, acontece até o próximo dia 1 de junho. A meta deles é juntar R$9.990. Até o momento, já conseguiram mais de R$ 6 mil. Ainda dá tempo de ajudar, basta acessar endereço benfeitoria.com/vicerasemtransito. São aceitas contribuições de qualquer valor e oferecidas variadas recompensas também.


Para ter mais detalhes sobre o projeto e a companhia visite o site www.ciaviceras.com.br.

COMENTÁRIOS
Os comentários estão sob a responsabilidade do autor.

EDIÇÃO 55 | Julho de 2017