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Diversão »

Brincadeira de gente grande

O hábito de colecionar figurinhas, ao contrário do que muitos pensam, não é somente de crianças. Vários adultos também não perdem tempo e fazem de tudo para completar seus álbuns

Guilherme Marques - Redação Publicação:02/06/2014 17:50Atualização:02/06/2014 19:25

Fernando Gomide, de 53 anos, tem mais de 40 álbuns de figurinhas de futebol (Minervino Júnior)
Fernando Gomide, de 53 anos, tem mais de 40 álbuns de figurinhas de futebol

Alzira está sentada na calçada de uma banca de revistas. Ao seu lado há uma pilha de figurinhas, estampadas com os rostos de jogadores de várias seleções de futebol do mundo. Com atenção, marca em uma folha de papel os números dos cromos que já conquistou.


Fernando vai a banca de sua quadra todos os dias. Lá ele acompanha e participa dos encontros dedicados à troca de figurinhas de futebol. É aficionado por colecionar álbuns relacionados ao esporte.


Quem lê até pode imaginar crianças como protagonistas das cenas.  Alzira, porém, já é avó, e Fernando não está muito distante do direito a aposentadoria. A febre da prática de colecionar figurinhas não atinge apenas os baixinhos, e tanto adultos quanto pessoas na faixa da terceira idade também entram na onda das coleções. A Encontro Brasília conversou com algumas delas.


Alzira Braga, de 57 anos, conta que o gosto dos netos por colecionar álbuns de figurinhas foi um dos motivos que a levou a participar da diversão junto com eles. "Eu chego em casa e eles colam [as figurinhas] comigo", diz. A aposentada reúne álbuns da Copa do Mundo desde a edição de 2006, na Alemanha. "Todos eles estão completíssimos", garante. A paixão pela seleção brasileira é a primeira grande motivação de Alzira para mantê-los íntegros. A segunda, é passá-los para os netos: "Um deles tem um ano e meio. Já pensou ele com 18 anos com os álbuns da Copa completinhos guardados? É lindo. Eu faço para mim e para eles".


A avó também tem grande prazer em realizar a principal atividade de quem gosta de colecionar álbuns: a troca de figurinhas. "Eu acho legal o clima. As pessoas são bem leais, ninguém tem egoísmo", afirma.


Alzira Braga tem 57 anos e conta que a principal motivação para colecionar os álbuns é a paixão pela seleção brasileira (Minervino Júnior)
Alzira Braga tem 57 anos e conta que a principal motivação para colecionar os álbuns é a paixão pela seleção brasileira

O exercício da troca – e a socialização que a envolve – levaram Fernando Gomide, 53 anos, a criar um ponto dedicado ao câmbio dos cromos na Banca do Brito, na 106 norte. Há 16 anos, pessoas como Alzira vão ao local para substituir figurinhas repetidas pelas que ainda lhes faltam.


Fernando é mais um dos adultos apaixonados pela prática desse tipo de coleção. Desde 1982, o servidor público reúne e arremata todos os álbuns relacionados a futebol lançados no Brasil. São 42 exemplares no total. "É álbum pra caramba, cara", conta aos risos. E é verdade. Tanto que nem todos estão guardados em sua residência. "Lá em casa eu devo ter uns 12. O resto está tudo na fazenda", completa.


Há quem não consiga finalizar todos os exemplares adquiridos. É o exemplo do psicólogo Kleber Carlos, de 60 anos, que há oito Copas do Mundo tem o costume de colecionar os álbuns dedicados ao evento. Ele confessa que um ou outro não está completo, mas não vê problema. "O importante é participar. É uma delícia, eu gosto muito", diz.  Segundo ele, o hábito o remete a sua infância e é uma atividade para a mente. "Isso daqui é um exercício. Ajuda a integrar as pessoas e a treinar a memória". É a troca de figurinhas como uma terapia para a terceira idade.

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EDIÇÃO 57 | Setembro de 2017