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Mulheres do Milênio: o futuro do mercado de trabalho

Estudo revela o que jovens mulheres - com idades entre 19 e 34 anos - pensam sobre seus empregos, suas carreiras, e sobre o cenário empregatício atual. Respostas podem ajudar empregadores a equilibrar suas equipes

Guilherme Marques - Redação Publicação:22/07/2014 09:30Atualização:22/07/2014 09:30

 (Reprodução/Internet)
São muitas as desigualdades existentes ao redor do mundo. Uma das mais evidentes refere-se às relações de gênero, do ponto de vista social e cultural. Historicamente, a mulher ficou subordinada ao poder masculino, sendo considerada um apêndice do homem, com funções sociais limitadas a cuidar do lar e dos filhos. Felizmente, esse cenário vem mudando ao longo dos anos, e as mulheres têm conseguido cada vez mais espaço em áreas que anteriormente eram de difícil acesso para elas.


Um dos campos no qual a mulher gradativamente tem conseguido mais lugar é o trabalhista. Se em 1976, 29% das mulheres trabalhavam, adentramos o novo milênio com mais de 40% trabalhando ou procurando emprego. Com essa participação crescente, os empregadores já não podem mais desconsiderar este tipo de profissional como vital para o equilíbrio da organização. Foi pensando nisso que a PwC, empresa de prestação de serviços de consultoria de negócio, realizou uma pesquisa na qual ouviu milhares de mulheres com idades entre 19 e 34 anos ao redor de todo o globo, para saber o que pensam sobre seus serviços, suas carreiras, e o cenário empregatício atual.


A assessora de imprensa Jaqueline Nunes  diz que, por se sentir valorizada, acredita  na possibilidade de crescer na empresa (Capital Arte Foto/Divulgação)
A assessora de imprensa Jaqueline Nunes
diz que, por se sentir valorizada, acredita
na possibilidade de crescer na empresa

De acordo com os resultados, as mulheres do Milênio - como o estudo as denominou - estão aumentando sua participação no mercado profissional, e reúnem características que são vitais para qualquer organização: alto nível de escolaridade, confiança e objetivos claros em relação à carreira. A pesquisa estimou que em 2020, as mulheres nascidas entre 1980 e 1995 representarão 25% da força de trabalho no mundo.


A análise também revelou que 51% dessas mulheres acreditam que há chances de alcançar cargos de alto nível em seus atuais empregos. É o caso da assessora de imprensa Jaqueline Nunes, 26 anos. Ela diz que, por ter a oportunidade de trabalhar com o que gosta, vem se destacando e sente-se valorizada, o que a faz acreditar na possibilidade de ser promovida. “O mercado de trabalho está cada dia mais exigente e competitivo, mas aproveito todas as chances para aprender”, afirma.


A maioria das mulheres do Milênio (55%) acha que as oportunidades de conseguir um emprego não são as mesmas para homens e mulheres na atualidade. Jaqueline acredita que para os empregadores, a capacitação do candidato é o fator mais relevante para a contratação, mas admite que alguns aspectos de gênero influenciam na hora da decisão. "Tenho dois filhos pequenos e, antes de conseguir meu atual emprego, tive muita dificuldade, mesmo provando capacitação. Todos imaginam que mulheres que têm filhos vão faltar mais, pois já se tem na cabeça que se algo acontecer com as crianças, a maior responsável por acompanhar é a mulher, e não o homem. Com certeza esse fato pesa".


Liliane Cury conta que é um desafio manter o equilíbrio entre o emprego  e a vida pessoal: 'praticamente res-piro trabalho' (Renata Samarco/Divulgação)
Liliane Cury conta que é um desafio
manter o equilíbrio entre o emprego
e a vida pessoal: "praticamente res-
piro trabalho"
Quanto a manter um equilíbrio entre a vida profissional e a pessoal, 97% dessas mulheres acreditam na importância da medida. No entanto, isso pode ser uma tarefa difícil. A nutricionista Liliane Cury, 29 anos, é consultora de negócios da rede Spoleto e responsável por cerca de 16 lojas da franquia no Distrito Federal. Para ela, fazer esse balanço é um grande desafio. "Equilibrio é importante, mas está muito dificil mantê-lo.  É um desafio diário, pois praticamente respiro trabalho. Confesso que nao é fácil, mas a gente tenta", diz.


Para a maior parte das mulheres do Milênio, receber um retorno frequente do chefe sobre a qualidade de seus serviços é essencial: 51% delas acreditam nessa relevância. "É muito importante, trabalhamos pela troca", afirma Liliane. "Minha gestora de franquia fica no rio, mas o feedback acontece o tempo inteiro. Também temos avaliação semestral dentro da empresa. Para o meu desenvolvimento isso é indispensável".


Viver experiências em outros países é sempre enriquecedor, e das mulheres ouvidas, 71% gostariam de ter a oportunidade de trabalhar fora. "É sempre uma ideia interessante, mas atualmente não procuro por isso por questões pessoais", diz Liliane. "Porém, tenho vontade e enxergo essa possibilidade a longo prazo, afinal de contas a empresa está presente em vários países", conta.

 


'Os empregadores precisam oferecer às mulheres oportunidades de cargos cada vez  mais altos', diz Ana Malvestio, sócia da  PwC no Brasil (Jonathan Wilkins/Divulgação)
"Os empregadores precisam oferecer às
mulheres oportunidades de cargos cada vez
mais altos", diz Ana Malvestio, sócia da
PwC no Brasil
Segundo Ana Malvestio, sócia da PwC no Brasil, o estudo é importante para que os empregadores se preparem para receber as mulheres desta geração. "O objetivo é fornecer insights sobre as ideias dessas mulheres e sobre como as empresas devem se posicionar nas questões estratégicas: atração, retenção e desenvolvimento desses talentos", diz. "Os empregadores também devem atentar-se aos interesses delas na progressão de carreira e precisam oferecê-las oportunidades para que assumam cargos cada vez mais altos e estratégicos", finaliza. É o caminho para que as mulheres continuem quebrando paradigmas e preconceitos e participem cada vez mais da construção da sociedade.

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EDIÇÃO 57 | Setembro de 2017