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No Dia Mundial da Amamentação, bancos de leite estão com estoque baixo

Doações são fundamentais para recém-nascidos prematuros, cujas mães encontram dificuldades para amamentar

Romário Costa - Redação Publicação:01/08/2014 10:00Atualização:01/08/2014 11:25

No Dia Mundial da Amamentação, bancos de leite humano buscam mais doadoras em Brasília.  A meta é atingir 1,8 mil litros/mês. Atualmente, a média é de 1.450 litros/mês, nos bancos de leite humano públicos.  A situação preocupa já que o leite materno torna-se ainda mais imprescindível no caso dos recém-nascidos prematuros, pois suas defesas são frágeis e dependem dos benefícios do leite humano, sendo parte importante para o tratamento de terapia intensiva (UTI).


Tatiane teve dificuldades para gerar leite na primeira gestação. Hoje, o leite que ela produz alimenta a filha Catarina e outras crianças que recorrem ao bando de leite (Vinícius Santa Rosa/Encontro/DA Press)
Tatiane teve dificuldades para gerar leite na primeira gestação. Hoje, o leite que ela produz alimenta a filha Catarina e outras crianças que recorrem ao bando de leite
O dia da amamentação foi criado Organização Mundial da Saúde (OMS) com o objetivo de dar maior visibilidade acerca da importância do aleitamento materno para os bebês. A recomendação da Organização é que de zero a seis meses de vida as crianças sejam alimentadas exclusivamente pelo leite da mãe.


Tatiane Amaral, mãe da pequena Catarina de 3 meses, pretende amamentá-la exclusivamente do seu leite até o sexto mês. Ela, que é mãe de mais duas crianças, disse ter tido dificuldades no aleitamento da primeira filha. “Os médicos me orientaram que devemos encontrar a posição correta para o neném pegar o peito. A primeira vez que eu amamentei, meu peito 'rachou', fiquei com algumas fissuras e foi bem dolorido. São duas pessoas aprendendo: eu a amamentar e o bebê a mamar. Mas nunca pensei em tirar o peito do bebê”, conta.


A dona de casa sabe da importância da amamentação e por isso resolveu ser doadora de leite. “Eu acho que não devemos jogar fora o que pode salvar outras crianças. Na minha primeira gestação, tive problemas para produzir leite até o quarto dia, o estoque do banco estava baixo e o minha filha teve que se alimentar de outro leite que não era materno”.


A não amamentação materna é a principal causa de morte anual de mais de 10 milhões de crianças no mundo inteiro. Além disso, o bebê que não é alimentado pelo leite materno tem mais chances de, na fase adulta, desenvolver obesidade, hipertensão arterial e diabetes. Para a mãe, há uma menor propensão ao desenvolvimento de câncer de mama e ovário, já que amamentação acelera o retorno do útero ao tamanho original, além de auxiliar na redução de peso da lactante.


Redes pública e privada recebem doações para  bancos de leite humano (Divulgação)
Redes pública e privada recebem doações para
bancos de leite humano
A pediatra e supervisora do Banco de Leite do Hospital Santa Lúcia, Fábia Queiroga, explica que ainda existem mitos de que o leite materno é fraco e insuficiente, e as pessoas recorrem a outros tipos de alimento que "complementariam" a alimentação do bebê. A médica ressalta que “a composição do leite materno é própria para o desenvolvimento do ser humano, por isso, ele contém uma série de proteínas inexistentes no leite de vaca, por exemplo”.

Os benefícios estão ligados, diretamente, ao desenvolvimento e à imunização do bebê contra infecções e alergias. “O leite materno também é capaz de nutrir e recuperar recém-nascidos internados em UTIs neonatais, sendo um dos fatores de redução da mortalidade infantil e do desenvolvimento de crianças saudáveis”, diz a especialista.

Onde doar

O banco orienta sobre como a coleta deve ser realizada em casa, com segurança. O Hospital Santa Lúcia foi uma das primeiras instituições privadas do país a criar o banco de leite, para incentivar mães que possam doar o leite materno para a unidade de terapia intensiva neonatal (UTIN) do Hospital. Estima-se que cerca de 30% das mães produzem mais leite que o seu bebê precisa.
 
A Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal também oferece o serviço de orientação e coleta. Para doar, a mãe deve estar amamentando, não ser tabagista, e ter seus exames de pré-natal (sorologias) compatíveis com a doação do leite.

Desnutrição, diarréia, obesidade e alergia  a proteína do leite estão entre as complica-  ções mais comuns decorrentes do não  aleitamento materno (Divulgação)
Desnutrição, diarréia, obesidade e alergia
a proteína do leite estão entre as complica-
ções mais comuns decorrentes do não
aleitamento materno
Serviço:

Banco de Leite do Hospital Santa Lúcia
Fone: (61) 3445-0319
Horário de atendimento: das 7h às 19h

O hospital envia o kit para a residência da mãe, contendo máscara, gorro, etiquetas e pote esterilizado. O leite deve ser conservado no congelador por até 15 dias. A coleta é feita na casa da doadora.

Coleta da Secretaria de Saúde do Distrito Federal


Fone: 160, opção 4, para fazer o cadastro
Uma equipe do Corpo de Bombeiros busca o leite coletado na casa da doadora.

Para mais informações sobre cuidados com amametação e orientação para doações, clique aqui.

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EDIÇÃO 58 | outubro de 2017