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Saúde »

Quando a plástica resgata muito mais do que a beleza

Cirurgias reparadoras têm efeitos que ultrapassam as fronteiras estéticas e dão qualidade de vida aos operados

Romário Costa - Redação Publicação:10/09/2014 09:30Atualização:10/09/2014 14:22
Leila Caldeira, 30 anos, fez mamoplastia  redutora. O tamanho dos seios causava  dores nas costas e nos ombros (Vinícius Santa Rosa/Encontro/DA Press)
Leila Caldeira, 30 anos, fez mamoplastia
redutora. O tamanho dos seios causava
dores nas costas e nos ombros
A cirurgia plástica tem se tornado cada vez mais comum entre brasileiros inconformados com a aparência física. Segundo dados da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética, em 2013, o Brasil ultrapassou pela primeira vez os Estados Unidos em números de procedimentos estéticos cirúrgicos e foi para a primeira posição mundial, embora os americanos continuem na frente quando somados também os procedimentos não cirúrgicos. Mas as cirurgias plásticas não são recomendadas apenas para ajustes estéticos.

As chamadas cirurgias reparadoras têm o objetivo de dar ou resgatar qualidade de vida aos pacientes, ou seja, os efeitos vão muito além da estética, como explica o cirurgião plástico e coordenador de Cirurgia Geral do Hospital Prontonorte, Juldásio Galdino de Oliveira. “As plásticas reparadoras não tem apenas a função do embelezamento. É claro que muitas vezes os efeitos estéticos vêm junto com os funcionais”, complementa o médico.

A jornalista Leila Caldeira, 30 anos, fez mamoplastia redutora há oito anos. Segundo ela, o procedimento aumentou consideravelmente sua qualidade de vida. ”Como o tamanho dos meus seios era muito desproporcional, prejudicava minha coluna e ombros. Sentia muitas dores”, relembra. Leila destaca que o aspecto emocional foi levado em consideração, tendo em vista o incômodo visual que os seios provocavam, “era um sonho antigo fazer essa cirurgia. E a fiz na primeira oportunidade.  Tirei 600 gramas de um seio e 550 de outro. Bastante coisa”, afirma.

Fernando Vasconcelos, de 26 anos, optou pelo procedimento cirúrgico para corrigir as, popularmente chamadas, orelhas de abano. A aparência foi um problema desde a infância, não faltaram apelidos e brincadeiras com o formato das orelhas. O incômodo o acompanhou até a tomada da decisão por corrigi-las, aos 19 anos.

“Não foi uma decisão apenas estética, era algo que me atrapalhava socialmente. Tirar fotos era um problema, sem falar nas brincadeiras. A cirurgia melhorou minha autoestima”, relata o músico.  Fernando se prepara para outro processo cirúrgico, como ajuste do primeiro. Nos primeiros dias depois da cirurgia ele bateu uma das orelhas na estante e causou uma pequena saliência que será corrigida nos próximos dias.

O músico Fernando Vasconcelos optou  pela otoplastia para corrigir a má  formação nas orelhas (Arquivo Pessoal)
O músico Fernando Vasconcelos optou
pela otoplastia para corrigir a má
formação nas orelhas
Procedimento Gratuito

Em tese, o Sistema Único de Saúde (SUS) deve cobrir cirurgias plásticas corretivas. O paciente com o problema deve procurar um hospital que realize o procedimento, o local geralmente é indicado pelo próprio médico que fez o diagnóstico, mas nem todas as unidades de saúde estão devidamente preparadas. No Distrito Federal, o Hospital Regional de Taguatinga (HRT) tem se tornado referência na realização de cirurgia de orelhas proeminentes.

O otorrinolangologista Jaime Siqueira foi um dos idealizadores do Programa de Cirurgia de Correção Orelha de Abano do HRT, que acaba de completar um ano. Nesse período, já foram feitas mais de 170 cirurgias pelo médico na unidade, todas cobertas pelo SUS. O procedimento é considerado de baixo risco, nem todos os casos precisam de anestesia geral, apenas sedação e anestesia local.

Jaime Siqueira explica que o procedimento é de extrema importância, sobretudo para crianças em idade escolar. “Muitas crianças chegam ao consultório pedindo para fazer a cirurgia. É uma atitude que vem delas primeiros. Isso porque na escola elas sofrem bullying e isso acaba atrapalhando o rendimento educacional”, explica o médico. Os efeitos dessa má formação das orelhas são observados também na fase adulta, "algumas pessoas fogem do convívio social por causa da aparência. Já ouvi relatos de pessoas que tinham vergonha até de procurar emprego”, complementa Jaime Siqueira.

O programa do hospital está com inscrições suspensas até o próximo ano. Isso por que a procura pela cirurgia foi grande e há uma lista de espera que precisa ser atendida. Têm preferência no processo crianças de 7 a 12, seguidas de adolescentes até os 16.

Saiba quais são as cirurgias reparadoras mais comuns:

-Mamoplastia: o procedimento é recomendado para diminuição os seios ou para reconstrução motivada por câncer de mama;

-Correção de ptose palpebral: termo médico para a queda da pálpebra superior que em alguns casos pode atrapalhar a visão;

-Rinoplastia por desvio de septo: o procedimento pode ser funcional ou plástico, neste caso quando o nariz é torto e traz complicações para a respiração;

-Correção de lábio leporino ou fenda palatina: abertura no lábio ou no céu da boca;

-Otoplastia: Corrige orelhas de abano;

-Há também casos de cirurgia de queimaduras, câncer de pele e traumas em geral.
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EDIÇÃO 55 | Julho de 2017