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As crianças estão virando adultos?

Especialista mostra a importância de deixar que os jovens tenham tempo para brincar e para se distrair, ao invés de mantê-los sempre ocupados com excessivas atividades extracurriculares

Da redação com Assessorias - Redação Publicação:16/09/2014 10:19Atualização:16/09/2014 12:09

Não é segredo que as crianças estão atualmente trilhando um caminho "rápido para o sucesso", para que o futuro seja o melhor possível, especialmente em relação à profissão. Mas a que preço os jovens estão adquirindo conhecimento e experiência? Muitos pais acabam incentivando e os filhos ficam sem tempo livre, graças à escola, ao curso de inglês, às aulas de balé, ao judô, ao futebol...

 

O simples ato de brincar pode fazer com que as crianças aprendam a resolver problemas do dia a dia e até a lidar com o estresse (Clarisse Castro/GERJ/Divulgação)
O simples ato de brincar pode fazer com que as crianças aprendam a resolver problemas do dia a dia e até a lidar com o estresse
"Ao que me parece, muitas crianças estão perdendo a infância. A pressão acadêmica é apenas uma peça do quebra-cabeça quando se trata do 'jejum de infância'. Nós estamos experimentando uma mudança cultural gradual, em vários âmbitos no que se refere a esta etapa da vida", afirma o pediatra e homeopata Moises Chencinski, autor do Blog Mama que Te Faz Bem.

Segundo o médico, a pressão da escola sobre as crianças, hoje, é mais intensa, mas elas também estão sobrecarregadas com atividades extracurriculares. Os jovens praticam esportes competitivos – às vezes mais de um –, são obrigados a cursar aulas de música, de arte, de idiomas... há também atividades de sua comunidade (escola, condomínio ou prédio). "Isso preenche completamente a semana e os sábados e domingos com eventos, compromissos, datas de jogos, competições e festas", diz Chencinski.

Em um artigo no jornal americano The Independent, Peter Gray, pesquisador do Boston College e autor de um livro sobre o tema, defendeu a necessidade de mais brincadeiras não estruturadas para as crianças. Ele sustenta que algumas das mais importantes habilidades para a vida não são ensinadas na sala de aula. A brincadeira é o veículo pelo qual os jovens aprendem a se relacionar com os outros, a resolver problemas e a controlar suas emoções. "Eu concordo plenamente. A brincadeira é muito mais do que os personagens que as crianças inventam e assumem nas histórias que desenvolvem. Através desse ato lúdico, elas aprendem a dominar seus medos, afirmar suas necessidades, processar e lidar com suas emoções e a conviver com outras pessoas", defende o pediatra Moises Chencinski.

Cinco razões para deixar seus filhos brincarem:

1-Alívio do estresse: brincar é uma oportunidade para as crianças processarem e trabalharem com as emoções negativas com as quais se deparam ao longo do dia

2-Controle emocional: através da brincadeira, as crianças aprendem a controlar seus impulsos e a trabalhar suas emoções. Elas aprendem a encontrar os gatilhos e a resolver potenciais problemas

3-Habilidade de interação social: a melhor maneira de deixar as crianças trabalharem suas habilidades de interação social é deixá-las brincar em grupo, sem interferência. Quando envolvidas em brincadeiras em conjunto, elas têm de aprender a cooperar, resolver conflitos, ter empatia com os outros e a se relacionar com seus pares

4-Resolução criativa para problemas: uma criança pode memorizar as respostas às perguntas de matemática e ter dificuldade em resolver problemas na vida real. Ela tem de aprender a dar um passo atrás e avaliar a situação antes de desistir da brincadeira ou de ficar brava com alguém. Isso é algo que se aprende através das brincadeiras

 

5-Promoção da aprendizagem: a grande ironia de aumentar a pressão acadêmica em detrimento da brincadeira desestruturada é que a brincadeira realmente promove a aprendizagem. A brincadeira é um estilo de aprendizagem mais natural para as crianças. Elas aprendem brincando desde o primeiro momento em que mordem blocos de madeira e continuam a aprender à medida que crescem


Fonte: Moises Chencinski, pediatra e homeopata

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EDIÇÃO 58 | outubro de 2017