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Comportamento »

Você teria coragem de ser uma barriga de aluguel?

Muitas mulheres com problemas no útero acabam buscando uma alternativa para terem um filho próprio, e neste caso, a solução pode ser a gestação do bebê no corpo de outra pessoa

Da redação com Assessorias - Redação Publicação:27/12/2014 19:00Atualização:27/12/2014 10:43

Quando a mulher cede seu útero para a gestação de um embrião fecundado por um outro casal, passa a ser conhecida como 'barriga de aluguel' (Daniel Ferreira/CB/DA Press)
Quando a mulher cede seu útero para a gestação de um embrião fecundado por um outro casal, passa a ser conhecida como 'barriga de aluguel'
Recentemente, em São Paulo, um casal que teve ajuda de uma amiga da família para realizar o sonho de ter um filho conseguiu na justiça o direito de registrar a criança em seu nome, sem mencionar o da pessoa que foi responsável pela "barriga de aluguel". Trata-se de um caso raro, porque as crianças que nascem nessa circunstância, antes, eram registradas apenas com o nome de quem as deu à luz – e de seu esposo, quando casada.

 

Vale a pena dizer que, embora o termo "barriga de aluguel" nos remeta a um acordo financeiro, por lei o procedimento não pode envolver qualquer transação comercial. De acordo com o médico Edson Borges Junior, especialista em fertilização assistida, e que fez todo o acompanhamento desse casal paulista, ainda há muita desinformação sobre a cessão temporária do útero. Em 1990 o assunto estava tão em evidência que a Globo lançou a novela Barriga de Aluguel, escrita por Glória Perez, e que trazia a atriz Cláudia Abreu como a mãe que empresta o útero, mas não consegue se desfazer da criança.

Segundo Borges, para que não haja problema, a doadora tem de ter algum parentesco consanguíneo, até o quarto grau, com um dos cônjuges. Pode ser a mãe, a sogra, uma irmã, tia ou prima. Em alguns casos, é possível optar por uma amiga muito próxima do casal, desde que se obtenha a aprovação do Conselho Federal de Medicina (CFM).

A "barriga de aluguel" consiste na cessão temporária do útero para que o óvulo da mãe biológica já fecundado com o esperma do pai, possa se desenvolver, até o nascimento do bebê. "O material genético é exclusivamente do casal, mas o útero é terceirizado. Ou seja, quem carrega o bebê não tem qualquer relação genética com a criança. Esse procedimento é especialmente importante quando a mãe tem problemas de malformação uterina que a impedem de 'levar' uma gravidez", explica o especialista.

 

Cássia Kiss e Victor Fasano formavam o casal que implantou o embrião na personagem de Cláudia Abreu, na novela Barriga de Aluguel, de 1990 (TV Globo/Divulgação)
Cássia Kiss e Victor Fasano formavam o casal que implantou o embrião na personagem de Cláudia Abreu, na novela Barriga de Aluguel, de 1990
Nos Estados Unidos nascem 750 bebês todos os anos através de "barriga de aluguel". No Brasil ainda não há dados consolidados, mas segundo o médico, é possível perceber um aumento no número de casais que recorrem a clínicas de fertilização assistida para superar problemas que os impedem de ter os tão desejados herdeiros.

As situações em que esse tipo de "aluguel" é mais comum ocorrem quando: as pacientes possuem histórico de doenças graves relacionadas ao útero; já realizaram uma histerectomia para remoção do aparelho reprodutor; ou, ainda, condições de saúde que comprovadamente colocariam em risco a vida da mulher, se ela engravidar.

"Vale ressaltar que, por regulamentação do CFM, mulheres acima dos 50 anos não podem recorrer a quaisquer métodos de fertilização assistida, nem mesmo a uma doadora temporária de útero. Apesar de discordar dessa prerrogativa, já que uma mulher muito mais jovem pode apresentar riscos muito maiores para uma gestação, se comparada a uma mulher nessa idade, a decisão que tem de ser observada", diz Edson Borges.

Além de ser submetida a uma avaliação psicológica e uma série de exames preventivos, a doadora do útero deve ser maior de idade, ter dado à luz pelo menos a um filho, e demonstrar estar em condições emocionais para passar pelos nove meses de gestação ciente de que, assim que o bebê nascer, ele será entregue para o casal criar. "Por se tratar de um processo tão delicado é que procedemos com tanta cautela, mesmo que a doadora seja da família. Tudo tem de ser muito bem detalhado em termos de direitos e deveres. Somente depois da autorização do CFM ou do conselho regional é que damos início ao procedimento de fertilização assistida", conclui o especialista.

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EDIÇÃO 55 | Julho de 2017