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Piloto analisa relatório do Cenipa e reforça a hipótese de falha humana

"Nenhuma aeronave é igual à outra", diz o especialista ouvido pela Encontro sobre o fato de os pilotos não terem treinamento no avião que transportava o ex-governador Eduardo Campos

João Paulo Martins - Redação Publicação:28/01/2015 08:25

O avião que carregava o então candidato Eduardo Campos caiu sobre residências no bairro Boqueirão, em Santos, logo após a arremetida na base aérea da cidade (Agência Brasil/Reprodução)
O avião que carregava o então candidato Eduardo Campos caiu sobre residências no bairro Boqueirão, em Santos, logo após a arremetida na base aérea da cidade
O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) descartou algumas hipóteses sobre o que teria causado o acidente aéreo que vitimou, no dia 13 de agosto do ano passado, em Santos, São Paulo, sete pessoas – entre elas o então candidato à presidência da república e ex-governador de Pernambuco, Eduardo Campos. Uma das possibilidades com as quais trabalham os investigadores é a de falha humana ou operacional, mas isso só poderá ser confirmado com o avançar das investigações. Contudo, um piloto ouvido pela Encontro confirma que o tempo ruim no dia do acidente pode ter levado à falha humana.

 

O Cenipa descartou possíveis falhas técnicas, e lembrou que os pilotos não tinham treinamento no modelo de avião envolvido no acidente (Agência Brasil/Reprodução)
O Cenipa descartou possíveis falhas técnicas, e lembrou que os pilotos não tinham treinamento no modelo de avião envolvido no acidente
O coordenador da investigação do Cenipa, o tenente-coronel Raul de Souza diz que até o momento "não há conclusão" sobre o acidente e que, terminada a fase de coleta de dados, "nenhuma hipótese foi criada" sobre o acidente com a aeronave PR-AFA. Apesar de, até o momento, a Aeronáutica não ter apresentado oficialmente algo mais conclusivo sobre a causa do acidente, o chefe do Cenipa, brigadeiro Dilton José Schuck, lembra que, nas investigações primárias, constatou-se que, apesar de habilitada pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), a tripulação da aeronave (piloto e co-piloto) "não tinham concluído o treinamento específico de transição da aeronave Cessna C-560 para o modelo envolvido no acidente [C-560 XLS+]".

Segundo um especialista ouvido pela Encontro, que não quis se identificar, mas tem formação no aeroclube Carlos Prates, em Belo Horizonte, a falta de habilitação dos pilotos, que tinham treinamento para voar em aeronaves Cessna modelos C560 Encore e C560 Encore+ e não no modelo C560XLS+ que sofreu o acidente, pode ser um fator importante. "Uma mudança de versão de aeronave sempre exige habilitação da Anac, pois nenhuma aeronave é igual à outra. Existem diferenças importantes nos sistemas dos aviões", diz.

 

Conforme o portal da Encontro informou na época da tragédia que vitimou o ex-governador Eduardo Campos, o mais provável é que os pilotos do Cessna tenham tentado pousar na base aérea de Santos, mas como não dispunham de visibilidade suficiente, tiveram de arremeter. "Porém, esse é um procedimento que precisa ser feito em condiçoes visuais adequadas. E, naquele dia, a visibilidade estava baixa. Devido a essas condições, somadas à desatenção dos pilotos com relação à curva que deveria ser executada no procedimento, pode ter havido uma desorientação aeroespacial [a aeronave está numa atitude de voo diferente da que o profissional está percebendo]", diz o piloto ouvido pela reportagem.

Nessa condição, o Cessna estaria acelerando como se fosse ganhar altitude, mas, ao contrário, se dirigia para o solo, como um míssel. "Essa situação é tão crítica que a recuperação da aeronave pelo piloto se torna irreversível", completa o especialista. Segundo o Cenipa, o avião atingiu as residências do bairro Boqueirão, em Santos, numa velocidade de cerca de 600 km/h.

Confira abaixo a explicação de como deveria ser o procedimento da arremetida:

 

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EDIÇÃO 58 | outubro de 2017