Pesquisador comprova existência de matéria escura na Via Láctea
Esse tipo de matéria, que preencheria o espaço vazio entre os elementos do Universo, gera muita discussão na comunidade científica
"Obtivemos essa evidência medindo a rotação de nossa galáxia com grande precisão. Por meio da rotação, calculamos sua atração gravitacional. E, a partir da atração gravitacional, chegamos à massa. A massa calculada é maior do que aquela constituída apenas pela matéria luminosa [estrelas e gás]. A diferença de massas indica a existência de outro componente material na região, a chamada matéria escura", explica Iocco.
A hipótese de existir no Universo uma forma desconhecida de matéria – denominada matéria escura pelo fato de sua presença jamais ter sido detectada de maneira direta pelas observações astronômicas – foi formulada nos anos 1970, quando a rotação de gases em torno dos centros de galáxias espirais passou a ser calculada com alta precisão.
Essa medição, no entanto, é difícil de ser feita na Via Láctea, já que estarmos inseridos nela, a aproximadamente meia distância entre a periferia galáctica e seu centro. "Devido a tal condição, foi, ao longo de todos estes anos, um grande desafio medir a rotação do gás e das estrelas com a precisão necessária. Tal medição é especialmente difícil na região compreendida entre o Sol e o centro da galáxia, onde as estrelas e o gás estão muito concentrados e, assim, contribuem mais para o montante de massa", explica o cientista.
A composição da matéria escura já foi objeto de muita especulação, e o pesquisador da Unesp também preferiu não comentar esse fato. "Isso é algo que não pretendemos responder em nosso artigo. Aliás, nem supusemos a existência de qualquer tipo de matéria escura. Tal evidência veio como resultado dos cálculos", diz.
(com Agência Fapesp)