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Especialista critica banalização da violência estudantil na internet

Alunos brigando ou marcando confrontos não é algo difícil de encontrar nas redes sociais. O problema, segundo especialista, é a falta da participação dos pais e da própria escola na prevenção e correção do problema

Da redação com Assessorias - Redação Publicação:13/03/2015 14:09Atualização:13/03/2015 14:44

Vídeos com cenas de violência entre jovens são cada vez mais comuns nas redes sociais (YouTube/Reprodução)
Vídeos com cenas de violência entre jovens são cada vez mais comuns nas redes sociais
Existe uma percepção sobre a existência de altos índices de violência nas escolas brasileiras, em especial nas escolas públicas, mas não é possível afirmar que não existam problemas nas escolas privadas também. No entanto, uma pesquisa realizada e divulgada no final do ano passado, a pedido da Confederação dos Trabalhadores em Educação, 89% dos entrevistados acreditam que há muita violência nas escolas públicas – foram ouvidas mais de 3 mil pessoas, todas acima de 16 anos de idade, nas cinco regiões do país. E com o início do novo ano letivo, um dos maiores desafios para a "pátria educadora" é justamente combater essa onda de violência nas escolas, que naturalmente reflete também na qualidade do ensino.

 

Para o pedagogo Gonçalo Pires, assessor do Grupo Saraiva, a violência no ambiente escolar não é algo novo, tanto que já foi abordada por diversos pensadores como o sociólogo francês Bourdieu e o pesquisador Bernard Charlot, também francês, mas radicado no Brasil. "É que, hoje, muitos dos casos são denunciados. Mas, infelizmente, está havendo também uma banalização muito grande da violência entre os alunos. Isso faz parte do momento histórico em que os jovens também estão inseridos. Na chamada era da informação, a violência é um espetáculo, dá audiência, vira 'likes', as pessoas curtem, e mostram-se cada vez mais insensíveis aos outros", diz o especialista.

Duas alunas de um Centro de Ensino Funda-mental da Ceilândia brigam em frente à escola (Reprodução/Facebook)
Duas alunas de um Centro de Ensino Funda-
mental da Ceilândia brigam em frente à escola
Pires critica os inúmeros vídeos que circulam pela internet com imagens fortes de brigas entre estudantes, nas redes sociais ou até mesmo quando ganham maior projeção e chegam aos noticiários. "Basta uma simples pesquisa em sites de busca que o resultado é espantoso, com vídeos de briga por todo o país, entre meninos, entre meninas e, em alguns casos, inclusive com a participação de pais", diz o assessor pedagógico. Também não são raras as vezes em que a briga é agendada pelos alunos nas redes sociais, ganhando o estímulo dos colegas de classe de ambas as partes.

 

O respeito deve vir de casa e são justamente os pais que devem servir de melhor exemplo aos filhos, como explica o pedagogo. "É importante praticar a tolerância em casa, praticar o respeito ao direto do outro existir, ser, pensar e agir diferente de nós. Filhos reproduzem muito do que ouvem em casa, por isso precisam ter um bom modelo de vida adulta", diz Gonçalo Pires. Ele reforça também que os pais devem agir como pais e não como amiguinhos dos filhos. "É preciso manter a tutela e o diálogo, mostrando verdadeiro interesse pela vida dos filhos, sempre que estiverem juntos", afirma.

Já a escola também deve participar, pois tem responsabilidade pelo o que acontece em suas dependências. "Ela pode promover debates, manter programas de acompanhamento ou uma equipe multidisciplinar que interaja com os alunos sobre o tema. Mas, principalmente, observar e coibir atos de violência na escola, seja ela qual for. Mas deve fazer de verdade, não só por mais um cartaz na parede da 'Semana Anti-Bullying'. É preciso agir mesmo", completa o especialista.

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EDIÇÃO 57 | Setembro de 2017