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Saúde »

Hábitos saudáveis podem ser transferidos de pai para filho

Estudos indicam que uma alimentação adequada pode mudar a expressão genética sem alterar, porém, os genes

Da redação com Assessorias - Redação Publicação:17/03/2015 13:31

Segundo a especialista, a chamada epigenética mostra que muitos hábitos podem ser passados de pais para filhos, sem, no entanto, afetar o DNA dos envolvidos (Pixabay)
Segundo a especialista, a chamada epigenética mostra que muitos hábitos podem ser passados de pais para filhos, sem, no entanto, afetar o DNA dos envolvidos
Na escola, costumamos aprender que nossos hábitos cotidianos não são capazes de alterar nossos genes. É a máxima "se o pai é rato de academia, o filho não nasce musculoso". A chamada epigenética, porém, vem mostrando que a coisa não é bem assim. Essa linha de estudos sugere que mudanças químicas podem ocorrer nas proteínas associadas ao DNA sem que haja qualquer alteração na sequência genética. Ou seja, uma série de hábitos que adquirimos ao longo da vida, como a alimentação, altera de maneira reversível a atuação de nossos genes.

 

E mais: algumas dessas mudanças são hereditárias. Isso não significa, voltando ao exemplo acima, que o filho do halterofilista nasça musculoso. Mas, estudos já indicam que descendentes de pessoas que tiveram graves problemas de desnutrição tenham maior probabilidade de desenvolver doenças cardiovasculares e diabetes. A boa notícia é que o quadro pode ser mudado.

"A alimentação é um dos principais fatores ambientais capaz de modular mecanismos epigenéticos, tanto promovendo o desenvolvimento de uma doença, quanto sua prevenção", explica Fábia de Oliveira Andrade, pesquisadora da faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo. Trocando em miúdos: da mesma forma que uma alimentação desbalanceada pode levar ao desenvolvimento de doenças crônicas não transmissíveis, "compostos bioativos dos alimentos podem reduzir o risco destas", diz a especialista.

É durante a gestação e a infância que nosso organismo está mais suscetível a sofrer essas mudanças. "Tanto restrição calórica quanto excesso de gordura alimentar durante os períodos gestacionais estão associados à maior suscetibilidade do desenvolvimento de doenças crônicas não-transmissíveis nos filhos, devido, em parte, à modulação de mecanismos epigenéticos", explica Fábia Andrade. Segundo ela, essa observação é um indício que tanto a composição da dieta como quantidades adequadas, já em fases iniciais da vida, são pré-requisitos para uma vida saudável.

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EDIÇÃO 55 | Julho de 2017