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Documentário sobre homofobia no Congresso representa Brasília em Cannes

Curta brasiliense foi aceito no Short Film Corner, que integra o Festival de Cannes, maior festival de cinema do mundo. Filme acompanha uma família formada por duas mães e três filhos, cujo cotidiano é invadido por discursos de ódio

Da redação com Assessorias - Redação Publicação:15/03/2016 08:57
O documentário “Em Defesa da Família” vai representar Brasília no Short Film Corner, espaço do Festival de Cannes dedicado à divulgação de curtas-metragens do mundo inteiro. O festival acontece em maio, no balneário francês.

Produzido a partir de uma grande campanha de financiamento coletivo, “Em Defesa da Família” aborda temas polêmicos, como a homofobia e definição legal de família, a partir do cotidiano simples de Marília e Vanessa. Casadas há 13 anos, elas são mães de Samuel, Felipe e Matheus.

A rotina da família é invadida por sons que vêm do Congresso Nacional. São discursos de parlamentares que constantemente interfere, com violência crescente, na vida do casal e das crianças.
 
Daniella Cronemberger, diretora do curta: 'O discurso invade a vida dessa família. Ele interfere na harmonia do cotidiano, agride, cria monstros inexistentes'

 (Reprodução/Divulgação)
Daniella Cronemberger, diretora do curta: "O discurso invade a vida dessa família. Ele interfere na harmonia do cotidiano, agride, cria monstros inexistentes"
 
“Neste momento, em que a intolerância ganha força política e social, é preciso aprofundar e humanizar o debate que ocorre no Congresso, focando nas pessoas diretamente afetadas por ele”, afirma Daniella Cronemberger, diretora do curta.

“O discurso invade a vida dessa família. Ele interfere na harmonia do cotidiano, agride, cria monstros inexistentes. Mas o que o filme diz é: precisamos focar o olhar nas pessoas. As pessoas são mais importantes, o amor é mais importante. E acredito que o amor pode esclarecer mais do que um discurso”, acrescenta.

Financiamento coletivo

Produzido pela Olho de Gato Filmes, de Brasília, o curta recebeu o valor de R$ 38.460, fruto da doação de mais de 300 pessoas, por meio de uma plataforma de financiamento coletivo, na internet.

A campanha também se estendeu para as ruas de Brasília, por isso, o Mercado Cobogó de Objetos entrou em contato com a produção sugerindo um evento beneficente em prol do filme. A feira reuniu produtos doados por mais de 40 artistas e empresas da cidade, com 100% da renda revertida para a produção do curta.

Bandeira conservadora

A frase "Em Defesa da Família" é uma das principais bandeiras de parlamentares conservadores. A cada eleição, no Brasil, cresce o número de candidatos que se utilizam desse bordão na campanha.

Em 2007, foi criada no Congresso Nacional a “Frente Parlamentar em Defesa da Família”, que hoje conta com 238 membros, entre deputados federais e senadores – movimento replicado nos Legislativos estaduais e municipais.

Defender a família, para esses parlamentares, significa defender somente aquela formada por um homem e uma mulher, e combater com veemência o que estiver fora desse padrão. Um exemplo disso é o projeto de lei batizado de Estatuto da Família, que se encontra em análise na Câmara dos Deputados.

A proposta, aprovada em outubro de 2015 por comissão especial da Câmara, reconhece família como “a entidade familiar formada a partir da união entre um homem e uma mulher, por meio de casamento ou de união estável, e a comunidade formada por qualquer dos pais e seus filhos”. O texto ainda deve passar pelo Plenário da Câmara e pelo Senado antes de virar lei.
 
 
Sinopse

Vanessa e Marília formam uma família há 13 anos e são mães de três meninos. O cotidiano é cheio de obrigações, e as mães precisam dividir as tarefas. Entre um piquenique com amigos e a festa junina da escola, a família é obrigada a enfrentar ameaças externas. Seus direitos civis correm perigo.

Diretora
Daniella Cronemberger

Brasiliense, 37 anos, formou-se em jornalismo na Universidade de Brasília. Trabalhou como repórter especial e subeditora de Política do jornal O Povo (CE). Foi assessora de imprensa do Ministério da Justiça, da Comissão de Anistia e da Agência de Notícias dos Direitos da Infância (ANDI). Em 2015, lançou o livro “Paúra – um mergulho na síndrome do pânico”, do qual é coautora. Hoje trabalha na Secretaria de Comunicação da Câmara dos Deputados e escreve no blog Quadrado Brasília. O trabalho de Daniella na produção do filme é voluntário.

Produtor Executivo
Getsemane Silva

Quatorze anos de experiência como roteirista e diretor de documentários e produtor de séries de TV. Trabalhou em mais de 30 títulos. Montou e coordenou o Núcleo de Documentários da TV Câmara. É pós-graduado em Documentário de Criação pela UAB de Barcelona. Foi bolsista de desenvolvimento do DocLab, no Festival HotDocs de Toronto. Em 2005, recebeu o Prêmio Wladimir Herzog, na categoria documentário. Foi bolsista do Ibermedia, para desenvolvimento de roteiros. Em 2013, seu longa documentário, PLANO B, foi premiado no Festival de Brasília. O trabalho de Getsemane na produção do filme é voluntário.
 
Duração - 24 minutos
Local – Brasília (DF), Brasil
Ano – 2016
Gênero - Documentário
 
 
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EDIÇÃO 55 | Julho de 2017