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Apicultor francês cria abelhas que produzem mel da maconha

Segundo ele, esse tipo de mel traz os mesmos benefícios do produto tradicional, aliados aos da cannabis

João Paulo Martins - Redação Publicação:16/03/2016 12:39
Quando se fala em maconha, logo surgem opiniões diversas, afinal, as drogas costumam gerar discussão em nossa sociedade. Mesmo com o consumo liberado em diversos países, como Holanda, Uruguai e Estados Unidos, a Cannabis sativa, ou maconha, costuma ser associada também a supostos benefícios para a saúde. Pensando nisso, um apicultor francês resolveu aliar essa polêmica planta à produção de mel.

Nicolas Trainer, de 39 anos, é um artista e apicultor francês, que, desde os 10 anos de idade, utiliza a maconha em benefício próprio, levando em conta os supostos benefícios medicinais – ele sofria de hiperatividade. Em 2008, ele decidiu unir as duas "paixões": abelhas e Cannabis. Ele começou a treinar os insetos para utilizarem a resina própria da planta psicotrópica para produzir mel – normalmente, esse rico subproduto das abelhas é feito com o néctar das flores.
 
Na França, abelhas estão sendo treinadas para produzirem mel a partir da resina da Cannabis sativa, popularmente chamada de maconha (Dinafem.org/Reprodução)
Na França, abelhas estão sendo treinadas para produzirem mel a partir da resina da Cannabis sativa, popularmente chamada de maconha
 
"Eu sempre soube dos benefícios dos produtos das abelhas para a saúde, como mel, pólen, própolis e geleia real. Também sei das propriedades benéficas da Cannabis. Por isso uni os dois", diz Nicolas, em entrevista ao site da Dinafem, ONG especializada na produção de sementes de maconha.
Dinafem.org/ReproduçãoO artista e apicultor francês Nicolas Trainer é o responsável por fazer as abelhas usarem a resina da maconha para a produção de mel (foto: Dinafem.org/Reprodução)

O artista francês já é bem conhecido por treinar abelhas para retirarem néctar das frutas, ao invés das flores. Agora, conseguiu produzir mel a partir da resina da Cannabis. "As abelhas que produzem o 'cannamel' [ou cannahoney, em inglês, que é o apelido do mel da maconha] não são afetadas pelos canabinóides [substância psicotrópica], por não possuírem receptores para essas substâncias", lembra Nicolas Trainer.

Em relação ao sabor do produto, o apicultor diz que o aroma é bem frutado. Já em relação à cor, o especialista conta que depende do caule de onde foi retirada a resina. Com isso, o mel pode ter uma coloração que vai de verde clara a amarela. "É importante lembrar que o 'cannamel' não é uma droga. Pode ser consumido normalmente e faz bem para a saúde", completa o francês. Ele já conta com mais de 30 colmeias para a produção desse mel nada comum.
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EDIÇÃO 58 | outubro de 2017