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Estudo mostra que os jovens poderão ter surdez precoce

O motivo do alerta se deve à mania dos adolescentes de ouvirem sons intensos em fones, shows e festas

Da redação com Assessorias - Redação Publicação:16/06/2016 09:00
O hábito de usar diariamente fones de ouvido para escutar música e de frequentar ambientes muito barulhentos, como os de danceterias e shows, tem causado um aumento na prevalência de zumbido nos ouvidos em adolescentes, o que é considerado um sintoma de perda auditiva. A constatação é de um estudo realizado pela Associação de Pesquisa Interdisciplinar e Divulgação do Zumbido (Apidiz) e publicado na revista Scientific Reports, do grupo Nature.

"Constatamos que há uma prevalência muito alta de zumbido nos ouvidos em adolescentes, que é um primeiro sinal de alerta de risco para desenvolver perda de audição", diz Tanit Ganz Sanchez, professora de otorrinolaringologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e coordenadora do estudo.

"Se essa geração de adolescentes continuar se expondo a níveis muito elevados de ruído, provavelmente apresentará perda de audição entre 30 e 40 anos", estima Sanchez, que preside o Instituto Ganz Sanchez, a atual denominação da APIDIZ.

Os pesquisadores realizaram exames de ouvido (otoscopia) em 170 adolescentes na faixa etária de 11 a 17 anos, matriculados em um colégio particular tradicional em São Paulo, e solicitaram que respondessem um questionário com perguntas como se tinham percebido zumbido nos ouvidos nos últimos 12 meses e, caso positivo, com qual intensidade, duração e frequência.

Mais da metade dos adolescentes (54,7%) responderam que tinham sentido zumbido nos ouvidos nos últimos 12 meses. "A prevalência de zumbido nos ouvidos em adolescentes é alarmante. Havia a ideia de que zumbido nos ouvidos era um problema da terceira idade, e estamos observando que tem se tornado mais prevalente em outros grupos etários, como crianças e adolescentes, pela exposição cada vez maior a níveis elevados de ruído, entre outros fatores", afirma Tanit Sanchez.

Segundo a especialista, uma forma de evitar a perda auditiva é usar protetor auricular e fazer intervalos de 10 minutos a cada hora de exposição aos sons intensos (Pixabay)
Segundo a especialista, uma forma de evitar a perda auditiva é usar protetor auricular e fazer intervalos de 10 minutos a cada hora de exposição aos sons intensos

Efeitos do zumbido

De acordo com a pesquisadora, o zumbido nos ouvidos é causado pela lesão temporária ou definitiva das células ciliadas. Localizadas no ouvido interno (cóclea), essas células alongam e encurtam repetidamente quando estimuladas por vibrações sonoras. Quando são sujeitas a altos níveis de vibrações sonoras, como os causados por uma explosão, fogos de artifícios, o som alto de um fone de ouvido ou em um show, por exemplo, essas células ciliadas ficam sobrecarregadas e podem sofrer lesões temporárias ou definitivas.

A fim de compensar a perda de função das células ciliadas lesionadas ou mortas, as regiões vizinhas passam a trabalhar em um ritmo mais acelerado do que o normal, o que dá origem ao zumbido nos ouvidos, explica Sanchez.

Se esses adolescentes continuarem a usar frequentemente fones de ouvido e se expuserem a ambientes barulhentos até os 20, 25 anos, por exemplo, eles podem ter problemas de surdez enquanto ainda são jovens, estima a pesquisadora.

Prevenção

De acordo com a presidente do Instituto Ganz Sanchez, o zumbido nos ouvidos é tratável e passível de prevenção. Algumas das formas de se proteger do problema é usar protetor auricular e fazer intervalos de 10 minutos a cada hora de exposição a ambientes barulhentos. "Ao fazer um intervalo a cada hora de exposição a altos níveis de ruído, é possível aumentar a chance de os ouvidos se recuperarem e não terem lesões definitivas", explica a professora da USP.

Segundo Tanit Sanchez, além da exposição a altos níveis de ruído, outras causas de zumbido nos ouvidos identificadas em adolescentes são jejum prolongado, abuso no consumo de doces – principalmente chocolate – e de cafeína, presente não só no café, chá e chocolate, como também em bebidas energéticas.

(com Agência Fapesp)
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EDIÇÃO 57 | Setembro de 2017