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Será que o cobre é mesmo bactericida?

Objetos de uso coletivo feitos desse metal podem ajudar a reduzir bactérias e vírus como o H1N1?

Vinícius Andrade - Redação Publicação:16/06/2016 09:09
Com 20 mortes e 80 casos confirmados de gripe H1N1 este ano em Minas Gerais, o sinal de alerta está ligado. Todos querem fugir do vírus que tem preocupado especialistas e autoridades da saúde. Para a prevenção da doença, algumas pessoas têm buscado alternativas curiosas, como o uso de cobre para, supostamente, deixar o ambiente mais seguro e livre da contaminação por vírus e bactérias.

A Environmental Agency Protection (Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos) reconheceu, em 2008, que o cobre é um metal com propriedades bactericidas, capaz de destruir bactérias nocivas e potencialmente letais. Além disso, um estudo da Universidade de Southampton, dos EUA, publicado este ano, também mostra que as bactérias do tipo MRSA (Staphylococcus aureus) mantêm-se vivas nas superfícies típicas de aço inoxidável, mas, em uma superfície de liga de cobre, quase todos os os micro-organismos são destruídos dentro de duas horas, considerando a temperatura ambiente.

Apesar de existirem estudos americanos comprovando a eficácia do cobre como bactericida, infectologista diz que não há testes práticos que justifiquem essa hipótese (Pixabay)
Apesar de existirem estudos americanos comprovando a eficácia do cobre como bactericida, infectologista diz que não há testes práticos que justifiquem essa hipótese

Apesar dos estudos, o médico Estevão Urbano, presidente da Sociedade Mineira de Infectologia, não atesta a eficácia do cobre no combate aos vírus e bactérias. Segundo ele, o material tem propriedades bactericidas, mas isso não significa que o metal seja capaz de prevenir uma gripe, por exemplo. "É apenas uma suposição, não existe nada de concreto", afirma o especialista.

Já o Instituto Brasileiro de Cobre (Procobre) está sugerindo aos supermercados que substituam os cabos de plástico dos carrinhos de compras por barras de cobre. A medida, segundo o infectologista, não possui embasamento científico. "Uma coisa é o estudo em laboratório, outra é o estudo em campo, na experiência prática. É preciso comparar um carrinho com barra de cobre e outro com barra de plástico e ver o resultado", destaca Estevão Urbano. De acordo com o especialista, não há registros científicos que comprovem essa eficácia do metal na prática.
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EDIÇÃO 55 | Julho de 2017