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Maioria dos bebês com menos de 2 anos comem alimentos ultraprocessados, diz estudo

Ministério da Saúde alerta para a alimentação errada de crianças menores de dois anos

Da redação com Portal EBC - Redação Publicação:20/06/2016 14:17
Segundo o Ministério da Saúde, crianças menores de 23 meses devem ser alimentadas com produtos minimamente processados (Reprodução/Pexels)
Segundo o Ministério da Saúde, crianças menores de 23 meses devem ser alimentadas com produtos minimamente processados
A alimentação de crianças brasileiras entre 6 e 23 meses ainda requer atenção especial. Pesquisa realizada com os pais de 38.566 crianças nessa faixa etária em Unidades Básica de Saúde de municípios de todo o país mostra que apenas 14% delas consumiram alimentos ricos em ferro no dia anterior à consulta, enquanto 56% ingeriram algum tipo de comida ultraprocessada.

Em relação ao aleitamento materno, cuja orientação dos especialistas é de que seja continuado até os dois anos de idade, apenas 53% haviam sido amamentados antes da pesquisa. Os dados fazem parte do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional do Ministério da Saúde, referentes ao ano de 2015, e reforçam a preocupação do órgão com medidas para garantir uma alimentação saudável nessa fase de desenvolvimento.

"Devemos fazer uso de alimentos in natura ou minimamente processados na base da alimentação. Nesse sentido, entendemos que o aleitamento materno deve ser continuado até os dois anos de idade ou mais, garantir uma alimentação adequada e variada, com presença de alimentos ricos em ferro e vitamina A, por exemplo. Já o consumo de alimentos ultraprocessados, como hambúrguer, embutidos, macarrão instantâneo, biscoitos e bebidas adoçadas devem ser evitados. Encontrar percentuais tão elevados nessa faixa etária é algo bastante preocupante", alerta a nutricionista Sara Araújo, da coordenação-geral de Alimentação e Nutrição do Ministério da Saúde.

O consumo de alimentos como biscoito recheado, macarrão instantâneo e bebidas adoçadas também apresentaram resultados elevados, com índices de 32%, 27% e 40%, respectivamente. Por outro lado, 63% das crianças comeram alimentos ricos em vitamina A, o melhor resultado entre os itens pesquisados.

O uso de ultraprocessados, ricos em açúcar, sódio e gorduras é um dos principais motivos para a ocorrência do excesso de peso, que apresentou crescimento expressivo nos últimos anos em todas as faixas etárias no Brasil.

A nutricionista explica que os períodos mais críticos para o desenvolvimento da obesidade estão na primeira infância e na adolescência. "Quando a obesidade se manifesta na infância, o risco de se tornar um adulto obeso é aumentado. Há evidência de que, a partir dos seis anos, aproximadamente, uma a cada duas crianças obesas torna-se um adulto obeso, enquanto apenas uma a cada dez crianças não obesas alcança o mesmo desfecho quando adulta", esclarece Sara Araújo.
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EDIÇÃO 55 | Julho de 2017