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Finalmente a explicação científica para o déjà vu

Sensação de que algo já aconteceu está ligada ao funcionamento da memória

João Paulo Martins - Redação Publicação:22/08/2016 12:59
Com certeza, você ou alguma pessoa de seu relacionamento já experimentou a estranha sensação de déjà vu, ou seja, de que um certo momento seria uma "repetição" de algo passado. A explicação para este fenômeno ainda não possuía respaldo científico - muitos acreditam, por exemplo, que seja uma prova da existência de "vidas passadas". Porém, um estudo divulgado em julho deste ano na Conferência Internacional Memória, realizada em Budapeste, na Hungria, mostra que o déjà vu está ligado a uma falha no processamento da memória.

Para chegar a essa conclusão, o psicólogo e neurocientista Akira O'Connor, coordenador do estudo, professor da Universidade de St. Andrews, na Inglaterra, avaliou 21 voluntários que foram induzidos a ter a experiência de "repetição" do momento. Isto foi feito por meio de uma experiência simples vinculada à memória: os voluntários eram apresentados a palavras como cama, travesseiro, noite, sonho, todas ligadas entre si pelo tema comum: dormir. Porém, quando foram interrogados, posteriormente, sobre quais verbetes teriam ouvido, muitos acreditaram que a palavra "dormir" fazia parte da lista. Neste caso, foi comprovada a existência de uma memória falsa.

Finalmente, o déjà vu foi induzido quando a equipe de cientistas da Universidade de St. Andrews perguntou aos voluntários se eles teriam ouvido palavras que começavam com a letra "D". Todos responderam que não. Porém, como já haviam dito que teriam ouvido a palavra "dormir", assim que responderam ao último questionamento, tiveram a sensação de que o momento era "repetido". "Eles disseram que tiveram a estranha sensação de déjà vu", afirma Akira O'Connor ao site New Scientist, especializado em notícias científicas.
Por meio da ressonância magnética e de um teste de memória, cientistas da Universidade de St. Andrews, da Inglaterra, descobriram como se forma a sensação de déjà vu  (Pixabay)
Por meio da ressonância magnética e de um teste de memória, cientistas da Universidade de St. Andrews, da Inglaterra, descobriram como se forma a sensação de déjà vu

Para confirmar que os voluntários estavam tendo a sensação de repetição, seus cérebros foram analisados por meio da ressonância magnética funcional (fMRI, na sigla em inglês). Com isso, os cientistas perceberam que o cérebro é capaz de reconhecer um erro de memória, neste caso, o surgimento de uma falsa lembrança, e que rapidamente corrige a falha, o que leva à sensação de déjà vu.

Os cientistas ingleses acreditam que o estudo poderá ajudar a entender como se dá a perda de memória típica da velhice. Ainda mais porque a experiência de que algo já teria ocorrido costuma acontecer com frequência entre a população mais jovem. Além disso, segundo Akira O'Connor, quem nunca teve a sensação de déjà vu pode se alegrar, já que seu cérebro não apresenta falhas de memória. Por outro lado, aqueles que experimentam a estranha experiência, rotineiramente, não devem ter medo, já que isso mostra que o principal órgão do corpo humano está sendo capaz de corrigir suas falhas.

(com portal New Scientist)
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EDIÇÃO 55 | Julho de 2017