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Pacientes com doenças neurológicas podem se tratar gratuitamente com canabidiol

O produto é subsidiado pelo governo brasileiro, desde que haja prescrição médica e sejam atendidos os requisitos da Anvisa

Da redação com Assessorias - Redação Publicação:26/08/2016 11:41
As doenças neurológicas afetam milhões de pessoas e, com o envelhecimento da população, a expectativa é que o número cresça exponencialmente. A epilepsia, por exemplo, principal manifestação de disfunção cerebral, já afeta mais de 50 milhões de pessoas em todo o mundo, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). A epilepsia não tem cura, mas especialistas alegam que 70% dos casos podem ser "controlados" com medicamentos convencionais. Para outros pacientes, cujo tratamento não tem o efeito esperado, pode ser indicado o canabidiol, proveniente da Cannabis sativa (cânhamo e maconha).

Importado dos Estados Unidos, o canabidiol pode ser custeado pelo governo brasileiro, desde que haja prescrição médica e sejam atendidos os requisitos solicitados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). No Brasil, a primeira permissão para importação do canabidiol foi concedida pela Anvisa em abril de 2014, após a solicitação de Katiele Fischer, mãe de uma menina de cinco anos, com CDKL5, síndrome que, entre outras manifestações, ocasionava mais de 80 convulsões por dia na criança.
O uso do canabidiol, proveniente do cânhamo, passou a ser autorizado no Brasil, pela Anvisa, no início deste ano (Pixabay)
O uso do canabidiol, proveniente do cânhamo, passou a ser autorizado no Brasil, pela Anvisa, no início deste ano

"O pedido de Katiele surgiu depois que ela encontrou a página no Facebook de Penny Howard, uma americana, mãe da menina Harper, que também sofre com CDKL5. Penny usou canabidiol para tratar Harper e contou que ela conseguiu reduzir a incidência de convulsões da filha de 40 por dia para zero em um período de pouco mais de dois meses, o que permitiu à criança voltar a se desenvolver fisicamente e reestabelecer a relação com a família", diz Stuart Titus, diretor da Medical Marijuana, empresa americana que fabrica produtos à base de canabidiol.

"Ao contrário do que se pensa, o canabidiol não é uma substância derivada da maconha. O extrato é extraído do cânhamo e, embora a maconha e o cânhamo sejam da mesma família, são plantas diferentes. Enquanto a maconha é baixa e espessa, o cânhamo é alto e longo. Além das diferenças físicas, a maconha contém grandes quantidades do canabinóide psicoativo (tetrahidrocanabinol) e o cânhamo pode conter quantidades relativamente grandes do canabinóide não psicoativo", esclarece Titus.

Atualmente, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária já autorizou a importação da substância para o tratamento de pacientes com epilepsia refratária (desordem cerebral que gera convulsões repetidas), Mal de Parkinson, dor crônica (incluindo na cabeça, fruto da enxaqueca), Mal de Alzheimer, Transtorno de Estresse Pós-Traumático, déficit de atenção e hiperatividade, autismo, esclerose múltipla e dores do câncer (na recuperação pós-quimioterapia). Além do Brasil, o canabidiol já é utilizado para o tratamento de doenças em mais de 40 países, entre eles, Estados Unidos, Reino Unido, Israel e México.
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EDIÇÃO 55 | Julho de 2017