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Praticar corrida de rua em grupos traz segurança e outros benefícios

Quem adotou essa estratégia diz que a motivação e o rendimento aumentaram

Daniela Costa - Publicação:27/09/2016 14:38
A arquiteta Alice Ferraz (à frente e à dir.) aposta no treinamento personalizado da HF. 'O feedback do instrutor é fundamental para nos mostrar se estamos praticando a atividade de forma correta' (Samuel Gê/Encontro )
A arquiteta Alice Ferraz (à frente e à dir.) aposta no treinamento personalizado da HF. "O feedback do instrutor é fundamental para nos mostrar se estamos praticando a atividade de forma correta"
Correr sozinho é bom. Mas correr acompanhado é melhor ainda. Pelo menos é o que dizem os atletas que optam por participar de grupos de corrida. Atraídos pela praticidade de contar com assessoria especializada e ainda ter companhia para praticar o esporte em segurança, o número de pessoas que busca o serviço é cada vez maior. Um dos grupos pioneiros em Belo Horizonte é a HF Treinamento Esportivo, que atualmente conta com 400 alunos. "Montei a primeira turma quando ainda era estudante de educação física. A procura foi tanta que, em 2004, criei a assessoria", diz o fundador, Heleno Fortes. O aumento da demanda exigiu também a modernização dos treinos. Planilhas, que antes eram feitas no Word e enviadas por e-mail, passaram a ser acessadas em aplicativos que possibilitam o treinamento até mesmo a distância. "Após a realização do exame físico do aluno e a avaliação do seu condicionamento, prescrevemos quais atividades podem ser realizadas e com qual frequência e intensidade. Dessa forma, ele define a melhor programação para o seu estilo de vida", diz Heleno. A partir daí os treinos podem ser realizados em grupo ou de forma individual, sob a orientação do instrutor, que acompanha, on-line, a evolução do aluno. A arquiteta Alice Ferraz, de 26 anos, aprovou o sistema. "O feedback do treinador em tempo real é fundamental para nos mostrar se estamos praticando a atividade de forma correta", diz. E ela, que antes só corria na esteira, já se prepara para alçar voos mais altos. "Minha próxima meta é participar da maratona de Buenos Aires. Eu me sinto preparada."

O educador físico Thiago Vilella (à direita), da V-Run, alerta: 'A ocorrência de lesões nas fases iniciais dos treinos é comum e requer um longo período de recuperação'  (Rogério Sol/Encontro)
O educador físico Thiago Vilella (à direita), da V-Run, alerta: "A ocorrência de lesões nas fases iniciais dos treinos é comum e requer um longo período de recuperação"
O auxílio de profissionais qualificados evita que o esportista corra maiores riscos. Isso porque treinos equivocados podem trazer graves prejuízos à saúde, além de deixar o corredor frustrado por não alcançar os seus objetivos. À frente da assessoria esportiva V-Run desde 2008, o educador físico Thiago Rodrigues Gomes Vilella, de 33 anos, alerta: "A ocorrência de lesões em atletas amadores nas fases iniciais dos treinos é comum e requer longo período de recuperação", diz. As lesões mais recorrentes são em joelhos, pernas, tornozelos e planta do pé, motivo pelo qual a relação frequência, duração e distância percorrida deve ser pensada cuidadosamente. "Por isso é tão importante respeitar os limites de cada um", diz. Em Belo Horizonte, o custo mensal de uma assessoria especializada em corrida varia entre 130 e 200 reais.

O sucesso desse tipo de serviço fez surgir alguns grupos bastante especializados. É o caso do Galo Runners, formado por torcedores do Clube Atlético Mineiro. "Somos uma grande família. Além de corrermos juntos, fazemos amizades duradouras", afirma a advogada Sara Sato, de 42 anos, que começou a correr na rua quando buscava uma forma de aliviar a tensão do trabalho e das atividades acadêmicas. Ex-praticante de vôlei e krav magá, ela já participou de 67 provas, entre elas meias maratonas. "Depois que descobri o Galo Runners, intensifiquei meus treinos", afirma. Cofundador do grupo, o engenheiro João Batista Mendes Filho, de 32 anos, conta que tudo começou como uma brincadeira. "No início do ano passado, eu e alguns amigos nos reunimos e começamos a correr com a camisa do clube. Nosso objetivo era praticar esporte de uma forma divertida", diz. Uma vez por ano, os participantes se reúnem para competir na Corrida do Galo, considerada a maior corrida de clubes do país. Em agosto, foram 7.500 participantes, com largada na praça da Estação. "Não somos uma assessoria de esportes. Mas orientamos cada integrante a treinar de forma individual para participar da prova coletiva", diz.
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EDIÇÃO 55 | Julho de 2017