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Miopia deve afetar 50% dos brasileiros em 2050

Os dados preocupantes chamam a atenção para esse problema da visão, que é muito comum no mundo

Da redação com Assessorias - Redação Publicação:27/03/2017 12:21
A miopia, dificuldade de enxergar à distância, atinge hoje 1 bilhão de pessoas e está piorando no mundo todo. A Organização Mundial da Saúde estima que em 2050 metade da população global seja míope. No Brasil,  a prevalência deve passar de 27,7% em 2020 para 50,7% em 2050, conforme estudo publicadao por pesquisadores da Academia Americana de Oftalmologia.

De acordo com o  oftalmologista Leôncio Queiroz Neto, do Instituto Penido Burnier, em Campinas (SP), a alteração miópica geralmente é permanente. "Se nada for feito para interromper a progressão, vamos ter um aumento exponencial de graves doenças oculares", afirma o especialista. Isso porque, segundo ele, a miopia acima de seis graus aumenta o risco de catarata e outras doenças, como o descolamento da retina, glaucoma e maculopatia miópica – estão são algumas das principais causas de perda permanente da visão.

Queiroz Neto explica que o uso de óculos corrige a dificuldade de enxergar, mas não interrompe a evolução do grau, que é mais intensa na infância e início da adolescência.
Como mostra o oftalmologista, o uso de óculos funciona para corrigir a dificuldade de enxergar, mas não interrompe a evolução do grau da miopia  (Pixabay)
Como mostra o oftalmologista, o uso de óculos funciona para corrigir a dificuldade de enxergar, mas não interrompe a evolução do grau da miopia

A boa notícia é que pesquisas feitas em diversas partes do mundo mostram que a progressão da miopia em crianças pode ser interrompida, desde que o tratamento seja feito o quanto antes. O oftalmologista afirma que de todos os medicamentos testados, o mais eficaz é o colírio de atropina, na concentração de  0,01%. Em uma pesquisa realizada com crianças de 6 a 12 anos, que foram acompanhadas por um período de cinco anos, o remédio reduziu em 50% a progressão da miopia já no segundo ano de uso, e causou pouco efeito adverso (visão embaçada, ardência e aversão à claridade).

Segundo o  médico, a atropina é indicada para tratar estrabismo, uveite e irite, além de ser utilizada na paralisação de dois músculos oculares: o esfíncter ocular, responsável pela dilatação/contração da pupila, e os músculos ciliares, responsáveis pelo foco visual. É a paralisação desses músculos que evita o aumento do comprimento axial do olho, característico da miopia mais drástica.

Queiroz Neto alerta que, no Brasil, a atropina não é aprovada para controlar a miopia, mas pode ser usada de forma "off label". Significa que o médico pode indicar a atropina para uma finalidade não prevista na bula, como acontece com vários medicamentos, entre eles, o ácido acetilsalicílico, indicado na prevenção de infarto.

Risco da tecnologia

O especialista lembra os pais sobre o perigo do "abuso" das telas eletrônicas. Isso porque um estudo feito por Queiroz Neto com 360 crianças mostra que, na infância, o excesso de tecnologia e esforço visual para ler de perto provoca a miopia acomodativa. Trata-se de uma dificuldade temporária de enxergar à distância causada pelo estresse da musculatura ciliar.

Caso os hábitos não sejam modificados, de acordo com o médico, isso pode levar à miopia permanente. Portanto, a recomendação para crianças é descansar de 15 a 30 minuto a cada hora de uso do computador, do videogame ou de outro equipamento eletrônico com tela.

Uma pesquisa da Academia Americana de Oftalmologia também revela que uma hora por dia de atividade ao ar livre, preferencialmente durante a manhã ou no final da tarde, quando a radiação UV (ultravioleta) é mais baixa, também contribui para o controle da miopia. Queiroz Neto esclarece que a exposição ao Sol estimula a produção de dopamina ocular e os neurotransmissores da retina responsáveis pela modulação das imagens.
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EDIÇÃO 55 | Julho de 2017