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Estudo mostra que consumo de café aliado à suplementação de cafeína não interfere no desempenho dos atletas

Até então, esportistas evitavam o café quando ingeriam suplemento de cafeína

Da redação - Redação Publicação:09/06/2017 12:41
É sabido que, ingerida na forma de suplemento, a cafeína é capaz de melhorar a performance de atletas. Um novo estudo, porém, derruba o mito de que o consumo habitual de café atrapalharia o desempenho esportivo daqueles que já usam essa substância. A pesquisa foi feita com ciclistas na Escola de Educação Física e Esporte da USP e mostrou que qualquer perfil de consumo habitual da bebida, bem como aqueles que não a consumiam, mantiveram semelhante desempenho físico quando tomavam o suplemento de cafeína.

Os resultados sugerem que o atleta não precisa abrir mão do prazeroso momento proporcionado pelo cafezinho, no dia a dia, se quiser obter êxito nos treinos e nas competições, esclarece Bruno Gualano, fisiologista e coordenador da pesquisa. Isso porque o senso comum afirmava que pessoas que tinham o hábito de consumir café poderiam ter baixo rendimento físico caso fizessem suplementação de cafeína. Em períodos que antecediam competições, inclusive, os esportistas deixavam ou diminuíam o consumo de café porque ficavam preocupados com o desempenho. Na verdade, muitas vezes, isso acabava trazendo outros prejuízos aos competidores, especialmente devido à síndrome de abstinência da cafeína no organismo (dor de cabeça, mal-estar, sonolência, entre outros sintomas).
Pesquisador da USP descobriu que o consumo diário de café juntamente com a suplementação de cafeína não interferiu no desempenho físico de atletas (Pixabay)
Pesquisador da USP descobriu que o consumo diário de café juntamente com a suplementação de cafeína não interferiu no desempenho físico de atletas

O estudo

A pesquisa da USP trabalhou com 40 ciclistas que tinham o objetivo de completar uma prova de 16 km. A ideia do fisiologista Bruno Gualano era investigar os efeitos da ingestão habitual de café nas respostas ao suplemento de cafeína no exercício aeróbio. Assim, uma parte dos ciclistas foi suplementada com cápsulas de cafeína (6 mg), enquanto outra parte ingeriu cápsulas de placebo uma hora antes da realização da atividade física.

Os participantes foram então divididos em três grupos, de acordo com a frequência de consumo de alimentos que continham cafeína – no primeiro, os ciclistas tinham o hábito de tomar até oito xícaras de café por dia; no segundo grupo, o consumo era de até três xícaras diárias; e no terceiro, não tomavam café.

Como resultado, o pesquisador verificou que todos os participantes tiveram melhora no desempenho físico, independentemente da quantidade de café que ingeriam no dia a dia. Ou seja, os efeitos do desempenho da suplementação aguda de cafeína (6 mg) não foram influenciados pelo nível de consumo habitual de café.

Bruno Gualano alerta, no entanto, para a necessidade de mais estudos do tipo, que envolvam participantes também do sexo feminino, com diferentes idades e diferentes graus de condicionamento físico. No grupo estudado, todos eram jovens do sexo masculino e praticantes intensos daquela modalidade esportiva.

(com Jornal da USP)
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EDIÇÃO 55 | Julho de 2017