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Sabia que uma dor crônica pode ser psicológica?

Especialista fala sobre essa reação do corpo que pode estar ligada a um problema real ou ao condicionamento

Da redação com Assessorias - Redação Publicação:10/07/2017 14:50
A dor envolve diversos aspectos biológicos, psicológicos e sociais. De acordo com a Medicina, trata-se de uma sensação desagradável, uma espécie de sentimento e uma forma de reagir, portanto, a um comportamento. É a maneira que o corpo encontra para dizer que algo está errado.

"Quando alguém fala que tem dor, pode estar falando de várias coisas, referindo-se a conceitos diferentes: nocicepção, mecanismo ou outro estímulo que age nos receptores da dor para dar atividade às fibras nervosas; percepção da sensação; sofrimento ou emoção sem prazer gerada nos centros nervosos superiores; comportamento de dor, todas as ações que temos para entender e comunicar a dor; e contexto social, onde o comportamento de dor ocorre", explica a psicóloga Dirce Maria Navas Perissinotti, diretora administrativa da Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor.
 (Pixabay )

Como mostra a especialista, todos esses conceitos ocorrem simultaneamente. "As vias nociceptivas, o sistema biológico, precisam estar íntegras para que a percepção da dor esteja a contento. O sofrimento também deve ser considerado, já que interfere na maneira como o sistema biológico irá funcionar. E o mesmo ocorre com respeito ao contexto social. Alguém que sofre intenso estresse social não tem as mesmas condições de responder aos apelos biológicos da mesma maneira se não estivesse nessas condições", completa a psicóloga.

A escala da dor depende, portanto, de inúmeros fatores, e existem tratamentos para ela que dependem do maior problema apresentado, se relacionado ao sistema biológico, ou se à percepção da dor ou ao contexto psicológico. No entanto, todos os elementos andam juntos, não há como separá-los.

"Na dor crônica, salientam-se os fatores relacionados à frustração e ao sentimento de impotência, o que acaba por induzir mais facilmente a tendência à depressão e à ansiedade, muito comuns em pacientes com dor crônica e pouco tratados. Sim, a dor crônica pode ser psicológica e isso não quer dizer que ela não exista. Não é coisa da cabeça! Não é simulação", ressalta Dirce Perissinotti.

Segundo a especialista, a dor psicológica existe porque, uma vez que o sistema biológico se encontra 'ativo', ele se habitua em responder do mesmo jeito aos estímulos, devido ao condicionamento. "A medicação, na maior parte das vezes, auxilia para que ocorra um certo apaziguamento do sistema de resposta da dor. Na maioria dos casos, sendo dor aguda ou crônica, o sofrimento, a percepção da dor e o contexto social, se não alterados, irão retroalimentar o condicionamento e fixar cada vez mais a mesma resposta. Os tratamentos psicológicos ajudarão a modificar tais condicionamentos para que, com o auxílio da medicação, haja possibilidades de se aprender a modificar as respostas, criando outras mais eficazes", esclarece a psicóloga.
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EDIÇÃO 55 | Julho de 2017