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Pesquisa da Embrapa consegue enriquecer peixe com ômega-3

Tambaqui alimentado com ração à base de planta amazônica incorporou esse importante nutriente

Da redação com Assessorias - Redação Publicação:20/07/2017 14:06
Uma pesquisa desenvolvida na Embrapa Amazônia Ocidental, no Amazonas, conseguiu resultados promissores ao elevar a quantidade de ômega-3 presente no peixe da espécie tambaqui (Colossoma macropomum) – nativo da região e muito consumido no país. Rações enriquecidas com a planta amazônica sacha inchi (Plukenetia volubilis), rica em ácido linolênico (o ácido graxo ômega-3), foram fornecidas aos animais ainda na fase juvenil e eles absorveram o nutriente.

Trata-se de um importante passo para agregar valor nutricional ao peixe, uma vez que o ômega-3, relacionado ao combate de doenças cardíacas, está naturalmente presente em maiores quantidades em algumas espécies de peixes de águas frias, e o tambaqui, nativo da bacia amazônica, possui pouca quantidade desse nutriente. 
Pesquisa da Embrapa Amazônia Ocidental conseguiu incorporar ômega-3 a peixes tambaquis mais jovens, por meio de enriquecimento da ração (Felipe Santos da Rosa/Embrapa/Divulgação)
Pesquisa da Embrapa Amazônia Ocidental conseguiu incorporar ômega-3 a peixes tambaquis mais jovens, por meio de enriquecimento da ração

A sacha inchi é uma planta nativa da Amazônia, cultivada comercialmente em regiões do Peru e com potencial de produção no Brasil. No nosso país vizinho, agricultores têm se organizado em cooperativas com a finalidade de produzir a planta para atender à demanda da indústria de óleo, que é rico em vitaminas A e E, além de ácidos graxos poli-insaturados, como os ômegas 3, 6 e 9 – são relacionados à prevenção de doenças cardiovasculares.

De acordo com Jony Dariki, pesquisador da Embrapa Amazônia, houve um bom desempenho produtivo dos tambaquis jovens alimentados com as rações experimentais elaboradas com três partes da sacha inchi (sementes, folhas e refugo da extração de óleo). Também foram registradas alta taxa de sobrevivência e boa aceitação das rações experimentais. "O melhor resultado foi obtido com a ração elaborada com a inclusão das sementes. No grupo alimentado com esta ração, além do crescimento houve um acréscimo de ácidos graxos poli-insaturados na carcaça dos animais, especialmente o ácido linolênico (ômega-3) e, desta forma, foi comprovada a agregação do valor nutricional no peixe", comenta Dariki.

Nos experimentos, foram avaliados peixes juvenis que, ao término dos ensaios, pesavam cerca de 30 gr. Essa fase engloba o período em que o animal ainda não atingiu 100 gr de massa, também chamada de fase de recria. Ainda que as avaliações sejam feitas na fase inicial de criação do tambaqui, os resultados positivos abrem perspectivas para que novas investigações avaliem a inclusão da planta em rações para as outras fases de maturação do peixe. O pesquisador da Embrapa pretende conduzir futuros experimentos com peixes maiores, em fase de engorda ou terminação (próximo ao abate), para comparar os resultados.

Alternativa nutricional

Existem pesquisas desenvolvidas pela Embrapa com o propósito de encontrar  ingredientes não convencionais para inclusão nas rações de peixes, principalmente para o tambaqui, que é a principal espécie de peixe nativa criada em âmbito nacional. Ele é um peixe onívoro, ou seja, se alimenta tanto de ingredientes de origem animal quanto vegetal. Nas rações não convencionais, a meta é agregar valor nutricional e reduzir custos, mantendo condições de bom desempenho zootécnico e de boa qualidade do produto final.

A ração é o item mais oneroso no sistema de produção do tambaqui. "Para diminuir o custo, as fábricas de ração costumam utilizar fontes lipídicas de baixa qualidade e o peixe reflete essa condição em sua musculatura. Isso motivou a pesquisa a agregar valor nutricional à composição corporal do peixe com ingredientes ricos em ácidos graxos poli-insaturados", explica o pesquisador Jony Dariki.

(com Embrapa Notícias)
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EDIÇÃO 55 | Julho de 2017