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Açafrão-da-terra pode ajudar a combater a infecção generalizada

Testes feitos na USP descobriram que a curcumina ajuda o organismo a tratar a sepse

Publicação:03/08/2017 15:49

Mais conhecida como açafrão-da-terra, a cúrcuma é uma especiaria originária do continente asiático. Para além do uso culinário, ela já é adotada há milhares de anos na Índia como erva medicinal. Ao testar uma das substâncias da cúrcuma, a curcumina, pesquisadores das Faculdades de Odontologia de Ribeirão Preto e de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto, ambas da USP, verificaram que o "tempero" também promove benefícios contra a sepse – infecção generalizada. Os resultados foram publicados em edição recente da revista científica Pharmaceutical Byology.

 

Vários estudos já descreviam as propriedades anti-inflamatórias, antioxidantes e até anticancerígenas da curcumina. Agora, os cientistas conseguiram aumentar as taxas de sobrevivência em animais de laboratório com sepse utilizando uma solução à base da especiaria. Esses animais viveram 20% a mais que os demais, além de apresentar redução considerável nos níveis de citocinas pró-inflamatórias (moléculas do sistema imunológico que respondem a processos inflamatórios) no sangue.

 

Segundo Carlos Henrique Rocha Catalão, um dos pesquisadores responsáveis pelo estudo, foi utilizada uma dosagem de curcumina não prejudicial aos ratos sépticos. Ao contrário, ela "aumentou temporariamente a sobrevida". Por não encontrarem a substância no plasma dos animais 24 horas após o choque séptico, os cientistas sugerem que a curcumina pode ter sido distribuída pelos tecidos do organismo animal e exercido suas propriedades terapêuticas.

A curcumina presente no açafrão-da-terra já é usada para fins terapêuticos, principalmente na Índia, e, agora, testes na USP mostram que ela pode ajudar contra a sepse (Pixabay)
A curcumina presente no açafrão-da-terra já é usada para fins terapêuticos, principalmente na Índia, e, agora, testes na USP mostram que ela pode ajudar contra a sepse
 

Para o Catalão, mesmo se tratando de pesquisa em modelo animal, os resultados "devem estimular mais estudos in vivo, que são necessários para esclarecer o efeito da curcumina, especialmente na produção de óxido nítrico durante a sepse".

 

No sistema imunológico, o óxido nítrico tem a função de combater a infecção, mas em alta produção – como a que acontece na sepse – pode ser prejudicial. Neste estudo, os pesquisadores observaram que a curcumina, ao contrário do que imaginavam, aumentou os níveis do óxido nítrico no plasma dos ratos. Assim, são necessários outros estudos em relação às doses de curcumina que promovem ação oxidante ou antioxidante.

 

(com Jornal da USP)

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EDIÇÃO 57 | Setembro de 2017