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Celulares e tablets estão aumentando casos de miopia em crianças

O uso excessivo desses dispositivos leva à perda da capacidade de focar ao longe

Da redação com Assessorias - Redação Publicação:15/08/2018 14:54Atualização:15/08/2018 15:15

As crianças de hoje já convivem com a chamada "era da tecnologia", tendo facilidade para lidar com computadores, smartphones e tablets. Desde pequenos são estimulados a usar dispositivos eletrônicos. Mas os oftalmologistas advertem: o excesso de contato com telas iluminadas pode acelerar o aparecimento da miopia – quando a criança se esforça em focar de perto e perde a capacidade de enxergar ao longe.

 (Pixabay)
 

De acordo com o oftalmologista Renato Neves, diretor-presidente do Eye Care Hospital de Olhos, de São Paulo (SP), o acesso facilitado às novas tecnologias vem reforçando uma tendência averiguada nos últimos 15 ou 20 anos. "A miopia entre crianças já vinha aumentando consideravelmente por uma questão de mudança de comportamento de pais e filhos. Não é de hoje que, por questões de segurança e comodidade, as crianças passam a maior parte do tempo brincando dentro de casa. Sendo assim, a televisão e depois o videogame já eram um entretenimento que limitava a visão ao que estava próximo. Nos últimos anos, como ficou mais fácil o acesso a dispositivos eletrônicos, o aumento da miopia passou a ser sentido com mais frequência. Mas não só isso: o uso prolongado de tablets e smartphones também tem mostrado aumento na incidência de casos de estrabismo [desvio dos olhos]", comenta o médico.

 

Em relação à miopia, o especialista lembra que a dificuldade de enxergar o que está distante pode impactar significativamente o desempenho escolar da criança, já que ela terá dificuldade para acompanhar o que o professor escreve no quadro, ainda mais se não estiver nas primeiras fileiras. "Algumas crianças com baixo desempenho escolar, que foram diagnosticadas com miopia e passaram a usar óculos, mudaram completamente o comportamento em relação aos estudos, se mostrando muito mais interessadas", diz o oftalmologista.

 

Renato Neves recomenda que seja feito um acompanhamento profissional desde cedo. "Embora os bebês não possam cooperar, um exame oftalmológico é necessário por volta dos 6 meses de idade. Neste caso, a retinoscopia é usada para diagnosticar erros de refração, como hipermetropia, miopia e ambliopia [síndrome do olho preguiçoso]. Depois, por volta dos 3 aos 5 anos de idade, a criança já pode ser examinada dentro dos padrões convencionais. A próxima consulta deve acontecer assim que a criança começa o processo de alfabetização, para justamente oferecer tratamento em caso de alguma necessidade apresentada em sala de aula. Depois disso, a cada três anos vale a pena fazer um exame clínico, intensificando as consultas com o oftalmologista no ensino médio, quando o preparo para o vestibular pode impactar significativamente a acuidade visual", afirma o especialista.

 

O médico diz ainda que, nos primeiros anos de vida, a correção da miopia é realizada por meio dos óculos. Ainda assim, o uso de lentes de grau nessa idade não impede a progressão do problema, que deve ser reavaliado periodicamente. Quando a criança atinge a adolescência é possível migrar dos óculos para as lentes de contato – pais devem estar atentos aos cuidados que as lentes necessitam. Depois dos 18 anos, a cirurgia refrativa surge como opção para quem quer se livrar de óculos ou das lentes de contato. Com uso do laser, a córnea é remodelada para fazer com que a luz seja focada corretamente na retina.

 (Pixabay)

"A maioria das pessoas com miopia não têm complicações mais graves. Mas cerca de 10% desses pacientes apresentam 'alta miopia'. Neste caso, eles têm de ser devidamente acompanhados ao longo da vida, porque existe um risco considerável de desenvolverem outras doenças oculares, como glaucoma, catarata, degeneração macular e descolamento da retina", esclarece Renato Neves.

 

Para evitar que as crianças ternham miopia ao usar de forma excessiva os dispositivos eletrônicos, o médico aconselha: "É fundamental brincar ao ar livre, passar um tempo olhando ao longe e recebendo luz natural. Até mesmo crianças que passam muito tempo dentro de casa ou da escola devem ser estimuladas a parar, de vez em quando, e focar objetos distantes. Além disso, os pais devem estar bastante atentos a quantas horas por dia a criança passa lidando com tablets e smartphones. Afinal, para focar o que está bastante próximo, o globo ocular acaba sofrendo uma deformidade para melhor se adaptar e, por consequência, a criança passa a ter mais dificuldade de enxergar ao longe".

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EDIÇÃO 67 | outubro