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Pesquisadores da USP criam novo tratamento para fibromialgia

Técnica mistura laser e ultrassom em aplicações feitas apenas nas mãos

Da redação - Redação Publicação:22/08/2018 13:18

Pacientes que sofrem com a fibromialgia, representada pela dor e pela fraqueza muscular generalizadas, podem minimizar os sintomas por meio de novo equipamento, que une o laser de baixa intensidade ao ultrassom terapêutico. Curiosamente, a aplicação feita nas palmas das mãos, e não nos pontos de dor espalhados pelo corpo, apresenta maior ação analgésica e anti-inflamatória, segundo estudo feito pelo Centro de Pesquisas em Óptica e Fotônica da USP e publicado no periódico científico Journal of Novel Physiotherapies.

 

Pesquisadores conseguiram a redução da dor, e os pacientes também tiveram melhora no sono, na capacidade de executar tarefas cotidianas e na qualidade de vida como um todo. O tratamento dura três minutos na palma da mão, num total de 10 sessões, duas vezes por semana.

 

"São duas inovações no mesmo estudo: o equipamento e o protocolo de tratamento. Ao fazer a emissão conjugada de ultrassom e laser conseguimos normalizar o limiar de dor do paciente. Já o tratamento na palma das mãos contrapõe o tipo de atendimento feito hoje, muito focado nos pontos de dor", comenta o pesquisador Antônio Eduardo de Aquino Junior, um dos autores do artigo, em entrevista para a Agência Fapesp.

 

O estudo foi realizado com 48 mulheres de 40 a 65 anos diagnosticadas com fibromialgia. Elas foram divididas em seis grupos. Três grupos receberam emissões de laser, ultrassom ou a conjugação de ultrassom e laser na região do músculo trapézio. Os outros três grupos tiveram como foco do tratamento as palmas das mãos.

 (Pixabay )
 

Os resultados mostram que o tratamento realizado nas mãos foi mais eficiente para os três tipos de técnicas, sendo que a combinação de laser e ultrassom ofereceu melhoras significativas aos pacientes.

 

Pontos sensíveis

 

A ideia de testar os efeitos do novo equipamento em aplicações na região das mãos surgiu a partir da revisão de literatura científica. "Estudos anteriores indicaram que pacientes com fibromialgia apresentam quantidade maior de neurorreceptores próximos aos vasos sanguíneos das mãos. Alguns pacientes chegam a ter até pontos vermelhos nessa região. Por isso, mudamos o foco e testamos a atuação direta nessas células sensoriais das mãos e não só nos chamados pontos de gatilho de dor, como o músculo trapézio, região normalmente de muita dor para pacientes fibromiálgicos", afirma a fisioterapeuta Juliana da Silva Amaral Bruno, co-autora do estudo, também à Agência Fapesp.

 

Ainda conforme a pesquisa da USP, a ação nas mãos tem resultado em todos os pontos de dor no corpo dos pacientes. O mesmo grupo publicou outro artigo, também no Journal of Novel Physiotherapies, sobre um estudo de caso da aplicação do equipamento nos pontos de dores. Embora os resultados desse primeiro estudo tenham sido satisfatórios, não foi possível reduzir a dor da paciente de modo global.

 

"Os resultados da aplicação de ultrassom e laser conjugados nos pontos de dor, como o músculo trapézio, foram extremamente positivos, mas eles não conseguiam atingir as outras principais inervações afetadas pela doença. Já o tratamento na palma das mãos teve um resultado global, restabelecendo a qualidade de vida dos pacientes e, claro, eliminando a dor", comenta Juliana Bruno.

 

De acordo com o estudo, a normalização de fluxo sanguíneo tanto periférico como cerebral a partir das áreas sensíveis das mãos promove, ao longo das sessões, a normalização do limiar de dor do paciente. "É importante lembrar que isso não é uma cura, mas uma forma de tratamento em que não é necessário fazer uso de medicamentos", alerta Antônio Aquino.

 

A fibromialgia, também chamada de Síndrome de Joanina Dognini, é uma doença crônica invisível que atinge de 3% a 10% da população mundial, tendo maior ocorrência em mulheres. Apesar das dores constantes em quase todo o corpo, os pacientes não apresentam lesão, inflamação ou degeneração dos tecidos. A doença também está envolta em outros dois mistérios: ainda não se sabe a causa e muito menos a cura para ela.

 

O tratamento padrão é feito a partir da prática de atividade física, anti-inflamatórios, analgésicos e terapia psicológica, já que os pacientes costumam apresentar ainda um cansaço extremo, dificuldade para se concentrar, tonturas e quadros de depressão e ansiedade.

 

(com Agência Fapesp)

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EDIÇÃO 65 | agosto