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Homens e saúde: só 35% dos atendimentos na Atenção Primária são para eles

Barreiras socioculturais interferem na prevenção à saúde e, em muitos casos, eles pensam que não ficam doentes ou têm medo de descobrir alguma alteração no organismo

Agência Brasília - Redação Publicação:16/07/2019 15:57

A turma do sexo masculino se preocupa menos com a saúde, reza a lenda. Mas isso parece não ser mito: nos últimos 12 meses, apenas 35% do total de atendimentos feitos nas unidades básicas de saúde do Distrito Federal foram para eles. A realidade é a mesma em todo o Brasil, segundo pesquisa do Ministério da Saúde: quase um terço dos homens não procuram auxílio na prevenção de doenças e na melhoria da qualidade de vida.

 

De acordo com a mesma pesquisa, as barreiras socioculturais interferem na prevenção à saúde e, em muitos casos, os homens pensam que não ficam doentes ou têm medo de descobrir alguma alteração no organismo.

 

Segundo a Política Nacional de Saúde do Homem (PNAISH), a doença é considerada um sinal de fragilidade e os homens não reconhecem como inerentes à sua própria condição biológica.

 (Shopify/Divulgação )
 

 “Outra questão sempre apontada é que, por trabalharem fora, não sobra tempo para procurar uma unidade de saúde. Pensando nisso, desde 2017, o DF conta com unidades de saúde com horário de atendimento estendido, das 7h às 19h de segunda a sexta-feira, e das 7h às 12h nos sábados”, observa. Atualmente, 59 unidades de todas as regiões de saúde do DF contam com esse horário diferenciado.

 

 Adoecimento

 

A falta de cuidado faz com que os homens morram mais cedo que as mulheres e de doenças que poderiam ser prevenidas, como acidentes vasculares cerebrais, infartos, câncer e doenças do aparelho digestivo.

 

Segundo Viviane Albuquerque, entre as causas de morte em homens, depois das causas externas, como acidentes e violência, estão as doenças do aparelho circulatório, tumores, aparelho digestivo e respiratório.

 

“O homem é mais vulnerável à violência. Por isso, em dezembro de 2018, foi iniciada, na Região de Saúde Oeste, uma capacitação em saúde mental, com a abordagem da temática da violência, para os profissionais que atuam nos Núcleos Ampliados de Saúde da Família”, conta Viviane. As capacitações ocorrerão durante todo o ano de 2019 e terão continuidade em 2020, com previsão de expansão para as outras regiões de saúde.

 

O uso de álcool e o tabagismo também estão sendo abordados nessas capacitações. “Estima-se que 2% de todas as internações de mulheres por transtornos mentais e comportamentais sejam decorrentes do uso do álcool, enquanto que, entre os homens, esse percentual representa 20% do total de internações”, ressalta.

 

Outra forma utilizada pela Secretaria de Saúde para atrair os homens para as unidades e voltar o olhar para sua saúde é o projeto Paternidade Responsável, por meio da inserção masculina nas consultas de pré-natal.

 

 “Durante o acompanhamento do pré-natal, são realizadas, nos homens, as sorologias para HIV, sífilis e hepatites, além de exames de sangue para verificar taxas como colesterol, glicose e triglicerídeos”, conta Viviane.

 

 É recomendado que os homens realizem consultas periódicas para avaliação física geral com o profissional de saúde, quando podem ser diagnosticados problemas específicos que exijam exames mais apurados.

 

* Com informações da Secretaria de Saúde/DF

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