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Bhaskar: DJ cresceu em Brasília e tornou-se um dos principais nomes da música eletrônica no Brasil

Com 28 anos, artista conta a sua relação com a capital federal e um pouco da carreira

Julyerme Darverson - Publicação:23/12/2019 16:22Atualização:23/12/2019 18:29

Brasília é um verdadeiro celeiro de talentos. Já vimos nascer carreiras de muito sucesso, que marcaram a história da música nacional. Seja com Legião Urbana, Cássia Eller, Capital Inicial, Natiruts, Hamilton de Holanda, Raimundos, GOG, Flora Mattos e tantos outros, sabemos que a capital federal está muito bem representada, independente do estilo. E nessa nova leva vemos surgir nomes como de Bhaskar. Embora seja goiano, o jovem, de 28 anos, é radicado no quadradinho. O DJ nutre um imenso amor pela cidade e foi aqui que deu os seus primeiros passos na carreira. Irmão gêmeo de Alok, que despontou no cenário mundial em 2016, Bhaskar começou a ter mais notoriedade um pouco depois e vem consolidando-se cada vez mais no mercado. Ele é, sem dúvidas, uma das grandes apostas da música eletrônica e um dos artistas brasileiros em ascensão. Encontro Brasília bateu um papo com o artista, que acaba de ser pai e planeja o lançamento do seu primeiro álbum em 2020.

QUEM É 
Bhaskar Achkar Peres Petrillo, 28 anos
Origem: Goiânia, GO






 (Divulgação )
QUEM É
Bhaskar Achkar Peres Petrillo, 28 anos
Origem: Goiânia, GO
 

CARREIRA

 

Bhaskar começou a tocar aos 10 anos por influência dos pais, os DJs Ekanta Jake Peres e Juarez Achkar Petrillo (Swarup), pioneiros do psy trance no país, também idealizadores do festival Universo Paralello. Aos 12 anos, ao lado do irmão Alok, começou a trabalhar profissionalmente com o projeto Lógica. Com 15 anos, começou a produzir as primeiras músicas. Em seguida, aos 17 anos, viajou cerca de 19 países em turnê. Em 2016, após uma pausa, Bhaskar retomou a carreira, desta vez como artista solo.

 

E você se define como parte da vertente Brazilian Bass. O que significa?

 

Brazilian Bass é a denominação que damos ao tentar agrupar um estilo musical dentro da música eletrônica. A música eletrônica é muito ampla: tem House, tem Techno... O Brazilian Bass foi uma característica que colocamos para dar esse nome à sonoridade que é mais brasileira. Muita gente no exterior ouvia o nosso som e não sabia distinguir o que era. Aí começamos a chamar de Brazilian Bass para a galera ter mais ideia de que rumo era aquela música.

 

Você acha que pela questão dos seus pais serem também DJs, terem participado de um movimento grande na música eletrônica, isso influenciou muito na sua carreira?

 

Meus pais sempre foram o espelho de onde eu quis chegar. Eu via que os DJs também podiam ser bem sucedidos e isso mudou muito a minha mentalidade. Para muita gente, DJ era uma profissão de hobby, não uma profissão de verdade. Vendo os meus pais dando certo, isso me deu a motivação para continuar seguindo.  

 

Como foi essa retomada da carreira após sua vinda de Londres?

 

Em Londres foi quando eu dei um tempo na carreira, que eu parei de tocar uns anos. Aí eu voltei ao Brasil morando em Anápolis (GO). Mas eu sempre sentia saudades de Brasília. Estava nos meus planos quando fosse a hora certa. Em 2016, quando decidi fazer esse projeto solo, foi quando mudei de volta para Brasília. Foi quando a coisa andou de outro jeito. Brasília sempre me deixou muito inspirado.

 (Divulgação )
 

E por que você tinha parado?

 

Foi por vários motivos. Pressões da época. A gente foi morar em Londres com um pensamento de fazer a carreira lá fora. Só que não foi do jeito que a gente imaginava. Acabou que tinha outros fatores relacionados e eu precisava dar um tempo para respirar e me encontrar como pessoa. Acabou que, mesmo parado, eu sempre tive algum contato a mais com a música eletrônica. Sempre acompanhei o mercado. Sempre fui voltando aos poucos. Inclusive, fui voltando dando aulas, fazendo outras coisas. Em 2016 foi quando decidi voltar com tudo. Foi a melhor coisa que fiz.

 

 

Em qual momento você percebeu que você estava fazendo sucesso, que sua carreira estava andando como você queria?

 

Acho que essa ficha nunca cai. Na verdade, você vai vendo as coisas acontecendo e vai comemorando passo a passo. Ainda não chegou aquele momento em que eu falo: caramba, eu estou famoso. Não tem nada disso. É muito natural. Como a gente tá no dia a dia, caminhando, conquista por conquista, nunca vai cair a ficha de verdade.

 

E como foi sua carreira em 2019?

 

Foi um ano muito importante para mim. Eu risquei da lista vários eventos e metas que eu tinha desejo de fazer, como tocar no Lollapalooza, Rock In Rio, Experience... Acho que me consolidei muito como artista solo. Uma coisa que a galera consegue ver hoje é a minha personalidade. Foi muito importante para mim.

 

Qual a sensação de ter sido pai recentemente?

 

Foi como uma surpresa, mas veio para me completar. Chegou no momento certo, num momento em que eu estou estabilizado. Foi para mudar minha vida para melhor.

 

Alguma novidade para 2020?

 

Tem várias coisas. Primeiro eu vou tá fazendo minha label, festa própria, que promete várias surpresas para os convidados que forem. E segundo, eu vou tá lançando meu primeiro álbum. No primeiro semestre ainda, que é um projeto que tenho me dedicado bastante. É um projeto que vai mostrar músicas que eu não consigo mostrar lançando algo individualmente. Vai ser um projeto mais completo que eu tenho para mostrar para a galera.

 

AMOR POR BRASÍLIA

 

Nascido em Goiânia, Bhaskar veio para Brasília logo cedo. Ficou até os 5 anos na cidade. Em seguida, foi para a Holanda, onde ficou até os 9 anos. Voltou ao Brasil para morar em Alto Paraíso (GO) e, aos 12 anos, radicou-se em Águas Claras (DF). Morou por um tempo em Londres até retornar para Brasília, em 2016.

 (Divulgação )
 

Qual a sua relação com Brasília?

 

Eu me considero mais brasiliense do que goiano. Cresci aqui. Criei minha personalidade aqui. Fui enraizado com a cultura de Brasília, tanto que meu sotaque é mais brasiliense do que goiano. Eu tenho muito as duas cidades no coração. Mas Brasília é a cidade que eu considero mais a minha casa. Então eu tenho um prazer enorme de ser daqui.

 

O que a cidade influenciou na sua carreira musical?

 

Acho que Brasília, por mais que hoje todo mundo fale que o hub musical seja São Paulo ou Rio, ela tem essa raiz de ter dito grandes artistas. Então já tem uma expectativa maior em relação aos músicos que vem daqui. Na verdade, eu vejo que Brasília em si foi uma cidade que me deixou muito a vontade para eu criar. A qualidade de vida é tão boa, para mim, que me deixa inspirado. E essa é a parte mais importante.

 

Tem algum lugar especial que você goste de visitar na cidade?

 

Moro hoje no Sudoeste, mas fui criado em Águas Claras, a cidade que tenho no coração. Eu fui para lá antes de Águas Claras ser o que é hoje. Vi todas as etapas, fui crescendo ali. Todos os meus amigos surgiram dali.

 

Qual a lembrança mais marcante que você viveu aqui na cidade?

 

Foram várias. As festas que eu tocava em início de carreira, aqui em Brasília, sempre tiveram uma representatividade muito grande para mim. Até os eventos que estou fazendo hoje em dia, como o Na Praia, Surreal, Pavilhão Luz, que marcam muito. Brasília me abraça muito. Isso sempre foi muito importante para a minha carreira.

 

 

Você já morou em outras cidades mundo a fora. Para você, qual o diferencial de Brasília em relação às outras cidades que você já morou?

 

Acho que Brasília tem tudo que uma capital, uma cidade grande, deveria ter, mas com uma qualidade de vida muito mais tranquila. Todo mundo que chega aqui de fora sente uma paz. Por mais que seja uma metrópole, é um lugar muito mais leve.

 

E como é a sua relação com outros artistas da cidade?

 

Eu acho que conheço vários DJs da cidade, mas por sempre tá rodando o Brasil, tenho mais contatos com artistas de outras cidades. Sou grande apreciador dos DJs daqui, que tem muita gente talentosa, e também das bandas. Esses dias conheci o pessoal do Scalene, que são daqui, pessoas que tem uma inspiração a mais.

 

Já pensou em fazer algo com o pessoal do Scalene?

 

Já desenhei algumas coisas com eles, até com o Gustavo, o vocalista, que tem um trabalho solo em inglês. Às vezes rola alguma coisa.

 

 

UNIVERSO PARALELLO

 

Filho dos fundadores do festival Universo Paralello, que completa 20 anos em 2019, e produtor do evento, Bhaskar se prepara para uma incrível apresentação solo e traz o projeto Lógica em um show especial, ao lado do irmão Alok. O público poderá conferir as apresentações entre os dias 28 de dezembro e 3 de janeiro, no Festival Universo Paralello, em Ituberá (BA). Veja mais sobre o evento clicando aqui

Os irmãos Alok e Bhaskar retomam o projeto Lógica em apresentação especial no Universo Paralello 2019 (Daniel Jorjin/Divulgação)
Os irmãos Alok e Bhaskar retomam o projeto Lógica em apresentação especial no Universo Paralello 2019
 

Você falou que, no Universo Paralello, você vai apresentar algo de novo. Quais são essas novidades?

 

Eu vou tocar duas vezes. Primeiro como Bhaskar, e depois como Lógica, projeto que vou trazer de volta, junto com o Alok, no palco principal. Acho que lá é um lugar que a gente consegue se expressar diferente musicalmente. Todo mundo que tá ali está interessado em ouvir o que eles ouvem no dia a dia, nas festas que eles vão. Tá todo mundo muito aberto para as novas musicalidades. Lá irei fazer um set bem legal. Em relação ao Lógica, é sempre muito legal tocar. Eu e o Alok nunca tocamos juntos como Lógica, mas como o festival é a nossa casa, a gente se sente a vontade para isso.

 

Na sua opinião, você acha queo festival tem essa energia por quê?

 

Eu sempre falo que as pessoas que estão ali querem estar ali. Você vai ter que acampar num calor de 35 graus na Bahia. É uma experiência que você tem que se entregar mesmo. Quem tá ali realmente quer estar ali. Isso faz com que as pessoas estejam com a energia boa.

 

Como que é fazer um evento rodeado de amigos e familiares?

 

É um sonho. A gente sempre fala que o Universo Paralello é um negócio de família, nunca foi uma empresa que a gente pensou em dar certo. O festival nasceu aos poucos. Cada ano eu fui podendo participar mais. E o clima é tão leve, com vários bichos andando e próximo da praia, que o cenário paradisíaco fica ainda mais incrível.

 

Estamos chegando ao fim de mais um ano. Na virada, você tem algum ritual durante a passagem do ano?

 

Por ter sido criado no Universo Paralello, eu não consigo me imaginar sem tá em uma festa com muitos amigos e uma vibe boa. É meio que ritualístico isso que eu tenho. Esse ano vou tá no Universo Paralello vários dias. Mas a virada mesmo eu vou fazer um show em Fernando Noronha. Para mim, é importante, também, tá dividindo meu tempo como produção do Universo Paralello e DJ. Eu vou tá dividindo bem esses dias.


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