Poluição pode prejudicar atividades físicas; entenda os riscos
Mesmo quando invisível, a poluição é uma grande inimiga das práticas esportivas, podendo tanto prejudicar o desempenho físico quanto causar danos sérios à saúde, incluindo infartos e câncer de pulmão
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Cada pessoa reage de maneira diferente aos poluentes, mas os sintomas identificados com mais frequência são vermelhidão e irritação nos olhos e garganta, sensação de secura no nariz e na boca, assim como cansaço excessivo. Contudo, são as consequências que não conseguimos ver ou sentir na hora que causam os piores danos.
“Embora a poluição atmosférica, mesmo isoladamente, já aumente o risco de doenças cardiovasculares, quando associada à exposição ao tráfego intenso e o estresse advindo desses agentes, ocorre uma potencialização do risco de infarto do miocárdio”, pontua. Além disso, a poluição também pode ser responsável pelo aumento da incidência de bronquite crônica, baixo peso de bebês, abortos e até câncer de pulmão. “O risco desse câncer aumenta em torno de 30% e o de abortos 25%”, destaca o cardiologista.
Desempenho afetado
Assim como a saúde perde, o desempenho atlético também é afetado pela poluição presente no ar. Um estudo feito pela pesquisadora brasileira e doutora em Fisiologia e Imunologia do Exercício para a Edinburgh Napier University, da Escócia, Elisa Couto Gomes, confirmou que o ozônio – um dos poluentes mais presentes na atmosfera – quando combinado ao calor e umidade afeta em muito a performance de esportistas.
Dez atletas profissionais de alta performance participaram do experimento, sendo submetidos a corridas de 8 quilômetros em quatro ambientes diferenciados. O resultado identificou que quando os atletas eram expostos à grande concentração de ozônio, calor e umidade eles tinham uma piora de desempenho de, em média, 33 segundos. “Para um atleta de elite isso é uma piora muito grande”, destaca.
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“É interessante e relevante para o Brasil que quando o calor é adicionado à equação a queda de desempenho é exacerbada. Além disso, no ambiente em que havia calor, umidade e ozônio, ainda houve um maior dano no epitélio pulmonar e diminuição de antioxidantes pulmonares”, afirma. Mesmo sem o acréscimo do calor ou umidade, as presença do ozônio no segundo ambiente já foi suficiente para implicar em uma queda média de 12 segundos nas performances dos atletas.
A queda no desempenho foi uma das consequências pontuais identificadas pelo estudo de Gomes, que agora parte em busca de outros impactos sentidos a longo prazo pelo organismo.
Outros vilões
A pesquisadora ainda chama a atenção para a presença de outros poluentes na atmosfera. “O ozônio é um gás altamente oxidante. Outros poluentes, como o material particulado, têm a mesma propriedade. Quando as pessoas são expostas a um coquetel de poluentes, como os encontrados nos grandes centros urbanos, a gente pode ter esse efeito exacerbado”. Ela também lembra que grandes capitais brasileiras como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Curitiba possuem taxas de incidência de ozônio e material particulado na atmosfera acima do indicado pela Organização Mundial de Saúde (OMS).
De acordo com a Fundação Estadual do Meio Ambiente de Minas Gerais (Feam), além do O3, os poluentes encontrados com maior frequência na região metropolitana de Belo Horizonte são o material particulado (poeira), o dióxido de enxofre (SO2), o monóxido de carbono (CO), os óxidos de nitrogênio (NOx) e os hidrocarbonetos (HC). Especialmente no inverno, eles são identificados em quantidades acima do considerado adequado.
Com a proposta de encontrar um meio de fugir dos efeitos de poluentes como o ozônio, Gomes participou de uma segunda pesquisa que estudou o impacto de suplementos antioxidantes, como as vitaminas C e E, na diminuição dos efeitos prejudiciais da poluição na prática esportiva. O resultado foi uma melhora de 49 segundos no tempo dos atletas. No entanto, a pesquisa também identifica alguns malefícios do uso dos mesmos. "Eu recomendaria a ingestão dessas vitaminas em pequenas quantidades, por um tempo limitado. Para indivíduos fisicamente ativos ou que estejam em treinamento, o uso constante de antioxidantes vai ser prejudicial, pois vai diminuir a adaptação do organismo ao estímulo da atividade física. Sem contar que indivíduos fisicamente ativos já possuem mais antioxidantes no organismo do que os sedentários".
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Mesmo sem sentir nitidamente os danos da poluição atmosférica, a jornalista Angelina Fontes, de 32 anos, não arrisca fazer suas corridas em locais propícios aos poluentes. Ela corre entre três a quatro vezes por semana e somente uma delas é na esteira, em academias.“Em BH é difícil encontrar um lugar sem movimento ou poluição, mas eu sempre tento ir para praças, para a Pampulha ou lugares com menos movimento de carros”, conta.
Assim como a maioria das pessoas, até ser questionada sobre o assunto ela não tinha associado espontaneamente a dificuldade de respiração ou aumento do cansaço com dias poluídos. “Mas tem mesmo dias em que o desempenho da gente fica abaixo do de costume, especialmente no inverno, quando o tempo está muito seco e tem muita poeira no ar”. A associação da jornalista é pertinente porque o material particulado é um outro poluente com as mesmas características oxidantes do ozônio. “Nesses dias você fica cansada mais rápido porque parece que você tem que respirar mais”, completa.
Dicas úteis
A intuição da jornalista corresponde à orientação médica de tentar evitar ao máximo lugares em que a exposição a poluentes é maior, como corredores de trânsito e proximidades de fábricas. Vale também ficar atento às condições meteorológicas. “A chamada inversão térmica aumenta a concentração dos poluentes, já que diminui a dispersão destes”, destaca o cardiologista, Marconi Gomes da Silva. Quando o dia for favorável, ele recomenda que as pessoas procurem locais expostos às correntes de ar consideráveis, como parques e regiões costeiras.
Realizar exercícios em locais fechados, nem sempre significa evitar a exposição aos poluentes. Segundo o médico, existem várias atividades domésticas que aumentam significativamente a emissão do monóxido de carbono (CO) e que prejudicam o rendimento durante o exercício físico.
Vale lembrar também que há maior emissão de monóxido de carbono e outros poluentes nos horários em que o tráfego de veículos é maior, como na hora do rush. “Os melhores horários para a prática de exercícios ao ar livre são antes das 7h e após às 20h, horários com menores tráfego de veículos e com temperaturas mais amenas”.
Além disso, é fundamental pensar em posturas que diminuam a emissão de poluentes na atmosfera, como a substituição dos combustíveis fósseis e a revisão das políticas de mobilidade urbana. “Na maioria das vezes essas políticas privilegiam o transporte individual e não dão os mesmo incentivos ao transporte coletivo, ao uso de bicicleta como meio de transporte e à programas que viabilizem o transporte por esses meios”, destaca.