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Fraturas faciais em crianças atingem principalmente a faixa etária entre 6 e 13 anos

Um percentual menor de traumas é registrado entre crianças até 5 anos de idade porque, em geral, nessa fase elas estão mais próximas do pais

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Agência Brasil Publicação:21/08/2013 10:24
35% dos traumas de face decorrem de acidentes domésticos, que acontecem dentro de casa, como quedas de pequenas alturas (Ronaldo de Oliveira/CB/D.A Press)
35% dos traumas de face decorrem de acidentes domésticos, que acontecem dentro de casa, como quedas de pequenas alturas
De cada 100 fraturas de face em crianças no país, 95 ocorrem na faixa etária entre 6 anos e 13 anos de idade, afirma o cirurgião buco-maxilo-facial Sylvio de Moraes, chefe do Serviço de Cirurgia Crânio-Maxilo-Facial do Hospital de São Francisco da Penitência. A unidade foi visitada pelo papa Francisco durante a Jornada Mundial da Juventude, em julho passado, no Rio de Janeiro.

O dado faz parte de um levantamento sobre trauma facial em crianças brasileiras que será apresentado e discutido por especialistas durante o Congresso Brasileiro de Cirurgia e Traumatologia Buco-Maxilo-Facial, iniciado nesta terça e que se estenderá até o próximo dia 24, na capital fluminense.

Moraes informou que um percentual menor de traumas é registrado entre crianças até 5 anos de idade, porque, em geral, nessa fase, as crianças estão muito próximas dos pais. “Elas são muito mais vigiadas, normalmente ainda não estão em escolas. Por isso, são, naturalmente, mais cercadas de zelo”. Isso não significa, entretanto, advertiu o médico, que as crianças acima dessa idade não sejam cuidadas com o mesmo zelo. “Mas estão na escola, na rua, e são mais passíveis de traumas, de maneira geral”.

Segundo relatou Sylvio de Moraes, 35% dos traumas de face decorrem de acidentes domésticos, que acontecem dentro de casa, como quedas de pequenas alturas (da cama, do beliche, do sofá, do velocípede ou da bicicleta). “São as causas mais frequentes nas crianças, em geral”. Violência externa, a maioria resultado de atropelamentos, representa 20%.

A estatística mostra ainda que 15% das fraturas de face provêm de colisões de veículos. O percentual melhorou, disse Moraes, com o uso da cadeirinha e do cinto de segurança nos carros para as crianças. Já 10% dos traumas são quedas atípicas que acometem mais as crianças de famílias pobres, envolvendo quedas de laje, de tanque ou de muro, mostra o estudo. Os 20% restantes englobam fraturas causadas por agressão, acidentes com armas de fogo, quedas de varandas e escadas, acidentes em elevadores, acidentes de motocicleta nos quais a criança é transportada sem a proteção adequada.

Sylvio de Moraes esclareceu que embora 65% da totalidade das fraturas de face ocorram fora de casa e 35% dentro das residências, “na distribuição percentual, a causa isolada de maior expressão dos traumas em crianças é o acidente doméstico”. Enfatizou que isso torna o acidente dentro de casa “percentualmente mais expressivo”.

Os especialistas mostram preocupação com o aumento de traumas de face em crianças verificado nos últimos anos. A época de férias, quando os pais estão mais relaxados com os filhos, cria uma atmosfera de risco, definiu o especialista. Outro fato que contribui para o crescimento dos casos de fraturas é a vida cotidiana que tem imposto às mulheres um peso grande na sociedade. “A mulher é multitarefa. É mãe, é esposa, é funcionária, chefe, dona de casa. O que ocorre é que as mulheres têm saído mais cedo para trabalhar e as crianças têm ficado mais com cuidadores”.

O levantamento indica ainda que as crianças que ficam mais tempo sem a presença dos cuidadores maternos estão mais expostas a acidentes. O que poderá melhorar isso é a conscientização da sociedade como um todo, indicou. “É uma questão de educação e apelar para que as pessoas tenham um cuidado maior”.

Para eventuais casos de traumas de face, a recomendação de Sylvio de Moraes é que os pais, ao chegarem com os filhos em um hospital, solicitem o atendimento de um especialista buco-maxilo-facial, porque isso pode contribuir para a recuperação das crianças sem sequelas. Na maioria das vezes, crianças nessa situação são encaminhadas para pediatras que não têm formação cirúrgica ou não detêm conhecimento nessa área, que é especializada, disse. “A avaliação de um cirurgião buco-maxilo-facial é fundamental e, sempre que for possível, a estratificação do trauma deve ser acompanhada por exames de imagem específicos, como tomografia”, sugeriu.

Moraes ressaltou que o trauma de face de uma criança requer uma força muito maior do que as fraturas que ocorrem em um adulto, porque os ossos da criança são mais resilientes, ou seja, mais macios. Por isso, declarou que “não é frequente que traumas de baixa energia causem fraturas em crianças”. Durante o congresso, os médicos pretendem aperfeiçoar o diagnóstico e o tratamento para traumas faciais, além de “discutir opções terapêuticas mais modernas, menos sofridas e menos onerosas” para os pacientes.

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