Ginástica elementar trabalha a natureza dos movimentos comuns na infância
São posições e movimentos que para uma criança são muito naturais, mas que à medida que crescemos, vão sendo perdidos, como rolar, por exemplo, e até espreguiçar
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A ideia surgiu da laço estreito entre Tó e o universo dos exercícios físicos. “Fui bailarino durante muitos anos e sou professor de educação física. Além disso, já pratiquei tudo que se possa imaginar. Desde ioga, pilates, até caratê, le parcour e capoeira”, detalha. Diante da inquietude à qual se enquadra, resolveu mesclar os conhecimentos adquiridos em cada uma dessas experiências para trabalhar o corpo de forma lúdica e descompromissada com a técnica. “O objetivo é dar liberdade para que o movimento seja feito da forma como ele vier. Quero acordar esse corpo e fazer com que a pessoa o perceba”, afirma.
A cabeça é trabalhada em sintonia com a musculatura e as articulações, o que aumenta a sensação de completude. Para fazer essa miscelânea, o início da aula é marcado pelo aguçamento dos sentidos. “Realizamos uma percepção espacial do ambiente, do cheiro, do tato. Na sequência, ocorre uma fase de respiração e espreguiçamento. São coisas que as pessoas poderiam ter feito na cama, ao acordar, mas que hoje não têm mais tempo”, explica Tó. Os comandos que vêm em seguida dependem da sintonia entre os alunos, da energia que transmitem e do estado de espírito de cada um. “Por isso, uma aula nunca é igual à outra. É como um jogo de xadrez, que se constrói diferente a cada dia”, garante.
MISCELÂNIA
Posições emprestadas de outras atividades também fazem parte da dinâmica da aula. Posturas do ioga, a ginga da capoeira e até golpes de artes marciais, como os chutes, ajudam a compor uma aula tão diversa quanto divertida e lúdica. A proposta fora de qualquer padrão fisgou a designer gráfico Carla Aquino, de 38 anos. “Já pratico a ginástica elementar há quatro meses e tem me ajudado muito nas crises de fibromialgia. É uma atividade que percebo que trabalha o corpo como um todo ao exigir força e equilíbrio. Sem contar que é uma grande diversão”, afirma.
Diagnosticado com desgaste na cartilagem coxo-femural, Alexandre Passos da Cunha, de 52, foi desaconselhado pelos médicos a fazer atividades de alto impacto e encontrou na técnica desenvolvida por Tó a alternativa adequada. “O dinamismo da aula é muito grande e cada um faz dentro do seu limite. Isso me ajuda muito”, garante. Além de trabalhar vários grupos musculares, o bem-estar não apenas físico como emocional e a alegria estão entre as sensações citadas pelos praticantes como inerentes aos encontros de uma hora. “Não tem contraindicação e é um complemento para qualquer atividade”, garante Tó, enquanto espalha o sorriso e a tranquilidade para quem está ao ser redor.