'Querido papai': vídeo mostra como a violência contra a mulher é naturalizada

"Nascerei menina. Faça tudo o que puder para que esse não seja o maior perigo da minha vida". 'Dear Daddy' já tem quase 5 milhões de visualizações no YouTube

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Redação - Saúde Plena Publicação:18/12/2015 11:40Atualização:18/12/2015 12:17
Voz de uma garotinha fazendo pedidos ao seu pai antes mesmo de nascer é o mote do vídeo da ONG 'Care Norway'  (Reprodução Youtube)
Voz de uma garotinha fazendo pedidos ao seu pai antes mesmo de nascer é o mote do vídeo da ONG 'Care Norway'
Uma em cada três mulheres no mundo será vítima de algum tipo de violência física ou sexual ao longo de suas vidas. Em grande parte dos casos, de seu companheiro, namorado ou marido. Um vídeo com quase 5 milhões de visualizações no Youtube (já com uma versão traduzida para o português) tem comovido pessoas ao redor do mundo por tratar a desigualdade de gênero de uma forma simples e direta, mostrando como a violência contra a mulher é naturalizada.

Intitulado ‘Dear Daddy’ (ou ‘Querido Papai, em português), a narrativa é construída a partir de um pedido de uma filha – que ainda está na barriga da mãe – ao pai. O vídeo ‘mostra’ situações vividas por mulheres em diferentes fases da vida: “Preciso te pedir um favor. É sobre garotos. Eu vou nascer menina e quando eu tiver 14 anos, os meninos da minha classe terão me chamado de puta, vadia e vaca e muitas outras coisas. Mas claro, só de brincadeira”, narra a vos feminina enquanto imagens de uma escola são exibidas.

De um lado, garotas se sentindo objetificadas e constrangidas. De outro, garotos confortáveis na posição de assediadores. “Talvez você fez o mesmo quando era jovem”, afirma a filha ao pai.

Vídeo %u2018mostra%u2019 situações vividas por mulheres em diferentes fases da vida (Reprodução Youtube)
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Aos 16 anos, a menina diz: “Quando eu tiver essa idade, alguns garotos terão enfiado a mão em minha calça enquanto eu tiver embriagada e mal conseguindo ficar de pé”. Pesquisa recente realizada no Brasil revelou que 27% dos homens universitários considera normal abusar de mulher alcoolizada (saiba mais aqui).

A narrativa prossegue: “Aos 21 anos serei estuprada”. No Brasil, temos um caso a cada 11 minutos de acordo com o 9º Anuário Brasileiro de Segurança Pública e o dado inclui também os estupros de vulnerável, crime cometido contra menores de 14 anos.

O filme prossegue prevendo o que vai acontecer na vida da garota. “Então finalmente encontro o ‘cara perfeito’ e você está feliz pois, de fato, ele me ama. Ele é inteligente, com um bom emprego. (...) Mas um dia ele deixa de ser o ‘cara perfeito’. E eu não sei por quê. Espere. Eu estou exagerando?”.

 (Reprodução Youtube)


O grande mote do filme é quando, de fato, a filha faz o pedido ao pai: “Por favor, impeça antes que comece”. Assim como as campanhas brasileiras #meuamigosecreto e #primeiroassedio, a produção audiovisual revela como o machismo está presente nos mínimos detalhes e mata mulheres em todo o mundo.

A narrativa é construída dentro do contexto de uma garota branca de classe média com oportunidades e família estruturada, mas a violência de gênero se agrava em situações de maior vulnerabilidade social. O Mapa da Violência 2015: Homicídio de Mulheres no Brasil mostra que os homicídios de mulheres negras aumentaram 54% em dez anos no Brasil, passando de 1.864, em 2003, para 2.875, em 2013. No mesmo período, o número de homicídios de mulheres brancas caiu 9,8%, saindo de 1.747 em 2003 para 1.576 em 2013 (leia mais aqui).

Vídeo é uma realização da ONG Care Norway. Veja versão em inglês:



Veja versão em português:


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