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Poliomielite reaparece na Síria e ameaça Europa

A Organização Mundial de Saúde (OMS) confirmou o aparecimento de pelo menos dez casos no país onde a cobertura da vacina caiu fortemente durante a guerra civil

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AFP - Agence France-Presse Publicação:08/11/2013 10:39
Dois especialistas alemães em doenças infecciosas lançaram um alerta contra o ressurgimento da pólio na Síria, nesta sexta-feira, em artigo na revista médica britânica "The Lancet". Segundo eles, a doença pode ameaçar países vizinhos e a Europa.

"A Organização Mundial de Saúde (OMS) confirmou o aparecimento de pelo menos dez casos de pólio na Síria, onde a cobertura de vacina caiu fortemente durante a guerra civil", escrevem em uma carta aberta os professores Martin Eichner (da Universidade de Tübingen) e Stefan Brockmann (do Departamento Regional de Saúde de Reutlingen).

Com o êxodo de um grande número de refugiados sírios para os países vizinhos do Oriente Médio e para a Europa, existem hoje riscos de que o vírus seja reintroduzido nas zonas livres de poliomielite há vários anos - preocupam-se os especialistas.

Os dois pesquisadores alertam, sobretudo, para os riscos crescentes de um retorno da pólio nas regiões da Europa onde a cobertura de vacina é fraca, como Bósnia-Herzegovina, Ucrânia e Áustria.

Para os autores, "vacinar apenas os refugiados sírios, conforme recomendado pelo Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças, deve ser considerado insuficiente, e medidas mais completas devem ser previstas".

Em um comentário à parte divulgado no mesmo volume da "Lancet", o especialista britânico Benjamin Neuman (Universidade de Reading) avalia que "a epidemia síria coloca a Europa em perigo", por causa do tipo de vacina utilizada no Velho Continente.

"Um pequeno percentual de crianças no Reino Unido corre o risco de contrair pólio, se forem expostas ao vírus. Até que o vírus esteja completamente extinto, é essencial que continuemos a vacinar nossas crianças", defende o virologista.

A poliomielite é provocada por um vírus que invade o sistema nervoso e pode causar paralisia total em algumas horas. Atinge, sobretudo, as crianças, e pode se propagar rapidamente nas populações não imunizadas. Ele penetra no organismo pela boca e se multiplica nos intestinos.

Uma paralisia irreversível (em geral nas pernas) acontece em um caso a cada 200. Entre 5% e 10% dos doentes com paralisia morrem, quando o aparelho respiratório para de funcionar.

No ano passado, 223 casos foram notificados à OMS. Três países - Paquistão, Nigéria e Afeganistão - ainda são considerados como tomados por uma pólio endêmica.

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