Nova pesquisa traz avanços no combate à pré-eclâmpsia

Doença caracterizada pela hipertensão arterial durante a segunda metade da gestação pode culminar em uma deterioração clínica, resultando em convulsões, acidente vascular cerebral, hemorragia, dano renal, insuficiência hepática e até na morte da mãe e do bebê

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Isabela de Oliveira - Correio Braziliense Publicação:17/07/2014 09:00
A doença poderá ser detectada por meio de um exame simples, durante a gravidez (AFP PHOTO / JONATHAN NACKSTRAND )
A doença poderá ser detectada por meio de um exame simples, durante a gravidez
A Science Translational Medicine traz, na edição desta semana, uma nova pesquisa que pode ajudar médicos, cientistas e farmacêuticos a compreender melhor a pré-eclâmpsia, doença caracterizada pela hipertensão arterial durante a segunda metade da gestação. Se não for tratada, a condição pode culminar em uma deterioração clínica, resultando em convulsões (eclâmpsia), acidente vascular cerebral, hemorragia, dano renal, insuficiência hepática e até na morte da mãe e do bebê.

As causas da doença gestacional ainda não são claras. Uma equipe internacional de cientistas liderada por Irina Buhimschi, diretora do Centro de Pesquisa Perinatal do Nationwide Children’s Hospital, nos EUA, identificou que a pré-eclâmpsia pode ser resultado das mesmas falhas celulares que causam o Alzheimer, entre outras doenças autoimunes. É a primeira vez que essa relação é observada.

Além de lançar uma luz sobre a origem da enfermidade, Buhimschi desenvolveu um exame clínico que pode auxiliar os médicos a antecipar o diagnóstico da pré-eclâmpsia. O teste é simples e necessita apenas de uma amostra de urina da grávida. Isso porque eles descobriram que a placenta de mulheres com a complicação é obstruída por proteínas deformadas semelhantes às encontradas no cérebro de pessoas com o mal de Parkinson e a doença da vaca louca.

Para realizar as funções adequadamente, as proteínas devem dobrar-se em estruturas tridimensionais precisas. As das pacientes, no entanto, não mudam para o formato ideal. O problema maior se dá quando essas estruturas tentam viajar pelo caminho que transporta os nutrientes da mãe ao bebê. A dinâmica, diz Buhimschi, é parecida com a de uma estrada movimentada que engarrafa quando há um entroncamento de vários veículos em uma determinada região. No caso do corpo humano, as proteínas se acumulam excessivamente nas vias do sistema vascular.

Os indícios desse acúmulo aparecem na urina da mãe e podem ser detectados com um corante chamado vermelho do Congo. Ele se liga às proteínas disformes, como a beta-amiloide (ligada ao Alzheimer), acusando a presença delas. Agora, Buhimschi percebeu que o mesmo vale para as proteínas específicas da pré-eclâmpsia.

Os experimentos demonstraram que o corante não revelava apenas a presença das proteínas deformadas, mas também a gravidade da futura doença. Apesar do avanço, a causa da má-formação ainda é desconhecida. “De certa forma, vamos colocar o carro na frente dos bois, divulgando o teste antes de sermos capazes de publicar formalmente toda a ciência por trás disso”, admite a autora.

Os avanços de pesquisas sobre a doença são valiosos não apenas para as mães, mas para suas filhas, que apresentam risco elevado de desenvolver a doença na gestação. A Organização Mundial da Saúde estima que, entre as mulheres que tiveram pré-eclâmpsia, cerca de 20% a 40% das filhas delas também enfrentarão a doença. (IO)

 (Soraia Piva / EM / DA Press)
Complicação de alto risco

De acordo com a organização americana Preeclampsia Foundation, a doença gestacional afeta de 5% a 8% das grávidas no mundo. Globalmente, a pré-eclâmpsia e outras complicações hipertensivas da gravidez são as principais causas de enfermidade e morte materna e infantil: cerca de 75 mil mães e 500 mil bebês morrem anualmente. No Brasil, o problema mata de duas a três mulheres diariamente. Dados do Ministério da Saúde mostram que, em 1990, a cada 100 mil nascidos vivos, 140 mortes maternas eram registradas — 40,6% delas causadas pela hipertensão na gravidez. O número caiu para 75/100 mil em 2007, e o percentual de mães que morreram por pré-eclâmpsia e suas complicações foi reduzido. Atualmente, gira em torno de 15%.

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