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Arte plena para os olhos

A humildade, por incrível que pareça, pode causar grande impressão na máquina hollywoodiana

Publicação:30/10/2012 12:35Atualização:30/10/2012 15:51
 (Divulgação)
A humildade, por incrível que pareça, pode causar grande impressão na máquina hollywoodiana. Dono de um temperamento fácil, para os padrões da indústria, e com uma disciplina que o possibilita transitar nos mais diferenciados gêneros, o diretor Steven Sodenberg, percorrendo terreno incerto e pantanoso, acertou em cheio com seu último projeto selecionado. Dividindo com Ted o posto de filme-surpresa na temporada de férias do verão norte-americano, Magic Mike é um curioso sucesso que rompeu com espantosa rapidez a barreira dos 100 milhões de dólares em arrecadação.

Na trama, de notas autobiográficas, o astro Channing Tatum (idealizador e produtor do longa-metragem) rememora o início de sua carreira, quando rebolava em clubes de strippers masculinos para fazer uns trocados. Mike, seu personagem, esmera-se em transmitir seus talentos a um jovem pupilo, e ao mesmo tempo, repensa sua “carreira” quando decide tornar sério um novo relacionamento. O êxito de Magic Mike pode ser contabilizado ao jovem Channing Tatum, um dos grandes nomes do cinema em 2012, mas quem se destaca de verdade é o veterano Matthew McConaughey, interpretando Dallas, o cérebro do clube. Fatalmente, muito em breve, Matthew levará um Oscar para casa, tamanha evolução de seu reconhecido trabalho.

Espertamente disponível, Sodenberg soube apreender o frescor e a atualidade do roteiro original. E, deixando preconceitos e machismos de escanteio, vamos perceber, desde os primeiros lances projetados, que Magic Mike é bem mais do que a princípio parecia ser. Muito honesto e objetivo no quesito entretenimento.

Outro bom motivo para ir ao cinema é o título nomeado para a disputa da Palma de Ouro em Cannes 2012 e já considerado pela crítica como um dos melhores do ano – a nova empreitada do diretor Wes Anderson. Moonrise Kingdom é, antes de tudo, arte plena para os olhos. A sensação, de franca nostalgia, é a de um trabalho escolar executado com extremo perfeccionismo. O cineasta, partindo de um universo lúdico e, por vezes, inocente, sabe propor ao público uma das mais ácidas e diretas visões da tão estudada sociedade média norte-americana.

Cometendo sacrilégio de resumir o que propositalmente foi feito para ser rebuscado, a história acontece em uma ilha na década de 1960. Dois pré-adolescentes se apaixonam e decidem deixar para trás o atraso daquela comunidade, fugindo para uma promissora vida de casal no continente. No elenco, está a patota que Wes Anderson, para nossa sorte, sempre carrega consigo, como seus dois coringas, Bill Murray e Jason Schwartzman. A nítida cumplicidade e o desejo de sempre acertar, ou, simplesmente, fazer o melhor, já servem de adiantamento para a excelência óbvia das produções adoravelmente esquisitonas de Anderson.

Com carpintaria própria e cada fotograma que mais se assemelha a uma pintura, Anderson sabe deslumbrar do figurino, passando pela direção de arte, até chegar propriamente ao caminho percorrido pela câmera. Em Moonrise Kingdom, assistimos a uma justa homenagem, já nos créditos, ao parceiro brilhante das trilhas sonoras, Alexandre Desplat. Vale a pena resistir às tentações e não se levantar da poltrona. A aposta justa de prosseguir na valorização afetiva de sua equipe.
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EDIÇÃO 55 | Julho de 2017