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Práticas como ioga, meditação e musicoterapia ganham novos adeptos e ajudam a evitar a ansiedade

Isabella de Andrade - Publicação:01/10/2018 16:58Atualização:02/10/2018 17:35

A ansiedade gerada pela correria das grandes cidades ganha novos olhares a partir do estilo de vida que engloba práticas em busca de um cotidiano mais tranquilo. Entre elas, a vivência diária da meditação e aulas conjuntas de ioga. Em comum, professores, alunos antigos e novos praticantes relatam o desenvolvimento de uma relação mais saudável com o próprio corpo e melhoras perceptíveis no cotidiano, como maior qualidade de sono e diminuição da ansiedade frente aos problemas comuns.

 

É o caso da professora Marise Regina Armandes. Ela começou a praticar ioga em 2009 e decidiu tornar a atividade uma profissão, quando percebeu que a nova experiência tinha transformado seu cotidiano. A ideia era ajudar outras pessoas, assim como a ioga a ajudou. Marise, que atualmente é professora no Espaço Plenitude, lembra que a prática traz maior equilíbrio entre corpo e mente: “É um momento para estar consigo mesmo. O que gera ansiedade é o tumulto de informações que recebemos atualmente. As pessoas, em grande parte, não buscam experimentar e saborear viver um dia de cada vez, viver o momento presente. A ioga pode aumentar consideravelmente o bem-estar do corpo, diminuir dores nas costas e problemas com o sono”, destaca. Além disso, a consciência e melhora na respiração é outro ponto forte, segundo Marise. “O fortalecimento da musculatura é outra vantagem”, diz.

Professora de ioga há cerca de 10 anos, Marise Regina Armandes transformou aquilo que a ajudou em nova profissão: 'A ioga pode aumentar consideravelmente o bem-estar do corpo, diminuir dores nas costas e problemas com o sono' (Raimundo Sampaio/Esp. Encontro/DA Press)
Professora de ioga há cerca de 10 anos, Marise Regina Armandes transformou aquilo que a ajudou em nova profissão: "A ioga pode aumentar consideravelmente o bem-estar do corpo, diminuir dores nas costas e problemas com o sono"
 

Yohanne Auana, de 25 anos, é formada em audiovisual pela Universidade de Brasília e iniciou a prática de ioga em 2016. Durante as aulas, percebeu que sentia um grande bem-estar físico, mental e emocional com a prática. Para seguir, ela fez um curso de formação de instrutores de ioga e começou a trabalhar com o que antes era hobby. “A prática traz o antídoto perfeito contra a ansiedade, desenvolve a presença. Presença significa estar plenamente consciente do aqui e agora que, essencialmente, é o único momento que existe”, explica Yohanne.

 

A professora lembra que a ioga apresenta ferramentas para trabalhar diferentes partes do corpo. O praticante passa por posições psicofísicas (ásanas), exercícios de purificação (kryas), contrações de musculaturas internas (bandhas), exercícios respiratórios (pranayamas), técnicas de concentração (meditação) e relaxamento profundo (yoganidra). “Essas são algumas das partes da prática e elas atuam na mente, combatendo depressão, insônia, estresse, ansiedade; nas glândulas, auxiliando em caso de desequilíbrios hormonais, músculos, tonificando, alongando, fortalecendo”, destaca Yohanne.

A professora Yohanne Auana durante uma de suas aulas de ioga, exercício ao qual ela atribui uma série de vantagens: 'A prática traz o antídoto perfeito contra a ansiedade', cita (Thiago Rodrigues Maia/Divulgação)
A professora Yohanne Auana durante uma de suas aulas de ioga, exercício ao qual ela atribui uma série de vantagens: "A prática traz o antídoto perfeito contra a ansiedade", cita
 

Ela explica ainda que a ansiedade é reflexo de uma preocupação excessiva com um futuro que não existe. A ioga e a meditação trabalham juntas para trazer de volta a atenção para o momento presente. Yohanne destaca ainda que, ao trazermos o foco de nossa atenção pra respiração, seja seu fluxo natural ou em exercícios respiratórios como os pranayamas, trazemos também, espontaneamente, a presença, e onde há presença não há ansiedade.“Honesta e humildemente, não me atreveria a tentar citar todos os benefícios (veja quadro) que a ioga pode trazer para quem a pratica, acredito que sejam incontáveis e, inclusive, específicos às necessidades de cada um. A prática, que já foi relacionada a religiões como o hinduísmo ou a países como a Índia ou o Tibete, ganha novos adeptos e se expande culturalmente”, afirma Yohanne.

 

Apesar de caminharem juntas e em sintonia, a prática da ioga e da meditação funcionam também separadas. Metodologias e conceitos como o da Atenção Plena, que prega total atenção ao momento presente, são cada vez mais comuns entre profissionais de diferentes áreas. A meditação aparece como solução para diminuir a ansiedade e melhorar o foco, atenção e cuidado com as múltiplas tarefas da sociedade moderna. Adriano Alves conta que reúne três pilares para buscar uma vida mais saudável atualmente: prática de ioga, meditação e alimentação saudável. Atualmente, ele trabalha como professor de ioga no Espaço Terapêutico. Para o professor, esses cuidados levam mais segurança ao seu cotidiano. Os cuidados com a respiração e exercícios de relaxamento são diários, além deles, é constante a preocupação com os alimentos ingeridos. “Quando nos dedicamos de verdade a esse estilo de vida, o alimento se torna muito importante. Buscamos comidas mais naturais e nutritivas”, diz.

Adriano Alves é professor de ioga no Espaço Terapêutico: 'Quando nos dedicamos de verdade a esse estilo de vida, o alimento se torna muito importante. Buscamos comidas mais naturais e nutritivas' (Raimundo Sampaio/Esp. Encontro/DA Press )
Adriano Alves é professor de ioga no Espaço Terapêutico: "Quando nos dedicamos de verdade a esse estilo de vida, o alimento se torna muito importante. Buscamos comidas mais naturais e nutritivas"
 

O funcionário público Lúcio José Batista, de 55 anos, acumula 30 de prática de ioga e meditação. Ele lembra que as atividades repercutem, diariamente, em suas relações com os outros e consigo: “As pessoas chegaram a um limite de consumo industrializado e de estresse tão grande, que atualmente buscam alternativas opostas à alimentação inadequada e à correria do cotidiano. Então, aumenta a busca por comida natural, ioga, meditação e outras práticas que favorecem que o indivíduo a conviver mais consigo mesmo e, claro, com mais qualidade”, diz.

Lúcio Batista faz aulas de ioga e meditação há 30 anos e também tem uma alimentação natural: 'As pessoas chegaram a um limite de consumo industrializado e de estresse tão grande, que atualmente buscam alternativas opostas à alimentação inadequada e à correria do cotidiano' (Raimundo Sampaio/Esp. Encontro/DA Press )
Lúcio Batista faz aulas de ioga e meditação há 30 anos e também tem uma alimentação natural: "As pessoas chegaram a um limite de consumo industrializado e de estresse tão grande, que atualmente buscam alternativas opostas à alimentação inadequada e à correria do cotidiano"
 

O grupo de praticantes é diverso em idade, gênero e trajetórias. Rafael Haurin, de 33 anos, é professor de ensino médio e faz parte de um grupo de extensão da UnB chamado Movi-mente. No grupo, ele entrou em contato com meditações ativas e práticas corporais que envolvem ioga. Há 12 anos no projeto, Rafael começou também a dar aulas há oito. “Em um mundo onde os problemas sociais crescem exponencialmente a cada ano que passa, encontramos cada vez mais pessoas que estão interessadas em buscar um refúgio nessas atividades, para se sentirem melhores em relação ao mundo”, afirma. Ele lembra que o estilo de vida adotado por quem inicia o contato com essas práticas proporciona um contato maior com seu corpo e mente. A partir disso, outros benefícios se desenvolvem, como concentração, força muscular e contentamento.

Professor do ensino médio, Rafael Haurin aposta em meditações ativas e práticas corporais que envolvem a ioga: 'Cada vez mais pessoas estão interessadas em buscar um refúgio nessas atividades, para se sentirem melhores em relação ao mundo' (Raimundo Sampaio/Esp. Encontro/DA Press)
Professor do ensino médio, Rafael Haurin aposta em meditações ativas e práticas corporais que envolvem a ioga: "Cada vez mais pessoas estão interessadas em buscar um refúgio nessas atividades, para se sentirem melhores em relação ao mundo"
 

Outra prática que ganha novos adeptos em busca de um cotidiano mais leve e saudável é a musicoterapia. A musicoterapeuta e professora de canto Isabella Campos da Paz diz que a musicoterapia pode ser definida como um processo de tratamento que ocorre, em geral, concomitantemente a outros tratamentos (tanto na área física, quanto psíquica e/ou emocional). A música e seus elementos são criteriosamente utilizados por um profissional habilitado a exercer essa tarefa, junto ao cliente, para atingir objetivos específicos para cada caso. “Trata-se de uma terapia não verbal, onde a forma de comunicação e expressão entre musicoterapeuta e aluno se dá, sobretudo, pela produção, criação, combinação e ordenação de sons, ruídos e silêncios, com ou sem letras de músicas, de onde se elaborará um sentido a partir do material sonoro e a relação sonora surgidos nas sessões”, destaca Isabella. Ela explica que a prática pode ajudar o aluno a lidar com a ansiedade e descobrir sua causa.

A professora de canto Isabella Campos da Paz diz que a musicoterapia vem ganhando novos adeptos: pessoas em busca de um cotidiano mais leve e saudável (Raimundo Sampaio/Esp. Encontro/DA Press )
A professora de canto Isabella Campos da Paz diz que a musicoterapia vem ganhando novos adeptos: pessoas em busca de um cotidiano mais leve e saudável
 

Segundo o psiquiatra João Armando de Castro Santos, diversos estudos recentes mostram que praticar esses tipos de atividades ajuda a melhorar sintomas de ansiedade. Além disso, tais práticas contribuem também para o controle de impulsos, que está presente em diversas doenças psiquiátricas. “É importante ressaltar que atividades que proporcionem prazer ao indivíduo também contribuem para a ativação de circuitos neuronais semelhante a de medicamentos ansiolíticos. Ou seja, como parte de um tratamento sempre orientamos aos pacientes buscar aquilo que eles gostam de fazer”, afirma o médico.

Para o psiquiatra João Armando Santos atividades como a meditação ajudam mesmo a melhorar sintomas de ansiedade: 'Como parte de um tratamento sempre orientamos aos pacientes buscar aquilo que eles gostam de fazer' (Raimundo Sampaio/Esp. Encontro/DA Press)
Para o psiquiatra João Armando Santos atividades como a meditação ajudam mesmo a melhorar sintomas de ansiedade: "Como parte de um tratamento sempre orientamos aos pacientes buscar aquilo que eles gostam de fazer"
 

PRÁTICAS PARA O BEM-ESTAR

Saiba quais são os principais tipos de ioga

Hatha – considerado como ioga clássico, tornou-se um dos tipos mais populares do ocidente porque a prática é focada no condicionamento físico, no fortalecimento do corpo e no aumento da flexibilidade.

 

Ashtanga – ramificação desenvolvida a partir do Hatha. As envolvem seis séries de posturas fixas que vão sendo desenvolvidas pelo praticante ao longo do tempo e de acordo com a capacidade do corpo de executar cada uma das posições.

 

Vinyasa – também derivado do Hatha, é um dos chamados estilos contemporâneos. Sua prática se baseia na execução de posturas em flow, ou seja, seguindo uma sequência de movimentos que se juntam quase como em uma coreografia.

 

Kundalini – é um tipo mais voltado para o trabalho espiritual e para a conexão entre corpo, mente e espírito através da realização de atividades físicas. É um estilo mais contemplativo, reflexivo e individual de ioga.

 

PARA A MENTE E O CORPO

Conheça 10 benefícios da ioga

 

1 | Trabalha a concentração

 

2 | Limpa as impurezas (físicas e mentais)

 

3 | Melhora a respiração

 

4 | Fortalece músculos

 

5 | Aprimora o equilíbrio

 

6 | Aumenta a flexibilidade

 

7 | Atua nos órgãos internos

 

8 | Traz vigor

 

9 | Induz ao relaxamento

 

10 | Melhora o condicionamento físico

 

 

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EDIÇÃO 65 | agosto