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Gente da Capital »

As papeleiras

Publicação:30/10/2012 15:07Atualização:30/10/2012 15:27
 (Zuleika de Souza/CB/DA Press)

No contraponto das novas tecnologias, vivemos uma onda retrô. Enquanto muitos correm para comprar o último tablet lançado, tem gente interessada em fazer livros com as próprias mãos. Duas amigas, a candanga e designer Tereza Pires e a publicitária paulista Suzana Guerra, se juntaram para divulgar e resgatar essa arte. Montaram um ateliê, onde ensinam as etapas do ofício de fazer livros: desde a escolha do papel até o tecido. Elas recorrem a técnicas milenares de encadernação, mas o resultado não é um design antigo. Graças à seleção de papéis, costuras, dobras e capa, conseguem confeccionar um livro contemporâneo. Elas querem montar uma editora e, por isso, estão fazendo uma pós-graduação em gestão editorial. Enquanto o sonho não se viabiliza, mantêm um intercâmbio de ideias e papéis com a famosa Papelera Palermo, de Buenos Aires, e dão oficinas em São Paulo. Em Brasília, o assunto já desperta interesse. Se vira mania, elas poderão se fartar de dizer, como gostam: “Eu papelo, tu papelas, ele papela, nós papelamos, vós papelais, eles papelam”.

 (Zuleika de Souza/CB/DA Press)

Na cadeira de dona Solange

Conjugando duas paixões, o cinema e o direito, o gaúcho Davi Pires, de 47 anos, morador de Brasília desde 1995, tornou-se roteirista há pouco mais de 10 anos com incentivo do ator e diretor Werner Schünemann. De lá para cá, ele já teve três de seus roteiros para curta-metragem filmados, todos premiados. O último foi o Corneteiro não se mata, dirigido por Pablo Muller, que ganhou este ano a estatueta de melhor curta no Los Angeles Brazilian Film Festival. Agora, Davi está trabalhando para adaptar A invasão do Alegrete para uma microssérie para TV. Mas tem chamado a atenção seu cargo no Ministério da Justiça: ele, um cineasta, está sentado na cadeira da temida Dona Solange (a censora mais famosa de todos os tempos, Solange Teixeira Hernandes, diretora do Departamento de Censura Federal entre 1980 e 84). Nos tempos da censura, em plena ditadura militar, isso seria impensável.



 (Zuleika de Souza/CB/DA Press)

Olha quem está de volta

Lenda viva da noite brasiliense, depois de anos de ausência, o anarquista voltou. Udo é um dos 200 apelidos que Adelmo Marinho deve ter. Nos anos 1980, quando os punks mandavam na noite e as bandas de rock estavam começando a fazer sucesso, ele ganhou fama porque estava em todas as festas e – reza a lenda – ao mesmo tempo. “Eu sempre tive muita sede pelo social. Gosto de gente e ficava sempre disponível. Todos os dias. Todas as festas”, costuma dizer. Quando se casou, o festeiro passou a ser visto só à luz do dia. Agora, separado, volta à ativa. “Sempre tive passe livre. Amigo de todo mundo, por que eu precisaria de convite? Os que me chamavam de penetra, na verdade, queriam a vida que eu levava.” Nas redes sociais, ele tem mais de 2.400 amigos, entre eles, artistas, chefs, socialites, produtores, políticos... Uma produtora de eventos sentenciou: "O termômetro voltou!”. E explica: “Ele vai a muitas festas, mas só fica nas boas."

 (Zuleika de Souza/CB/DA Press)

Weni, agora estilista

Depois de vender, por anos, roupas, sapatos e bolsas de vários designers, Weni Maranhão voltou a criar. Nascida em Recife e criada em Brasília, ela já tinha produzido roupas e, quando fechou a multimarcas, em 2005, decidiu voltar a desenhar. Desta vez, bolsas e carteiras. Montou um pequeno ateliê, onde recebe com hora marcada. As bolsas são todas feitas artesanalmente e seguem as tradições das grandes grifes, cada uma tem um nome de mulher. São apenas cinco unidades de cada peça e, mesmo assim, com cores distintas. O uso do couro de cobra é a marca de Weni. Outros materiais, ela busca pelo mundo. No ano passado, foi até a China e achou flores de resina, que viraram fechos. Amazonitas, ametistas e ágatas vão transformar carteiras em joias na próxima coleção. O mais recente endereço de vendas é um showroom na Oxford Street, em Londres. E o próximo projeto é fazer bolsas personalizadas, com monogramas para meninas. Já fez uma pink, para uma garotinha de 5 anos.

 (Zuleika de Souza/CB/DA Press)

Um gringo no cerrado

Pelas trilhas do Jardim Botânico, um senhor de brilhantes olhos azuis, camiseta e sapatos confortáveis caminha com sua Canon 7D e uma potente teleobjetiva de 400 mm. Documenta a fauna, a flora e os pássaros. Quem passa por ele nem desconfia de que seja o embaixador da Polônia no Brasil. Doutor em ciências biológicas, Jacek Junosza Kisielewski fez o seu pós-doutorado na USP e no Museu Emílio Goeldi, no Pará, onde descobriu 30 espécies de microinvertebrados. O zoólogo virou diplomata quando Lech Walesa chegou ao poder. Está no Brasil há cinco anos e deve voltar à terra natal no fim do ano. Quando o trabalho diplomático permite, viaja para conhecer os biomas brasileiros. O fotógrafo compartilha mais de 200 imagens no site Wikiaves, provavelmente a maior enciclopédia on-line de aves do mundo. Para ele, morar em Brasília é um privilégio. Só no jardim da embaixada, ele já identificou mais de 60 aves.

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EDIÇÃO 58 | outubro de 2017