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Onde o vento faz a curva

Apesar da distância, comerciantes apostam na região de condomínios de luxo, como Alphaville. Padaria, restaurante e até casa de festas já abriram as portas às margens da DF-140. Vão ter clientes?

Rodrigo Craveiro - Redação Publicação:30/10/2012 18:22Atualização:30/10/2012 18:28
O empresário Daniel Mourão Cysne está otimista: 'Acredito muito nesta região' (Minervino Junior/Encontro/DA Press)
O empresário Daniel Mourão Cysne está otimista: "Acredito muito nesta região"
Às margens da rodovia DF-140, próximo a São Sebastião, as árvores retorcidas do cerrado dão lugar a pastagens com placas que demarcam a propriedade de grandes construtoras. A cerca de 2 km do Jardim ABC, um imenso canteiro de obras divide espaço com um clube praticamente pronto. Com 860 mil m² urbanizados em menos de dois anos, o Alphaville Residence é um termômetro do desenvolvimento na região Sudeste do DF. Em junho de 2010, cerca de 90% dos lotes foram vendidos em cinco horas. A segunda etapa do condomínio de luxo contará com um parque linear, quatro praças e um shopping center. Ao atravessar a avenida principal do bairro da Cidade Ocidental (GO), outro loteamento de 44 milhões de m² já é considerado o embrião de um município autossustentável que abrigará cerca de 50 mil moradores.

Lançado em 15 de setembro, o Damha Residencial Brasília comercializou 77% dos lotes em pouco mais de uma semana. Ao todo, serão 4 mil lotes de oito etapas, além de prédios comerciais, faculdades, escolas, hospitais e indústrias. Um pouco mais distante do Jardim ABC, o condomínio horizontal Reserva Santa Mônica concentra 700 lotes de cerca de 1 mil m² e área de lazer completa, além de centros comerciais.

A expansão imobiliária já provoca valorização dos outros empreendimentos. Em 2007, um lote no Jardim ABC custava cerca de R$ 5 mil. Hoje, não vale menos que R$ 80 mil. Willyam Mazon, diretor de Desenvolvimento Econômico da Administração do Jardim Botânico tem sua explicação: “A busca de áreas para investimento por grandes empresas dos ramos de alimentação, construção, shopping center, veículos e habitação sugere um potencial promissor”, diz. De acordo com ele, a segurança, a renda da população, a proximidade com o centro da capital e o comércio em expansão são os principais atrativos.

Birgit Fenzl destaca as facilidades da região: 'Não levo mais que 25 minutos até a Esplanada dos Ministérios' (Minervino Junior/Encontro/DA Press)
Birgit Fenzl destaca as facilidades da região: "Não levo mais que 25 minutos até a Esplanada dos Ministérios"

O empresário Daniel Mourão Cysne também não esconde o otimismo em relação ao futuro. “Acredito muito nesta região. Quem conhece o Alphaville sabe o desenvolvimento que ele traz junto. Grandes construtoras do Brasil compraram terrenos por aqui”, conta o proprietário da Seleta Pães e Confeitaria. Ele atende em média 10 mil clientes por mês e aposta no aumento do movimento. “Essa região tornou-se uma nova opção de moradia com qualidade. Em breve virão mais condomínios e novos moradores – e mais clientes”, aposta.

O entusiasmo é compartilhado pela empresária Adaiza Moura. Em julho de 2011, ela montou o Restaurante Convento Pedra Azul, especializado em culinária internacional e com variações de cardápio voltadas para a comida mineira. “O potencial econômico daqui é grande. O poder aquisitivo é alto”, diz. Ela considera ainda mediana a frequência de seu empreendimento, mas aposta em mudanças. “Com o Alphaville, o Dahma e o Santa Mônica, as expectativas são de um movimento contínuo, em função da falta de lazer na região. De olho nisso, até já inauguramos uma pizzaria”, conta.

Ao lado do restaurante de Adaiza, outra grande construção se desponta, com um “jardim” feito de ferros retorcidos e pedras. Com área de 1.120 m², o salão de eventos Espaço Hum comporta 2,2 mil pessoas. Imensas janelas de vidro temperado dão charme ao ambiente. “Eu acredito que a prosperidade daqui é irreversível, estou vendo acontecer. Imagino que no futuro cerca de 400 mil pessoas virão para cá”, opina o arquiteto Humberto Macedo, proprietário do espaço.

Novos negócios: o restaurante Convento Pedra Azul é exemplo de novos empreendimentos no local (Minervino Junior/Encontro/DA Press)
Novos negócios: o restaurante Convento Pedra Azul é exemplo de novos empreendimentos no local

Filha de um austríaco e de uma alemã, Birgit Fenzl se antecipou às expectativas de um boom econômico na região. Em maio de 2003, ela inaugurou o Servus, um restaurante especializado na culinária austro-húngara e do Leste Europeu. Ela destaca as facilidades da área: “Não levo mais que 25 minutos até a Esplanada dos Ministérios”, garante. Ela acredita na possibilidade de a região receber o polo financeiro e bancário do Distrito Federal e aposta que, se isso ocorrer, impactará as adjacências, como São Sebastião, Santa Maria, Gama e o Catetinho, além da Cidade Ocidental.

Mas há quem pondere. Para Antonio Augusto de Moraes, presidente do Sindicato do Comércio Varejista do Distrito Federal (Sindivarejista), a expansão comercial de Alphaville se encontra ainda em fase de projeto. “É uma área um pouco afastada do centro de Brasília. Portanto, requer um estudo de viabilidade, com certo cuidado”, diz. “Com o incremento do Alphaville, acredito que outros empreendimentos serão atraídos para a região. Mas é preciso maturar um pouco mais”, acrescenta. Ele prevê que a área somente deverá ter grande ocupação daqui 10 ou 15 anos.
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EDIÇÃO 55 | Julho de 2017