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Moda »

Congresso Fashion Week

Mais de 20 mil pessoas circulam diariamente pelo principal centro de poder do país. Algum estilo predomina nessa passarela? Depende do dia da semana e da presença de parlamentares

Monique Renne - Repórter Publicação:30/10/2012 19:16Atualização:30/10/2012 20:24
 (Fotos: Monique Renne / CB / DA Press)

São 160 mil metros quadrados de um espaço público que respira poder. A mais famosa obra de Oscar Niemeyer concentra salões, plenários, gabinetes, bibliotecas, museus e outros espaços que chegam a atrair até 180 mil visitantes por ano. Para eles, o protocolo já começa na entrada: bermudas, shorts e chinelos são proibidos, de segunda a sexta-feira. “Em qualquer ocasião todos devem usar trajes adequados”, está escrito no site oficial da Câmara dos Deputados.

Estabelecido o limite mínimo necessário, o resto é um vale-tudo, mais ou menos criativo, mais ou menos formal, a depender do dia da semana. Quem circula diariamente pelo backstage dessa grande passarela – umas 20 mil pessoas, pelo menos – sabe que os looks mudam de acordo com a presença, ou não, dos parlamentares.  Na segunda-feira, sem sessões deliberativas, a roupa é despojada e o salto alto, dispensável. Terça e quarta são dias de plenário, comissões, reuniões. Sobram peças comportadas e cores sóbrias. Para os homens, terno. A semana começa a esfriar na quinta-feira, quando os parlamentares já estão voltando para seus estados. A sexta é um convite ao casual wear: calça jeans e camiseta, cores, sapatos baixos e o sumiço das gravatas. Encontro fez um tour de uma semana por esse cenário, que também é fashion, para mostrar um pouco do estilo de quem circula por lá.

Segunda-feira


Segunda-feira sem eventos oficiais. Um convite ao estilo menos formal. O salto fica em casa e dá lugar à sapatilha, comprada na última visita a Nova York. Com a correria entre a faculdade e o trabalho, Caroline (à esquerda) procura aliar conforto, praticidade e elegância. Roupas sempre discretas, como exige o cerimonial. As cores não podem fugir dos tons neutros, por isso a composição precisa variar nas peças. O truque é abusar das sobreposições. A saia, do guarda-roupa da mãe, faz conjunto com blusa e casaco, os dois da Zara. Simplicidade e conforto para um dia menos agitado.

A escala era de apenas cinco horas em Brasília. Vinda de Maceió, rumo a Campo Grande, Renata (à direita) já estava preparada para o calor da capital. Sabendo que visitaria Brasília, pensou em um look que aliasse conforto, para a viagem, e elegância, para o Congresso. Acertou em cheio!  O branco na bata e na calça skinny casa com os três destinos quentes por onde passaria. O tênis tipo sneaker substitui o salto alto sem sacrifício. Visual fechado pelo chapéu comprado em Maceió, o anel de falange, a máquina fotográfica branca e o RayBan que ela não larga por nada. Perfeito para um dia com Congresso mais descontraído.

Terça-feira


O dia é de muito trabalho na casa e o estilo executiva é proposital. Camila (à esquerda) acompanha sessões parlamentares, comissões e importantes reuniões. Sempre ao lado do deputado que assessora, ela precisa manter a formalidade e elegância para qualquer ocasião. Discrição é o principal, mas sem perder o charme. Nada como um tubinho preto de risca de giz para cumprir o papel. Apesar do corre-corre, ela não abre mão do scarpin vermelho, que leva cor à composição. E, para dar conta de todos os documentos, tablet, celulares, uma bolsa grande é fundamental. A Louis Vuitton, comprada em Madri, era a última da loja e deu até briga para levar.

A preocupação com o visual no Congresso vai além do armário. Quem vê a belíssima e disposta Égli (à direita) nas comissões do Senado não diz que ela já é avó de cinco netos. Para manter tamanha elegância, ela acorda às 6h e vai para a academia. Na volta, é hora de escolher o look. E como hoje é dia de comissão é preciso caprichar! Nada que chame atenção demais, afinal, as estrelas são os senadores. Por isso, ela adapta a paixão por estampas de bichos a visuais mais sóbrios. O vestido de seda da Fillity varia entre preto e azul com nuances de cobra. Égli também não dispensa o salto e abusa do peep toe da Dumont. A bolsa preta Victor Hugo é básica e não rouba a cena do vestido.

Quarta-feira


A formalidade do Senado Federal não permite ir muito além do terno. O que não impede que alguns homens apostem em lindas combinações. Daniel (à esquerda), que precisou adaptar-se ao novo guarda-roupa, acredita que se vestir bem aumenta a autoestima e melhora as relações no trabalho. Aos 30 anos, com cargo de chefia, o publicitário procura quebrar a seriedade da casa com um visual menos tradicional. Nada de cortes retos. O terno acinturado é mais sofisticado e mantém a juventude. Este modelo cinza, da Zara, ganha moderníssima combinação com a camisa Dudalina azul de gola branca e gravata cor de rosa assinada por Carlos Miele. Mesmo de terno, como todos os outros que frequentam o Congresso, Daniel se destaca.

Trabalhar no Congresso Nacional é um prazer para Adriana (centro). Todos os dias, ela procura aliar o clássico aos elementos novos da moda. Saia curta e decotes, nem pensar! Com 1,77 m de altura já chama atenção por si só. Mesmo assim, não deixa de usar salto alto. E, para preservar o conforto, opta sempre por sapatos de boa qualidade. Aqui, ela usa um tipo chanel da Schutz. A presença dos parlamentares na casa é fator decisivo na escolha das roupas. A predileta da advogada é calça social e blazer - os dois da Zara -acompanhados da t-shirt C&A, que dá leveza ao look. A bolsa grande é proposital. Dentro vão os lanchinhos e acessórios para passar o dia sem aperto.

Para os mais atentos à moda, é impossível não perceber Idiane (à direita). O clássico padrão xadrez da Burberry logo entrega o bom gosto da assessora. A discrição que o Congresso exige não impede que ela invista em uma peça que destaque o visual. O look tem de ser discreto, porém nada básico. Ela dispensa o terninho e opta pelo conjunto calça e camisa, os dois da Burberry. Mas, a estrela do dia é mesmo a bolsa Balenciaga, marca que atualmente pertence à Gucci. O sapato boneca é da Zara. Mesmo adorando a loja, Idiane deixa escapar um suspiro de lamento - no dia anterior, ela desfilava pelo Senado usando um Louboutin.

Quinta-feira


Quando assumiu o serviço de atendimento no Senado, há 28 anos, Evandro (à esquerda) não usava terno. Percebeu, então, que o público simplesmente não acreditava nas informações que ele passava. Mudou de roupa e de postura. Agora, coleciona paletós, gravatas e muita elegância, apesar de não se considerar vaidoso. Com a ajuda da mulher e das três filhas, o técnico legislativo esbanja estilo. Os ternos são sempre bem cortados e o dia quente e agitado ajudou na escolha do tom claro. O vaivém entre os prédios do Senado torna o uso do chapéu essencial. Um clássico do charme masculino e hábito herdado do avô.

Referência de elegância, Claudia Lyra (centro) é unanimidade entre os colegas. Quando começou a trabalhar no Senado, há 31 anos, apenas saias e vestidos eram permitidos às mulheres. Ela manteve o hábito. Raramente, usa terninhos e, quando opta por eles,
o faz apenas às sextas. Aqui, ela veste um discreto tailleur cru e prefere não revelar a marca.  A presença constante na mesa da presidência, os compromissos oficiais e as visitas de autoridades exigem que a secretária-geral esteja pronta para qualquer eventualidade. Por isso, todos os dias, deve estar impecável. As roupas são discretas e com cores neutras. Cláudia adora combinações e presta atenção aos detalhes. Batom, sapato, bolsa e roupa costumam ter os mesmos tons.

Apontado como um dos homens mais elegantes do Congresso Nacional, o deputado federal Felipe Maia (à direita) esbanja estilo. Muito sério e sempre impecável, ele desfila combinações sóbrias de ternos escuros e belíssimas gravatas.Esta vermelha, da Charvet, é a grande estrela do dia. A marca veste os homens parisienses desde 1838. Felipe Maia busca aliar o conforto a bons cortes, por isso o terno não deixa por menos.
O deputado, que procurar manter a forma, prefere os modelos acinturados. Este preto clássico é um Ermenegildo Zegna. A camisa, feita sob medida, fecha o look com o sapato Prada.

Sexta-feira


Durante a semana, o que impera é o terninho com tons neutros, mas o dia é de deixar o pretinho básico no armário. Sem agenda oficial, na sexta-feira o clima da casa é bem mais descontraído. Maria Eduarda (à esquerda) aproveita para usar o que tanto gosta: cores! A calça é deixada de lado e dá lugar à saia longa. Para se adequar aos dias de calor, ela opta por blusa branca com regata, as duas da Renner. Nunca com ombros de fora. Ela adora usar combinações de cores, por isso brinco, saia e sapatilha mantêm os mesmos tons: de vermelho... e de sexta-feira!

O jeans torna-se o uniforme de quem passa a semana preso ao guarda-roupa mais sério. Às sextas-feiras, a casualidade toma conta do Congresso Nacional. Só então Cássia (à direita) pode ser um pouco mais ela mesma. Nada de meia-calça ou salto alto. A palavra do dia é conforto. A camisa social dá lugar à básica camiseta da Feira da Lua. A estampa é de caveirinhas, afinal, um pouco de humor não faz mal a ninguém. O jeans e a sapatilha baixa ajudam a manter a leveza do visual. Alívio depois de uma semana cheia de trabalho.

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EDIÇÃO 58 | outubro de 2017