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Vamos tomar café?

Por que cada vez mais homens de terno e mulheres de scarpin aproveitam a primeira refeição do dia para marcar encontros casuais, ou mesmo reuniões de negócios, e ao mesmo tempo garantir um gostoso desjejum? A cidade tem ótimas opções para quem quer aderir ao novo hábito brasiliense

Rafael Campos - Redação Publicação:01/11/2012 11:19Atualização:01/11/2012 11:40
A média de 8h de jejum que o sono dá faz com que o corpo acorde necessitando 
de energia: nada melhor que começar o dia com um banquete completo (Raimundo Sampaio/Encontro/DA Press)
A média de 8h de jejum que o sono dá faz com que o corpo acorde necessitando de energia: nada melhor que começar o dia com um banquete completo

Mesmo que na manhã de quinta-feira o salão da Bellini Pães e Gastronomia estivesse lotado, seria impossível não notar a animação de uma das mesas mais centrais. Elegantes e bem vestidas, um grupo de mulheres conversava de forma animada, como se o momento do café da manhã estivesse no mesmo patamar de diversão de uma boa festa. Em uma conversa rápida com elas, já dava para notar que, sim, sentar à mesa de manhã cedinho para desfrutar de pães, frutas e frios era tão prazeroso quanto se divertir com petiscos e bebidas.

“O café da manhã virou uma desculpa para encontrar as amigas”, garante a administradora Cristiana Sigmaringa. Serve até mesmo para celebrar ocasiões importantes. A reunião comemorava o aniversário da dentista Eliana Lopes. Para ela, ainda faltam estabelecimentos em Brasília que percebam quantas pessoas gostam – e mesmo precisam – de tomar café fora de casa. “São poucos os que abrem cedo. Alguns, só às 10h. É preciso começar no horário em que deixamos as crianças na escola, porque aí já podemos marcar com os amigos”, conta.

Ao constatar que os brasilienses estão tomando mais café da manhã fora de casa, a chef ulcinéa Cassis, do Zahia Café & Kebab, investe: vai abrir uma filial no Lago Norte (Raimundo Sampaio/Encontro/DA Press)
Ao constatar que os brasilienses estão tomando mais café da manhã fora de casa, a chef ulcinéa Cassis, do Zahia Café & Kebab, investe: vai abrir uma filial no Lago Norte


Mais cedo ou mais tarde, as padarias da capital estão sempre cheias. Só que, cada vez mais, aqueles que só escovaram os dentes e, ainda de moletom, vão comprar o pão quentinho para comer em casa estão sendo substituídos por homens de terno e mulheres de scarpin, que aproveitam a primeira refeição do dia para fazer reuniões de negócios, checar os primeiros e-mails e, principalmente, ter mais que presunto e queijo para forrar o mesmo pão quentinho.

“A vida está com tantos compromissos que esse momento acaba sendo a melhor opção para encontrar as pessoas, já que, nesses primeiros horários do dia, você está em casa, não consegue resolver nada e quase tudo ainda está fechado”, diz a procuradora Marta Blom Chen Yen. A psicóloga Clarisse Rabelo complementa que sair de casa para saborear um bom café é um ótimo momento para renovar os laços familiares: “Costumo sempre tomar a primeira refeição fora, com minha família, nos fins de semana. É um momento de fazer algo diferente.” Sem esquecer que o café continua sendo a refeição que segura o corpo durante todo o dia. A média de 8h de jejum que o sono dá faz com que o corpo acorde necessitando de energia. Não comer nada é, para os nutricionistas, a pior opção, tanto para quem pratica atividade física regular quanto para quem está sedentário.

Luiz Guilherme e Gilberto Manso, sócios da Belline Pães e Gastronomia, apostam na variedade: 'Se quiser só frutas, tem. Se quiser tapioca, ovo, pães, tem também' (Raimundo Sampaio/Encontro/DA Press)
Luiz Guilherme e Gilberto Manso, sócios da Belline Pães e Gastronomia, apostam na variedade: "Se quiser só frutas, tem. Se quiser tapioca, ovo, pães, tem também"


“Até para escovar os dentes é preciso energia. Quem não toma café corretamente ou mesmo deixa de se alimentar corre o risco de ter uma hiploglicemia. A pessoa pode mesmo chegar a desmaiar”, alerta a nutricionista Carina Tafas. De acordo com a especialista, o mais importante para quem escolhe tomar café fora de casa é ficar atento à variedade. “Não recomendo ir à padaria comer coxinha, folhados. Você deve priorizar alimentos energéticos, como pães integrais e as frutas.” Esse foi um cuidado que o publicitário Fábio Rosa teve ao parar de comer em casa antes de começar o dia.

Segundo ele, sua rotina incluía acordar, tomar banho, levar o filho na escola e ir para a academia. “Quando voltava, tomava outro banho rápido, trocava de roupa e saía apressado, sem comer.” Quando começou a fazer a refeição perto do trabalho, pôde selecionar melhor do que ia se alimentar e, dessa forma, cuidar melhor da saúde. “Como meu escritório fica embaixo, aqui se tornou uma cancela onde eu tenho que passar. É minha parada antes de começar a labuta. Acaba sendo uma extensão do meu trabalho”, completa. Sua agência fica próxima ao Zahia Café & Kebab, que começou a oferecer café da manhã após pesquisar o mercado brasiliense.

O publicitário Fábio Rosa já se acostumou a passar na padaria antes de ir para o escritório: 'É uma extensão do meu trabalho' (Raimundo Sampaio/Encontro/DA Press)
O publicitário Fábio Rosa já se acostumou a passar na padaria antes de ir para o escritório: "É uma extensão do meu trabalho"


De acordo com a chef Dulcinéa Cassis, a análise buscou saber quais os principais produtos oferecidos, mas constatou também que, de fato, quem mora na capital gosta de tomar café da manhã em estabelecimentos que o oferecem. Tanto que o Zahia Café & Kebab vai abrir uma filial no Lago Norte. “E há fatores como a grande quantidade de pessoas que moram sozinhas. Se você vive só, os alimentos, mesmo em menores quantidades, podem estragar. Fazer uma salada de frutas dá muito trabalho. Até mesmo um suco de laranja é complicado”, explica Dulcinéa.

Para Luiz Guilherme Carvalho, sócio-proprietário da Belline Pães e Gastronomia, é justamente para não ter trabalho que muitos brasilienses preferem ir até lá durante o café da manhã. “É uma forma de otimizar o tempo. Fora que você tem uma qualidade no serviço que não teria em casa. Uma variedade que permite ao cliente escolher. Se quiser só frutas, tem. Se quiser tapioca, ovo, pães, tem também.” Gilberto Costa Manso, também sócio-proprietário da Belline Pães e Gastronomia, garante, sem falsa modéstia, que foram eles que iniciaram, de fato, essa prática em Brasília.

Há 18 anos, os croissants, macarons e outras guloseimas de Daniel Briand são experimentados por dezenas de pessoas: 'Nossa ideia deu certo', diz (Raimundo Sampaio/Encontro/DA Press)
Há 18 anos, os croissants, macarons e outras guloseimas de Daniel Briand são experimentados por dezenas de pessoas: "Nossa ideia deu certo", diz


Segundo Gilberto, quando a casa abriu em 2001, com o espaço dedicado ao bufê, o café da manhã foi uma das prioridades. “Antes, o costume se resumia aos hotéis, até mesmo o aeroporto. Fomos nós que o pusemos na rua.” A disputa para saber quem disseminou essa prática brasiliense é, por falta de palavra melhor, saborosa. Daniel Briand, da famosa pâtisserie que leva seu nome, lembra que, em 1993, antes mesmo de sua casa abrir, começou a pensar em oferecer o serviço. “Comemorei meu aniversário com um serviço assim e percebi que poderia ser algo interessante. Já abrimos com isso na cabeça”, conta.

Há 18 anos, seus croissants, macarons e outras guloseimas são experimentados todas as manhãs. “Nossa ideia deu muito certo. Dá muito trabalho, mas ainda sinto o mesmo prazer de montar os pratos para o café e ver a reação das pessoas”, confessa. Até mesmo quem não tem o hábito procura escapar da rotina do lar para comer algo diferente. “Quase nunca tomo café da manhã. Quando acontece, tomo fora de casa, já que Brasília tem várias opções”, diz o empresário Fábio Catelli.

Até quem não mora na capital já a considera fonte de bons desjejuns. O administrador de empresas Jean Chirourel mora em Salvador (BA), mas sempre vem à capital trabalhar, onde mantém um apartamento. Garante que, em todas as cidades que vai, sempre procura bons lugares para sua primeira refeição. “Como trabalho muito, não posso deixar de comer. Preciso sair já forrado”, diz, rindo.

Maria Bron, Eliana Lopes, Cristiana Sigmaringa  e Verônica Goulart: 'O café da manhã virou uma desculpa para encontrar as amigas', diz Cristiana (Raimundo Sampaio/Encontro/DA Press)
Maria Bron, Eliana Lopes, Cristiana Sigmaringa e Verônica Goulart: "O café da manhã virou uma desculpa para encontrar as amigas", diz Cristiana


Onde tem e quanto custa


La Boulangerie

Onde fica: 306 Sul, Bloco B,
Loja 10. Tel: (61) 3244-1394

Café espresso pequeno:R$ 4
Capuccino grande:R$ 12
Chocolate grande: R$ 9
Croissant:R$ 3,60
Pão ciabatta kg:R$ 19,40

Casa de Biscoitos Mineiros


Onde fica: 210 Norte, bloco D, lojas 20/46 e 106 Sul, Bloco A, loja 21.
Tel: (61) 3242-2922 / 3274-2922

Café espresso grande: R$ 4,80
Café da casa grande: R$ 3
Capuccino grande: R$ 5,40
Chocolate grande: R$ 4,80
Pão de queijo kg: R$ 22,90

Zahia Café & Kebab

Onde fica: CLSW 300B, bloco 3, loja 21 Sudoeste.
Tel: (61) 3551-5002

Bandeja de café completa (cesta de pães, bolo, coalhada seca ao azeite, geleia de damasco da casa, manteiga, queijo, presunto, salada de frutas com iogurte, mel e granola, suco de laranja): R$ 18
Café com pão de queijo grande:R$ 5
Reuniãozinha (dois espressos e cinco pães de queijo): R$ 9
Executivo (suco de laranja, espresso, misto quente):R$ 12
  
Daniel Briand

Onde fica: 104 Norte, Bloco A, Loja 62.

Tel: (61) 3326-1135

Première Formule (pães, manteiga, queijo gruyère e geleia da casa, um croissant, um brioche aux amandes, um pain au chocolat, um suco de laranja, patê de campagne maison ou salada de frutas com chantilly au cointreau e limão, um acompanhamento
a escolher – café, chocolate ou chá, importado ou nacional): R$ 32
Deuxième Formule (pães, manteiga, queijo gruyère e geléia da casa, um croissant
e um pain au chocolat, um suco de laranja, um acompanhamento a escolher – café, chocolate ou chá, nacional ou importado):R$ 27

Belline Pães e Gastronomia


Onde fica: 113 Sul, Bloco D, Loja 35.

Tel: (61) 3345-0777

Bufê durante a semana (frutas, frios, pães, café, chocolate, doces, etc.): R$ 19,90
Bufê aos fins de semana (idem a semana, mais crepes e outros serviços): R$ 21,90

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EDIÇÃO 58 | outubro de 2017